O que acontece com o açúcar do bebê após o parto em gestações com diabetes

Descubra como o diabetes gestacional influencia o açúcar do bebê ao nascer, por que pode ocorrer hipoglicemia e quais cuidados imediatos ajudam a proteger a saúde do recém-nascido.

O diabetes gestacional aparece apenas durante a gravidez, mas seus efeitos no bebê podem surgir logo após o nascimento. Quando a gestante tem glicose alta, o bebê recebe esse excesso de energia pela placenta e pode reagir com crescimento acelerado, alterações hormonais e queda do açúcar logo ao nascer. Entender esses riscos ajuda a família a se preparar para um parto mais seguro.

O que é diabetes gestacional?

É o aumento do açúcar no sangue que surge durante a gravidez. Embora costume desaparecer após o parto, seus efeitos podem impactar o recém-nascido nas primeiras horas de vida.

Bebê maior que o normal (macrossomia)

Quando o açúcar no sangue da mãe está alto, o bebê também recebe esse excesso. Para lidar com tanta glicose, o pâncreas fetal produz muita insulina — um hormônio que também estimula o crescimento. Isso pode gerar:

• Peso ao nascer acima de 4 kg.
• Acúmulo maior de gordura no tronco e nos ombros.
• Aumento das medidas corporais, especialmente do abdômen.

Estudos mostram que 30 a 40 em cada 100 bebês de mães com diabetes gestacional nascem com macrossomia.

Complicações no parto

• Maior risco de distócia de ombro (ombro preso na hora de nascer).
• Aumento significativo das chances de cesariana.
• Possibilidade de fraturas e lesões de nervos, como plexo braquial.

Queda do açúcar após nascer (hipoglicemia neonatal)

Assim que o cordão é cortado, o fluxo de glicose materna para o bebê cessa. Mas a insulina do bebê continua alta, provocando queda rápida do açúcar no sangue.

Isso acontece em 15 a 25 de cada 100 recém-nascidos de mães com diabetes gestacional.

Sinais de alerta

• Tremores.
• Irritabilidade.
• Sono excessivo.
• Palidez ou dificuldade para mamar.

Cuidado essencial

A glicose deve ser monitorada nas primeiras 24 horas de vida. Dependendo dos valores, o bebê pode precisar de:

• Amamentação imediata.
• Leite suplementar.
• Glicose endovenosa, nos casos mais intensos.

Mudanças na composição do corpo do bebê

Bebês expostos ao diabetes gestacional têm cerca de 10 a 15% mais gordura corporal, principalmente no abdômen. Estudos do sangue do cordão mostram:

• Maior inflamação.
• Sinais de resistência à insulina já ao nascer.

Essas alterações podem influenciar o metabolismo ao longo da vida.

O que pais e mães podem fazer?

• Realizar o pré-natal completo.
• Controlar a glicemia com alimentação e atividade física orientada.
• Conversar com a equipe sobre o plano de parto.
• Garantir que a glicose do bebê seja medida logo após o nascimento.
• Amamentar o quanto antes, sempre que possível.

Para informações confiáveis, consulte a Sociedade Brasileira de Diabetes e o Ministério da Saúde.

Conclusão

O diabetes gestacional pode aumentar o peso do bebê, causar queda de açúcar logo após o parto e alterar o corpo do recém-nascido. Porém, com pré-natal adequado e monitoramento nas primeiras horas, esses riscos são reduzidos. Aqui no Clube da Saúde Infantil, reforçamos: informação e cuidado fazem toda a diferença para começar a vida com mais saúde.


Referências

  1. Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2019-2020. São Paulo: Clannad, 2019.
  2. HAPO Study Cooperative Research Group. Hyperglycemia and adverse pregnancy outcomes. New England Journal of Medicine, v. 358, p. 1991-2002, 2018.
  3. Ministério da Saúde (Brasil). Pesquisa Nacional de Saúde 2019: nascimentos e partos. Brasília: MS, 2020.
  4. Committee on Fetus and Newborn. Postnatal glucose homeostasis in late-preterm and term infants. Pediatrics, v. 127, p. 575-579, 2019.
  5. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Manual de Gestação de Alto Risco. São Paulo: FEBRASGO, 2019.
  6. Catalano P. M. et al. The hyperglycemia and adverse pregnancy outcome study. Diabetes Care, v. 35, p. 780-786, 2019.
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