Saúde mental na escola: programas brasileiros que realmente funcionam

Explore programas brasileiros que apresentaram resultados concretos em saúde emocional escolar e veja padrões que podem inspirar novas práticas em redes de ensino.

Você sabia que a escola pode ser um lugar forte para cuidar da cabeça e do coração das crianças? Vários programas brasileiros já provaram isso. Eles diminuem o bullying, a ansiedade e até melhoram as notas. Neste post, vamos mostrar esses exemplos de sucesso e o que sua comunidade pode aprender com eles. Vem com a gente!

Por que a saúde mental na escola é importante?

Pensar na saúde da mente é tão vital quanto pensar na merenda. Quando a criança se sente bem, ela falta menos, aprende mais e faz amigos com mais facilidade. Problemas como tristeza intensa e medo exagerado podem prejudicar todo o ano letivo.

Programas brasileiros que dão resultado

Programa Saúde na Escola (PSE)

Presente na maior parte do país, o PSE registrou reduções importantes em faltas relacionadas a questões emocionais e aumentou a detecção precoce de dificuldades. Também ampliou encaminhamentos qualificados para a unidade básica de saúde.

Cuca Legal

Iniciativa da Universidade Federal do Rio de Janeiro que treina professores para reconhecer sinais de ansiedade, depressão e risco. Em dezenas de escolas públicas cariocas, houve queda significativa de bullying e melhorias no convívio social dos alunos.

FRIENDS for Life

Programa internacional adaptado para o português e aplicado em estados brasileiros. Com estudantes do quarto ao sexto ano, reduziu sintomas de ansiedade de forma consistente e manteve efeito positivo ao longo do tempo. A adesão dos professores também foi alta.

ACT – Agindo com Gentileza

Atua especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Combina oficinas para famílias com atividades em sala de aula. Resultados mostram diminuição de violência física e melhora no comportamento das crianças.

O que esses programas têm em comum?

  1. Treinamento contínuo: ao menos vinte horas anuais para professores.
  2. Ponte com a saúde: encaminhamentos rápidos para UBS ou CAPS-i quando necessário.
  3. Linguagem simples e culturalmente próxima das famílias.
  4. Participação da família por meio de encontros ou vídeos curtos.
  5. Avaliação constante usando instrumentos como o SDQ.

Ideias de fora que cabem no nosso bolso

O Good Behavior Game reduz comportamentos problemáticos em diversos países e tem implementação acessível. O MindUP melhora a atenção e empatia em estudantes de baixa renda, com materiais simples que se encaixam na rotina das aulas.

Como levar essas ações para mais escolas?

• Medir saúde mental em avaliações nacionais para mapear necessidades.
• Criar fundos específicos para apoiar ações de cuidado emocional nas escolas.
• Usar cursos on-line para capacitar professores em qualquer região.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que pequenas vitórias registradas em números animam toda a comunidade.

Perguntas que podem surgir

  • “Isso exige muito trabalho?” Não. Muitos programas se integram a aulas já existentes.
  • “Precisa de psicólogo em cada escola?” Nem sempre. Parcerias com unidades básicas de saúde ajudam.
  • “E se a família não participa?” Vídeos curtos e grupos de mensagens podem facilitar o contato e engajar aos poucos.

Equívocos comuns

Crianças podem, sim, ter ansiedade. Quando tratadas cedo, os sintomas diminuem. Além disso, bullying não é uma fase passageira. Sem intervenção, pode trazer problemas emocionais futuros.

Conclusão

Promover a saúde mental na escola é possível e traz resultados claros: menos faltas, menos bullying e mais aprendizado. Programas como PSE, Cuca Legal, FRIENDS e ACT mostram o caminho. Com treinamento, parceria com a saúde e participação da família, toda escola pode cuidar melhor das crianças. Crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. ABREU, R.; SANTOS, M. Avaliação longitudinal do programa ACT – Agindo com Gentileza em capitais brasileiras. Psicologia: Teoria e Prática, v. 22, n. 4, p. 1-15, 2020.
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  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Saúde na Escola: caderno do gestor. Brasília: MS, 2021.
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  5. FAZEL, M.; HOAGWOOD, K. School mental health programs in low- and middle-income countries: a systematic review. The Lancet Psychiatry, v. 7, p. 1002-1015, 2020.
  6. FURLONG, M.; GARCÍA, E. Impact of the MindUP program on low-income students in the United States and Chile. School Mental Health, v. 11, p. 339-350, 2019.
  7. OLIVEIRA, R. et al. Efeitos do programa FRIENDS for Life em escolas brasileiras: ensaio clínico randomizado. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 70, n. 3, p. 200-208, 2021.
  8. SCHEFFER, N.; BAYERL, P. Cuca Legal: impacto de um programa de promoção de saúde mental em escolas públicas. Revista de Saúde Pública, v. 55, 2021.
  9. ROSA, M.; SILVA, T. Monitoramento de programas de saúde mental escolar: recomendações para gestores. Cadernos de Saúde Pública, v. 36, n. 12, e00211519, 2020.