Três países, um mesmo princípio: aprender passa pelo cultivo

Explore experiências de hortas escolares em países como EUA, Japão e Finlândia, que mostram melhorias na alimentação, no engajamento e no aprendizado — e veja o que pode inspirar o Brasil.

Você já imaginou seus filhos plantando, colhendo e comendo o próprio lanche na escola? Em muitos países isso é realidade. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos como políticas públicas e bons exemplos internacionais transformam a horta em sala de aula viva, cheia de saúde e aprendizado.

Por que a horta escolar faz diferença?

A horta escolar ajuda as crianças a comer mais verduras e frutas, aprender disciplinas de modo prático e respeitar o meio ambiente. Ao acompanhar o cultivo, o estudante entende de onde vem o alimento e desenvolve hábitos mais saudáveis.

O que o mundo já faz e dá certo

Estados Unidos — Programa Farm to School

Desde 2010, milhares de escolas recebem apoio para comprar alimentos locais e criar áreas de cultivo. Agricultores familiares ampliam suas vendas e os alunos têm acesso a refeições mais frescas e variadas.

Japão — Educação alimentar na prática

A política conhecida como Shokuiku orienta que cada escola tenha um espaço dedicado à educação alimentar. A horta faz parte do conteúdo de Ciências, e o desperdício permanece baixo porque os alunos valorizam o alimento produzido.

Finlândia — Cultivo mesmo no frio

O currículo nacional inclui a vivência do ciclo do cultivo. Estufas aquecidas por energia renovável permitem plantar durante todo o ano, mesmo em regiões próximas ao Ártico. A abordagem integra metas de sustentabilidade do país.

Métodos internacionais que inspiram

• Edible Schoolyard, nos Estados Unidos: projetos ligados à horta aumentam o consumo de vegetais.
• Orti in Condotta, na Itália: cultivar alimentos típicos reduz a resistência em experimentar novos sabores.
• Kitchen Garden Foundation, na Austrália: plantar e cozinhar regularmente fortalece trabalho em equipe e amplia o consumo de hortaliças.

Três lições para o Brasil

  1. Colocar a horta no currículo: a BNCC já aponta temas de saúde e meio ambiente. Inserir o plantio nas aulas aproxima teoria e prática.
  2. Formar professores e envolver a comunidade: cursos rápidos e apoio de agricultores fortalecem a continuidade do projeto.
  3. Adaptar a infraestrutura: escolas menores podem usar hortas verticais ou aquaponia. No campo, plantas locais como ora-pro-nóbis enriquecem o cultivo.

Como começar na sua escola

• Reserve um espaço ensolarado ou use vasos verticais.
• Escolha sementes simples para começar, como alface e cebolinha.
• Crie um grupo de alunos cuidadores, com tarefas rotativas.
• Registre o crescimento em tabelas e transforme em atividade de matemática.
• Programe um dia de colheita para integrar a comunidade escolar.

Conclusão

Políticas consistentes, professores preparados e criatividade superam qualquer limite de espaço ou clima. Ao plantar e colher, a criança aprende sobre saúde, ciência e respeito à natureza a cada etapa. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. BLOCK, K. et al. A kitchen garden teaching program is positively associated with vegetable intake and quality of school life in primary school children. Public Health Nutrition, v. 23, n. 6, p. 1035-1043, 2020.
  2. EDIBLE SCHOOLYARD. Edible Schoolyard: annual report 2020-2021. Berkeley, 2021.
  3. FINNISH NATIONAL BOARD OF EDUCATION (FNBE). National core curriculum for basic education 2014. Helsinki, 2014.
  4. KOMULAINEN, K.; MARTTINEN, T. Greenhouse technology in Finnish schools: enhancing food literacy and climate education. Journal of Environmental Education, v. 53, n. 2, p. 150-166, 2022.
  5. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, FLORESTAS E PESCAS (MAFF). Shokuiku white paper 2020. Tóquio, 2020.
  6. SLOW FOOD. Orti in condotta: report nazionale 2021-2022. Bra, 2022.
  7. UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE (USDA). Farm to School Census 2019. Washington, DC, 2019.