Escolas reforçam estratégias para conter agressões e melhorar o convívio entre alunos

Entenda como iniciativas bem estruturadas reduzem conflitos, promovem relações mais saudáveis e ampliam a sensação de segurança para toda a comunidade escolar.

Bullying faz mal. Ele atrapalha o aprendizado, causa tristeza e pode gerar problemas de saúde. A boa notícia é que existe um caminho claro para diminuir o problema. No Clube da Saúde Infantil, acreditamos que toda criança merece estudar em paz. Aqui mostramos, de forma simples, como aplicar um programa anti-bullying eficiente na sua escola.

O que é um programa anti-bullying?

Um programa anti-bullying reúne regras, atividades e ações de apoio que toda a comunidade escolar segue. O Olweus Bullying Prevention Program é um dos modelos mais conhecidos e já reduziu uma grande parte dos casos de agressão quando aplicado de forma consistente.

Por que funciona?

  1. Envolve toda a escola, incluindo alunos, professores, funcionários e famílias.
  2. Define regras claras, compreendidas e aplicadas por todos.
  3. Monitora resultados com regularidade ao longo dos meses.
  4. Oferece apoio à saúde mental e física dos estudantes.

Adaptação para escolas brasileiras

No Brasil, estudos apontam quatro pontos fundamentais para que o programa funcione bem.

Capacitação contínua

A equipe precisa ser treinada de forma constante, e não apenas no início do programa. Reuniões curtas mensais ajudam a manter os profissionais alinhados.

Famílias presentes

Pais e responsáveis devem participar de rodas de conversa e receber materiais simples para acompanhar o trabalho em casa.

Monitoramento fácil

A escola pode usar fichas ou aplicativos para registrar cada caso. Esse acompanhamento permite comparar quantas situações de bullying foram notificadas antes e depois da implementação do programa.

Parceria com a saúde local

Postos de saúde podem auxiliar quando o aluno apresenta sinais de estresse, como dor de cabeça frequente, alterações de sono ou perda de apetite.

Benefícios medidos

Depois de aplicar o programa com fidelidade, muitas escolas relataram melhorias importantes:

• Houve menos relatos de estresse entre os estudantes.
• O clima escolar se tornou mais acolhedor e seguro.
• Reduziu-se o número de sintomas físicos ligados ao estresse, como alterações de peso e dores recorrentes.

Perguntas comuns

  • Bullying é só brincadeira? Não. Bullying é agressão repetida que causa dor e medo, enquanto brincadeiras envolvem respeito e consentimento.
  • Só conversar resolve? A conversa ajuda, mas precisa vir acompanhada de regras, acompanhamento e apoio profissional.
  • É necessário muito dinheiro? Não. Organização e envolvimento das pessoas são mais importantes do que materiais sofisticados.

Mitos e verdades

Mito: “Denunciar aumenta o problema.”
Realidade: Denunciar protege a vítima e mostra que a escola acolhe e cuida.

Mito: “Só quem sofre é afetado.”
Realidade: Testemunhas também podem sentir medo e estresse.

Mito: “Bullying passa sozinho.”
Realidade: Sem intervenção, tende a piorar com o tempo.

Dicas rápidas para começar hoje

• Criar uma caixa de denúncias anônimas para facilitar pedidos de ajuda.
• Montar um mural de boas atitudes feito pelos próprios alunos.
• Reservar dez minutos por semana para conversar sobre respeito em sala.
• Contatar o posto de saúde local para conhecer o psicólogo disponível.

Onde buscar ajuda

• Disque 100, para denúncias de violações de direitos da criança.
• Portal do Ministério da Saúde, com materiais sobre saúde escolar.

Conclusão

Programas anti-bullying funcionam quando toda a escola participa. Com passos simples, como treinar a equipe, envolver famílias, monitorar os casos e formar parcerias com a saúde local, é possível reduzir agressões, melhorar o clima escolar e proteger o corpo e a mente das crianças. Crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. OLWEUS, D.; LIMBER, S. P. The Olweus Bullying Prevention Program: Implementation and evaluation over two decades. In: Handbook of Bullying in Schools: An International Perspective. 2020.
  2. SILVA, J. L. et al. Intervention programs for anti-bullying in school: a systematic review. Ciência & Saúde Coletiva, v. 23, p. 2329-2341, 2018.
  3. SANTOS, M. M.; PERKOSKI, I. R.; KIENEN, N. Bullying: atitudes, consequências e medidas preventivas na percepção de professores e alunos do ensino fundamental. Temas em Psicologia, v. 23, n. 4, p. 1017-1033, 2015.