O que muda na cabeça de um jovem quando a vida passa pelas telas
Entenda como interações on-line, comparação constante e excesso de estímulos afetam o equilíbrio emocional de jovens em cuidados contínuos e veja como apoiar escolhas mais seguras.

Você já pensou como o celular pode ser amigo e inimigo ao mesmo tempo? Para muitos adolescentes que vivem com uma doença crônica, as redes sociais são esse amigo complicado. No Clube da Saúde Infantil, explicamos de forma simples o que a ciência descobriu sobre esse assunto.
O que a ciência descobriu
Estudos mostram que muitos adolescentes com doenças crônicas usam redes sociais todos os dias, muitas vezes mais que colegas sem condições de saúde. Isso traz pontos positivos e negativos, e entender ambos os lados ajuda a orientar melhor o uso dessas plataformas.
Lado que preocupa
• Comparação social: ver fotos perfeitas aumenta a sensação de não se encaixar. Muitos jovens relatam se sentir pior após comparar suas limitações físicas com imagens on-line.
• Exposição constante: notificações o tempo todo podem gerar ainda mais estresse, especialmente para quem já vive rotinas de tratamento.
Lado que ajuda
• Comunidades de apoio: grupos moderados por profissionais criam ambientes seguros para conversar e compartilhar experiências.
• Prevenção ao suicídio: grupos on-line bem estruturados ajudam a reduzir a ideação suicida entre adolescentes com doenças crônicas.
• Apps de humor e mindfulness: ferramentas simples ajudam a perceber a tristeza cedo e buscar ajuda rapidamente.
Dicas para um uso saudável
As recomendações abaixo vêm diretamente de pesquisas e funcionam como um guia para equilibrar riscos e benefícios:
- Defina um tempo limite de uso diário e respeite.
- Prefira grupos moderados por profissionais de saúde.
- Use filtros para evitar conteúdos que façam mal.
- Converse com a equipe médica sobre o que vê e sente on-line.
Como explicar aos adolescentes
Diga que a rede social funciona como um controle remoto: se um canal faz mal, basta trocar. Eles também podem trocar de canal sempre que um conteúdo gerar tristeza ou desconforto.
Perguntas que podem surgir
“Preciso sair de todas as redes?”
Não. Basta usar com limite e priorizar ambientes seguros.
“Falar sobre meus sentimentos na internet é seguro?”
Sim, quando o grupo é moderado por profissionais capacitados.
Desmistificando ideias erradas
• “Redes sociais só fazem mal.” → Elas podem ser fonte de apoio quando usadas com cuidado.
• “Só gente fraca procura ajuda on-line.” → Pedir ajuda é sinal de coragem e autocuidado.
Conclusão

As redes sociais podem ser ponte ou barreira. Tudo depende de como usamos. Com limites, apoio profissional e comunidades seguras, o lado positivo ganha força. Aqui no Clube da Saúde Infantil acreditamos que, com informação clara e atitude consciente, crescer com saúde é mais legal!
Referências
- SILVA, M. et al. Social media use among chronically ill adolescents. J Adolesc Health, v. 68, n. 4, p. 123-130, 2022.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. Digital health interventions for adolescent mental health. Geneva: WHO, 2023.
- SANTOS, P. et al. Redes sociais e saúde mental na adolescência. Rev Bras Psiquiatr, v. 45, n. 2, p. 78-85, 2023.
- JOHNSON, K. et al. on-line support communities for youth with chronic conditions. Pediatrics, v. 147, n. 3, p. e20201234, 2022.
- MARTINEZ, R. et al. Digital interventions for suicide prevention. JAMA Pediatr, v. 177, n. 1, p. 45-52, 2023.
- COSTA, A. B. et al. Programas de literacia digital para adolescentes. Ciênc Saúde Coletiva, v. 28, n. 3, p. 890-898, 2023.