Sinais que pedem atenção na rotina de jovens em tratamento contínuo

Entenda como perceber alterações de comportamento em jovens que vivem com tratamentos prolongados e reconheça quando é hora de agir e oferecer apoio.

Ter uma doença crônica na adolescência é como carregar uma mochila extra pesada todos os dias. Enquanto muitos jovens se preocupam apenas com provas, amizades e descobertas, aqueles com condições de saúde convivem com consultas, remédios e limitações. Aqui no Clube da Saúde Infantil, reconhecemos esses desafios e acreditamos que, com apoio, eles podem crescer com saúde e felicidade.

Estudos mostram que adolescentes com doenças crônicas têm chances aumentadas de desenvolver pensamentos negativos sobre si mesmos, reforçando a importância de reconhecer riscos e oferecer cuidado adequado.

Como as doenças crônicas afetam a vida dos adolescentes

O peso emocional da doença

Tomar remédios todos os dias, frequentar consultas e lidar com limitações físicas pode ser desgastante. A rotina inclui:

• Consultas médicas frequentes.
• Uso diário de medicamentos.
• Exames e procedimentos que geram desconforto.
• Restrições físicas que dificultam acompanhar os colegas.

Essas exigências impactam a autoestima e o bem-estar emocional.

Quando os outros não entendem

O preconceito é um desafio comum entre adolescentes com doenças crônicas. Muitos já passaram por situações de constrangimento ou exclusão na escola.

• Piadas sobre aparência ou limitações.
• Exclusão de atividades esportivas.
• Falta de compreensão de professores sobre suas necessidades.
• Estranhamento ao usar aparelhos ou dispositivos médicos.

Essas situações fazem o jovem se sentir sozinho ou “diferente”, aumentando o sofrimento emocional.

Mudanças no corpo e autoestima

A adolescência já é uma fase de transformações físicas. Para quem tem uma doença crônica, essas mudanças podem ser ainda mais difíceis.

• Cicatrizes de cirurgias.
• Alterações de peso relacionadas a medicamentos.
• Uso de equipamentos visíveis.
• Queda de cabelo por tratamentos.

Esses fatores podem gerar ansiedade, tristeza e insegurança sobre a própria imagem.

Sinais de alerta que pais e cuidadores devem observar

Sinais emocionais

• Tristeza persistente.
• Choro frequente.
• Perda de interesse em atividades que gostava.
• Comentários sobre se sentir inútil ou sem esperança.

Sinais sociais

• Evitar amigos e familiares.
• Recusar-se a ir à escola.
• Isolamento no quarto.
• Redução da participação em atividades sociais.

Sinais físicos

• Dores sem explicação clara.
• Cansaço excessivo.
• Falta de cuidados pessoais.
• Descontinuação do tratamento médico.

Como ajudar: estratégias de apoio

Em casa

• Conversar abertamente sobre sentimentos e emoções.
• Manter rotinas previsíveis quando possível.
• Valorizar pequenas conquistas.
• Procurar ajuda profissional ao perceber sinais persistentes.

Na escola

• Manter diálogo com professores sobre necessidades específicas.
• Solicitar adaptações adequadas quando necessário.
• Incentivar inclusão em atividades possíveis.
• Combater situações de bullying ou preconceito.

Na comunidade

• Promover contato com outros jovens em situação semelhante.
• Participar de grupos de apoio.
• Buscar atividades adaptadas para cada condição.
• Incentivar a conscientização sobre doenças crônicas.

Conclusão

Adolescentes com doenças crônicas enfrentam desafios únicos, mas isso não significa que não possam ter uma vida plena e feliz. Com o apoio da família, da escola e de profissionais de saúde, eles desenvolvem força e resiliência para enfrentar as dificuldades da vida.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que cada jovem merece cuidado, acolhimento e a chance de construir sua própria história. Crescer com saúde é mais legal — especialmente quando temos apoio.


Referências

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