O perigo na despensa: por que o aumento de ultraprocessados ameaça a saúde das famílias

Aprenda a identificar os ultraprocessados, seus impactos no corpo e como pequenas trocas diárias podem melhorar a saúde de crianças e adultos em casa.

Você já parou para pensar de onde vem a comida que chega ao seu prato? Alguns produtos passam por tantas etapas industriais que quase não lembram comida de verdade. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos de forma simples a diferença entre alimentos ultraprocessados e alimentos in natura, por que isso importa para a saúde e como fazer escolhas melhores no dia a dia.

O que é a classificação nova?

A classificação NOVA divide os alimentos em quatro grupos, de acordo com o grau de processamento. Ela funciona como um semáforo que ajuda a fazer escolhas mais conscientes.

Quatro grupos de alimentos

  • In natura ou minimamente processados: frutas, verduras, arroz e feijão, que saem quase direto da natureza para a mesa.
  • Processados culinários: óleo, açúcar e sal, usados em pequenas quantidades para cozinhar.
  • Processados: pão caseiro, queijos simples e vegetais em conserva, que ainda preservam características do alimento original.
  • Ultraprocessados: bolacha recheada, refrigerante e salgadinho, feitos com muitos ingredientes e aditivos industriais.

Por que alimentos in natura são melhores?

Eles mantêm vitaminas, fibras e a matriz alimentar — a estrutura natural que favorece a absorção de nutrientes. Também ajudam o corpo a regular a fome de forma mais equilibrada.

Riscos dos ultraprocessados para a saúde

Estudos apontam associações fortes entre o consumo frequente desses produtos e vários problemas de saúde.

Risco de morte precoce

Pessoas que mais consomem ultraprocessados têm até 62% mais risco de morrer mais cedo por qualquer causa.

Doenças do coração

A cada aumento de 10% no consumo de ultraprocessados, o risco de doenças cardiovasculares cresce em cerca de 12%.

Tendências no mundo e no Brasil

O consumo de ultraprocessados cresce rápido globalmente. Em alguns países, eles já representam metade das calorias diárias. Isso altera costumes, impacta o meio ambiente e ameaça receitas tradicionais que passam de geração em geração.

Dicas simples para o dia a dia

  • Prefira alimentos reconhecíveis no mercado, como frutas, legumes e grãos.
  • Leia o rótulo: lista extensa de ingredientes e nomes difíceis costuma indicar ultraprocessamento.
  • Cozinhe mais em casa para controlar sal, açúcar e óleo.
  • Leve lanches naturais na bolsa, como castanhas, frutas ou pipoca feita na panela.

Perguntas comuns

Preciso cortar tudo de uma vez?

Não. Comece reduzindo o consumo e trocando um produto ultraprocessado por um alimento in natura por dia.

Sucos de caixinha são ultraprocessados?

Sim, porque contêm aditivos e alto teor de açúcar. Prefira suco da fruta ou água.

Alimentos fortificados não são mais saudáveis?

Nem sempre. Mesmo com vitaminas adicionadas, muitos têm excesso de sal, açúcar e gordura hidrogenada.

Conclusão

Alimentos vindos da natureza cuidam melhor do corpo. Já os ultraprocessados aumentam o risco de doenças graves e morte precoce. Pequenas trocas diárias fazem diferença. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos que escolher comida de verdade deixa tudo mais gostoso e saudável.


Referências

  1. Monteiro, C. A.; Cannon, G.; Levy, R. B.; et al. NOVA. The star shines bright. World Nutrition, v. 7, n. 1-3, p. 28-38, 2016.
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