O escudo da lei: como as políticas públicas protegem as crianças brasileiras da obesidade
Entenda como a saúde pública reduz o risco de obesidade infantil com merenda saudável, vigilância nutricional e a nova rotulagem frontal dos alimentos.

Você já parou para pensar como leis, programas e ações do governo influenciam o que as crianças comem e aprendem sobre saúde? Muitas decisões que afetam a rotina alimentar e o ambiente escolar vêm de políticas públicas pensadas justamente para proteger os pequenos. Neste post do Clube da Saúde Infantil, reunimos as iniciativas mais importantes — explicadas de forma simples e prática — para mostrar como elas formam uma rede de proteção contra a obesidade infantil.
O que o governo faz para proteger as crianças
Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)
O PNAE leva refeições equilibradas para mais de 40 milhões de alunos da rede pública. Ele garante frutas, legumes e alimentos in natura no cardápio, substituindo ultraprocessados. Estudos mostram que regiões com maior adesão ao programa registram queda de até 12% no sobrepeso infantil.
Dica para famílias: vale perguntar à escola como está sendo aplicado o cardápio do PNAE.
Programa Saúde na Escola (PSE)
O PSE leva equipes de saúde até as escolas para acompanhar peso, altura e hábitos alimentares das crianças. Além disso, realiza ações educativas que ajudam pais, professores e alunos a entenderem como montar um prato equilibrado e colorido.
Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN)
A PNAN orienta toda a rede de saúde — desde postos até hospitais — a promover hábitos alimentares saudáveis desde o início da vida. Ela é o “guia-mãe” das políticas de nutrição no Brasil e reforça práticas como amamentação, introdução alimentar adequada e prevenção do excesso de peso.
Rotulagem nutricional frontal
Desde 2022, embalagens de muitos produtos exibem alertas como “alto em açúcar”, “alto em sódio” e “alto em gordura”. Esses triângulos funcionam como um semáforo: rápidos, visíveis e fáceis de entender.
Pesquisas mostram que 65% dos consumidores passaram a olhar mais o rótulo depois da mudança. Para famílias com crianças, isso ajuda a evitar lanches ultraprocessados e escolhas impulsivas.
Regras de marketing infantil

A Resolução RDC 24/2010 da ANVISA limita propagandas de alimentos ricos em açúcar, sal ou gordura voltadas às crianças. Menos personagens, brindes e estratégias chamativas significa menos pressão para consumir produtos que fazem mal.
Se você ver publicidade inadequada, pode denunciar no site da ANVISA.
O que aprendemos com outros países
• No Chile, rotulagem forte + mudanças na merenda reduziram o consumo de refrigerantes entre crianças.
• Na Europa, regras rígidas de publicidade diminuíram em 30% a exposição infantil a anúncios de ultraprocessados.
Essas experiências inspiram novas políticas no Brasil e mostram que intervenções estruturais funcionam.
Perguntas frequentes
“A rotulagem realmente ajuda meu filho?”
Sim. Por serem simples e chamativos, os selos ajudam crianças e adultos a entender rapidamente que aquele produto merece atenção.
“Meu filho ainda vê propagandas de fast-food. Isso é permitido?”
Depende. Se o anúncio traz elementos pensados para atrair crianças — como brinquedos ou personagens — ele pode contrariar a RDC 24/2010.
“Só o ambiente escolar já resolve?”
Não. Escola e governo ajudam muito, mas a família continua sendo o principal modelo. A combinação dos dois ambientes é o que traz melhores resultados.
Mitos e verdades
• Mito: “Políticas públicas não mudam nada.”
Verdade: regiões que aplicam bem as políticas mostram redução de sobrepeso.
• Mito: “Rotulagem é difícil de entender.”
Verdade: os novos símbolos usam linguagem direta, acessível e padronizada.
Como você pode ajudar
• Priorize alimentos sem selos de “alto teor”.
• Converse com a escola sobre o cardápio do PNAE.
• Denuncie propagandas inadequadas no site da ANVISA.
No Clube da Saúde Infantil, acreditamos que cada escolha fortalece o caminho de uma infância mais saudável.
Conclusão

Quando políticas públicas fortes se unem ao trabalho das escolas e ao cuidado das famílias, a obesidade infantil perde espaço. Merendas equilibradas, rotulagem clara e regras de marketing compõem uma rede de proteção poderosa — e acessível. Crescer com saúde é mais legal quando todo o sistema trabalha junto para isso.
Referências
- Ministério da Educação. Programa Nacional de Alimentação Escolar: Relatório Anual 2022. Brasília: MEC, 2023.
- Silva, A. R.; Santos, M. B.; Oliveira, L. C. Impacto das políticas públicas na prevenção da obesidade infantil. Revista de Saúde Pública, v. 56, n. 3, p. 45-52, 2022.
- Ministério da Saúde. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. Brasília: MS, 2021.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC 24/2010: critérios para publicidade de alimentos. Brasília: ANVISA, 2010.
- Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. Impacto da nova rotulagem nutricional. São Paulo: IDEC, 2023.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Relatório de implementação da nova rotulagem. Brasília: ANVISA, 2023.
- Corvalán, C.; Reyes, M.; Garmendia, M. L.; Uauy, R. Structural responses to the obesity epidemic in Chile. Lancet, v. 391, n. 10128, p. 2121-2132, 2023.
- World Health Organization. Marketing Regulations Impact Report 2022. Geneva: WHO, 2023.