Prevenção cardiovascular infantil: papel das políticas e da família na proteção do coração

Descubra os avanços do Brasil e de outros países na prevenção cardiovascular infantil e conheça atitudes simples que fortalecem a proteção em casa.

Você sabia que cuidar do coração começa na infância? Aqui no Clube da Saúde Infantil mostramos como as políticas públicas brasileiras ajudam — e onde ainda precisam melhorar. Vamos entender o cenário e descobrir passos simples para que cada criança cresça com um coração forte.

Por que cuidar do coração das crianças?

Problemas como pressão alta e colesterol elevado podem aparecer cedo. Quando percebemos, parte do dano já ocorreu. Por isso, aprender e agir desde a infância faz toda a diferença.

Danos começam cedo

Pensar no coração só na vida adulta é tarde demais. Estudos mostram que hábitos ruins na infância aumentam o risco de doenças cardíacas ao longo da vida.

O que o Brasil já faz

Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança

Esse programa acompanha crescimento e desenvolvimento, mas medir pressão e colesterol ainda não é obrigatório em todas as unidades de saúde.

Programa Saúde na Escola (PSE)

Presente em quase todos os municípios, leva aulas de saúde para os alunos. Ainda assim, apenas 41% das escolas oferecem atividade física semanal conforme as recomendações.

Alimentação na merenda

A legislação exige compra de alimentos locais e restrição a ultraprocessados. Apesar disso, 23% dos municípios ainda adquirem produtos com excesso de sal e gordura trans.

Onde ainda faltam ações

  • O Brasil não tem metas nacionais claras para hipertensão e obesidade infantil.
  • Falta um sistema único que integre dados de saúde, educação e assistência social.

O que dá certo lá fora

No Chile, selos de advertência em rótulos e a proibição de vender refrigerantes nas escolas reduziram em 24% o consumo dessas bebidas.
No Canadá, cidades com metas de atividade física reduziram em 13% o sobrepeso infantil em cinco anos.

Quatro passos que podem mudar o jogo no Brasil

  1. Medir pressão e colesterol das crianças a partir de 5 anos nas Unidades Básicas de Saúde.
  2. Usar parte do ICMS Saúde para ampliar tempo de atividade física nas escolas.
  3. Vincular o repasse da merenda ao cumprimento de metas de alimentação saudável.
  4. Criar incentivos fiscais para a indústria reduzir sal, açúcar e gordura nos produtos infantis.

Como cada família pode ajudar hoje

Olho no rótulo

Prefira alimentos sem selos de advertência. Se houver aviso, escolha outra opção.

Movimento diário

Toda criança precisa de ao menos 60 minutos de atividade física por dia: correr, pular corda, dançar ou brincar ao ar livre.

Tecnologia a favor

Aplicativos já ajudam famílias e profissionais de saúde a monitorar pressão e peso infantis. Projetos-piloto em Minas Gerais e no Ceará mostraram boa adesão e queda de até 4 mmHg na pressão sistólica.

Perguntas frequentes

Criança pode ter pressão alta? Sim. Por isso, medir cedo é fundamental.

Ultraprocessado faz mal mesmo? Sim. O excesso de sal, açúcar e gordura aumenta o risco de doenças cardíacas.

Atividade física na escola é suficiente? Nem sempre. É importante garantir movimento também em casa e nos fins de semana.

Conclusão

O Brasil já deu passos importantes, mas ainda há muito a avançar para proteger o coração das crianças. Com políticas públicas eficazes, escolas ativas e escolhas saudáveis em casa, crescemos mais fortes. Aqui no Clube da Saúde Infantil acreditamos: crescer com saúde é mais legal.


Referências

1. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança: orientações para implementação. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2015.

2. BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Saúde na Escola: balanço 2007-2021. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022.

3. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Relatório de auditoria operacional: promoção da atividade física em escolas públicas. Brasília, DF, 2021.

4. FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO. Monitoramento da alimentação escolar: relatório técnico 2021. Brasília, DF, 2022.

5. ALMEIDA, R. M.; BARRETO, M. L. Metas de saúde cardiovascular infantil no Brasil: uma proposta viável. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 38, n. 2, e00012321, 2022.

6. TAILLIE, L. S. et al. An evaluation of Chile’s food labeling and advertising law. PLoS Medicine, San Francisco, v. 17, n. 2, e1003015, 2020.

7. TREMBLAY, M. S.; BARNES, J. D. Impact of ParticipACTION on children’s physical activity. Canadian Journal of Public Health, Ottawa, v. 110, n. 6, p. 810-822, 2019.

8. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Boletim sobre doenças crônicas na infância. Brasília, DF: OPAS, 2022.

9. SOUZA, P. R. et al. Telemonitoramento cardiovascular infantil: resultados preliminares. Revista Paulista de Pediatria, São Paulo, v. 40, e2021034, 2022.