Merenda escolar: desafios e soluções para alimentar crianças nas férias
Aprenda por que muitas famílias ficam vulneráveis quando a merenda é suspensa e veja exemplos de soluções que mantêm a nutrição infantil ativa nas férias.

Férias deveriam ser sinônimo de descanso, não de prato vazio. Mas, para muitas crianças brasileiras, a pausa na aula também é pausa na merenda. Aqui no Clube da Saúde Infantil, queremos mostrar por que isso acontece e como mudar essa realidade de forma simples e prática.
Por que a merenda some nas férias?
A merenda escolar é bancada pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O dinheiro chega, mas a comida nem sempre. Três grandes barreiras atrapalham:
- Burocracia: editais e licitações demoram. Muitas vezes, o contrato acaba quando a escola fecha para o recesso.
- Transporte difícil: estradas ruins, barcos caros na Amazônia e longas distâncias aumentam o frete em até 40% do orçamento.
- Falta de geladeira: 61% das escolas rurais não têm câmara fria. Verduras e carnes perdem até 25% dos nutrientes no caminho.
Barreiras uma a uma
Burocracia que trava
Os editais saem perto do fim do ano. Quando o processo termina, as férias já começaram. É como tentar pegar o ônibus depois que ele saiu.
Estradas, rios e frete alto
Em cidades menores que 20 mil habitantes, a logística vira quase um terço do custo total da merenda. Em áreas ribeirinhas, o barco triplica o preço.
Frio que não chega
Sem geladeira grande, a comida estraga. Resultado: desperdício e menos nutrientes no prato da criança.
Soluções que já funcionam
Rotas compartilhadas
No semiárido baiano, prefeituras vizinhas dividiram caminhões. O gasto com combustível caiu 18% e a comida chegou mais vezes.
Cartão-alimentação
Maricá (RJ) dá um cartão recarregado a cada três meses. 93% das famílias mantiveram a mesma qualidade de alimentação nas férias de 2022.
Cozinha centralizada
Alguns municípios de Minas Gerais montaram uma grande cozinha industrial. A refeição sai pronta e bem embalada. Houve economia de 12% e mais segurança na higiene.
Cozinha comunitária
Teresina (PI) treinou agentes de saúde para cozinhar em centros comunitários. Em janeiro de 2023, 78% da demanda foi atendida.
O que podemos aprender?

Um estudo da Fiocruz resume a receita de sucesso em três passos:
- Mapa claro de onde estão as crianças.
- Contratos flexíveis que respeitem a época de férias.
- Investir em caminhões refrigerados e pequenas câmaras frias.
Quando isso foi testado no Pará, o tempo entre a compra e o consumo caiu 30%. Além disso, cada real investido em alimentação contínua devolve R$ 3,12 em benefícios sociais.
Como sua cidade pode iniciar?
- Usar o CadÚnico para saber quem precisa.
- Testar cartão-alimentação em áreas urbanas.
- Compartilhar rotas e caminhões no campo.
- Buscar apoio de Ministérios da Educação, Desenvolvimento Social e Cidadania.
Perguntas frequentes
1. O cartão muda a qualidade da comida?
Não. O cartão dá poder de escolha à família, mas precisa de fiscalização para evitar uso indevido.
2. Cozinha centralizada tira o emprego das merendeiras?
Não necessariamente. Elas podem trabalhar na cozinha maior ou em funções de controle de qualidade.
3. Quem paga a geladeira nova?
Os recursos podem vir do próprio PNAE ou de parcerias com estados e iniciativa privada.
Conclusão

A merenda escolar não pode tirar férias. Com planejamento, rotas inteligentes e tecnologias simples, o prato continua cheio mesmo fora da sala de aula. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Martins APB, Canella DS, Lopes R. Custos logísticos da alimentação escolar em áreas rurais brasileiras. Revista de Saúde Pública. 2022;56(23).
- Fernandes P, Sousa M. Cadeia de suprimentos da merenda escolar: desafios e perspectivas. Cadernos de Administração Pública. 2023;29(1):45-62.
- UNICEF. Insegurança alimentar e merenda escolar: Relatório Brasil 2022. Brasília; 2022.
- Ação da Cidadania. Atlas da Fome 2023. Rio de Janeiro; 2023.
- Brasil. Câmara dos Deputados. PL 2155/2021: Institui o Programa Merenda nas Férias. Brasília; 2021.
- IBGE. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE; 2020.
- World Food Programme. School Feeding Handbook. Rome: WFP; 2021.
- Silva LM, et al. Impacto da interrupção da alimentação escolar durante a pandemia de COVID-19. Cadernos de Saúde Pública. 2022;38(9).
- Osório RG, et al. Logística alimentar e segurança nutricional: lições da pandemia. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2023.
- Food and Agriculture Organization. The State of Food Security and Nutrition in the World 2023. Rome: FAO; 2023.
- World Bank. The Economics of School Feeding: Cost-Benefit Analysis. Washington, DC; 2020.