Desnutrição infantil: recuperação pede cuidados especiais para evitar riscos

Conheça estratégias para evitar a síndrome de realimentação, reduzir riscos de infecção e fortalecer a adesão ao tratamento nutricional infantil.

Quando uma criança passa por um período de desnutrição grave, a fase de recuperação é tão delicada quanto o tratamento inicial. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação simples salva vidas. Por isso, vamos explicar, em linguagem fácil, os principais riscos desse momento e como você pode ajudar seu filho a crescer forte de novo.

Síndrome de realimentação: o maior perigo escondido

Imagine que o corpo da criança ficou muito tempo sem combustível. Se colocarmos muita comida de uma vez, é como encher de gasolina um carro parado há meses: o motor pode falhar. Isso é a síndrome de realimentação.

Por que ela é tão perigosa?

  • Queda brusca de fósforo, potássio e magnésio no sangue.
  • Problemas no coração e na respiração.
  • Aparece nos 3 primeiros dias de alimentação.

Como prevenir

  1. Comece com apenas 25% das calorias necessárias.
  2. Peça ao médico exames de sangue a cada 24 horas nas 72 primeiras horas.
  3. Suplementar eletrólitos (sais minerais) logo no início.

Infecções: quando o sistema de defesa está fraco

Na desnutrição, o exército de defesa do corpo fica pequeno. Por isso, até 45% das crianças podem pegar infecções nessa fase.

Dicas para reduzir o risco

  • Lavar bem as mãos antes de tocar na comida.
  • Manter as vacinas em dia.
  • Seguir o protocolo de higiene do hospital ou posto de saúde.
  • Observar sinais como febre, tosse ou feridas na pele e avisar o profissional de saúde.

Adesão ao tratamento: ficar firme até o fim

Cerca de 30% das famílias abandonam o tratamento antes da hora. Mas, como em uma maratona, parar no meio pode colocar toda a recuperação em risco.

Como manter a rotina simples

  • Simplifique horários: use alarmes no celular para lembrar as refeições e suplementos.
  • Suporte emocional: converse com outros pais em grupos de apoio ou com profissionais da saúde.
  • Acompanhamento em casa: visitas de agentes de saúde ajudam a detectar problemas cedo.
  • Educação contínua: pergunte sempre e peça explicações claras ao médico ou nutricionista.

Perguntas comuns

“Posso dar vitaminas extras sem falar com o médico?”
Não. O excesso pode ser tão perigoso quanto a falta.

“Meu filho não quer comer, e agora?”
Ofereça pequenas porções, várias vezes ao dia, e peça orientação ao nutricionista.

“Quando ele estará totalmente recuperado?”
Depende do grau da desnutrição. O time de saúde define metas semanais de peso e exames.

Conclusão

Recuperar uma criança da desnutrição exige cuidado, paciência e informação clara. Ao começar a alimentação devagar, vigiar sinais de infecção e manter o tratamento até o fim, você protege seu filho dos principais perigos. Aqui no Clube da Saúde Infantil, reforçamos: crescer com saúde é mais legal.


Referências

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