Falta de vitaminas: crianças em grupos de risco enfrentam maiores ameaças

Descubra quais grupos infantis estão mais expostos à falta de nutrientes, conheça fatores de risco e aprenda como prevenir deficiências desde cedo.

Você sabia que uma criança pode estar bem de peso, mas ainda assim faltar ferro, vitamina A ou zinco? Aqui no Clube da Saúde Infantil, explicamos quem corre mais risco e como cuidar, usando palavras simples e exemplos do dia a dia. Vamos lá?

Por que a falta de vitaminas é um problema?

O corpo de um pequeno é como um carro novo: precisa do combustível certo para crescer forte. Se faltar “gasolina” — vitaminas e minerais — o motor não rende. A criança pode ficar mais cansada, pegar mais infecções e aprender menos na escola.

Quem corre mais risco?

1. Famílias de baixa renda

Em casas com pouca renda, a anemia por falta de ferro pode ser o dobro da média nacional. Muitas vezes há insegurança alimentar: nem sempre há comida suficiente ou variada. O prato fica cheio de arroz, farinha ou macarrão, mas quase sem carne, feijão ou frutas.

2. Regiões Norte e Nordeste

No Norte, 1 em cada 4 crianças tem falta de vitamina A; no Nordeste, quase 1 em cada 5. Já o iodo falta mais em áreas rurais longe do sal iodado. A escassez de postos de saúde e alimentos frescos piora a situação.

3. Rotina corrida e muitos ultraprocessados

Mesmo em famílias de renda média, a pressa faz o prato ter biscoito recheado, macarrão instantâneo e refrigerante. Quase 40% das calorias de crianças de 5 a 9 anos vêm desses produtos. O resultado? Calorias em excesso, mas poucas vitaminas.

4. Dietas vegetarianas ou veganas sem orientação

Sem acompanhamento, pode faltar vitamina B12, ferro e zinco. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda consulta a cada três meses para menores de 2 anos.

5. Seletividade alimentar e condições especiais

Crianças com transtorno do espectro autista (TEA) costumam aceitar poucos alimentos. Em estudo, 41% tinham anemia e 55% baixa vitamina D. Doença celíaca, Crohn e fibrose cística também atrapalham a absorção de nutrientes.

6. Adolescentes

O crescimento “em estirão” pede mais ferro, cálcio e zinco. Entre meninas de 10 a 19 anos, 23% têm anemia. Menstruação e dietas da moda, como “detox”, aumentam o risco.

7. Fatores culturais e gênero

Em algumas comunidades ribeirinhas, o desmame precoce leva ao uso de papas pobres em ferro antes dos 6 meses. Em grandes cidades, a pressão estética pode limitar ainda mais o prato das meninas.

8. Desertos alimentares urbanos

Bairros afastados têm muito fast-food e pouca feira. Nesses locais, a chance diária de tomar refrigerante sobe 70% e o consumo de verduras cai pela metade.

Como proteger seu filho?

  • Ofereça alimentos coloridos todos os dias: verduras, frutas, feijão e carne ou ovos.
  • Prefira comida de verdade a pacotes e refrigerantes.
  • Para famílias vegetarianas, procure um nutricionista e use suplementos indicados.
  • Crianças com TEA ou doenças intestinais precisam de acompanhamento regular.
  • Na adolescência, estimule lanches saudáveis e explique a importância do ferro para energia.
  • Mantenha o calendário de consultas do SUS; exames simples de sangue mostram se falta ferro ou vitamina D.

Perguntas frequentes

Meu filho está acima do peso. Ele ainda pode ter falta de vitaminas?
Sim. Peso alto não garante vitaminas suficientes, especialmente se a dieta tiver muitos ultraprocessados.

Existe “vitamina em gominha” que resolve?
Suplemento só com orientação profissional. Muitas vezes basta ajustar a alimentação.

Leite materno é fraco?
Não. Até os 6 meses, o leite da mãe tem tudo que o bebê precisa, exceto vitamina D, que pode ser suplementada se o pediatra indicar.

Conclusão

Identificar quem está em risco é o primeiro passo. Com prato variado, acompanhamento de saúde e informação de qualidade, podemos acabar com a fome escondida que prejudica o futuro das nossas crianças. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Saúde 2019: ciclo de vida. Brasília, 2020.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher – PNDS 2006: relatório final. Brasília, 2008.
  3. COSTA, C. S. et al. Deficiência de vitamina A no Brasil: revisão sistemática. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 28, n. 2, p. 251-264, 2012.
  4. FERNANDES, F. D. M. et al. Micronutrient deficiencies in children with autism spectrum disorder. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 95, n. 3, p. 279-286, 2019.
  5. NORTHSTONE, K. et al. Micronutrient intake in vegetarian and vegan children: a systematic review. European Journal of Clinical Nutrition, London, v. 75, n. 3, p. 554-570, 2021.
  6. UNICEF. Situação da infância brasileira 2021. Brasília, 2021.