Calorias vazias: risco real para a saúde e o futuro das crianças

Descubra como identificar o excesso de ultraprocessados na dieta infantil e veja dicas práticas para trocar calorias vazias por comida de verdade.

Biscoito recheado no café da manhã, suco de caixinha no lanche, nuggets no jantar. Parece familiar? Esses “pacotinhos prontos” são chamados de ultraprocessados. Eles enchem a barriga, mas deixam um buraco nos nutrientes. Neste texto, o Clube da Saúde Infantil explica, em linguagem simples, por que isso acontece e como proteger a saúde dos pequenos.

O que são alimentos ultraprocessados?

São produtos feitos em fábrica, cheios de açúcar, gordura, sal, corantes e conservantes. Vêm em embalagens coloridas e duram muito tempo na prateleira. Exemplos: refrigerante, salgadinho, bolacha recheada, iogurte “sabor fruta” com muito açúcar.

Por que eles viraram comuns na mesa das famílias?

No Brasil, mais de um terço das calorias que crianças de até 10 anos consomem já vem de ultraprocessados. É fácil achar, é barato e a propaganda usa desenhos que atraem a criançada.

Calorias vazias: barriga cheia, corpo vazio

Um copo de refrigerante entrega energia (calorias), mas quase nenhum nutriente. Já uma banana, com calorias parecidas, dá fibras, potássio e vitamina B6. Quando a troca acontece muitas vezes ao dia, nasce o problema das calorias vazias.

Fome oculta

A criança pode ter peso normal ou até sobrepeso e, mesmo assim, faltar ferro, zinco ou vitamina A no corpo. Isso é fome oculta.

Sinais que passam despercebidos

  • Irritabilidade e cansaço na escola.
  • Gripes e resfriados frequentes.
  • Queda no rendimento escolar.

Como os ultraprocessados atrapalham a absorção de nutrientes

Muito açúcar pode diminuir em até 30% a absorção de ferro. Gordura trans de margarinas e biscoitos atrapalha o uso da vitamina A. Resultado: a criança fica com fome de nutrientes, mesmo com a barriga cheia.

Consequências a longo prazo

  • Menos cálcio e fibras aos 8 anos.
  • Maior chance de ossos fracos e anemia.
  • Problemas de atenção e memória pela falta de ferro.

Dicas simples para o dia a dia

  • Troque suco de caixinha por fruta inteira.
  • No lugar de bolacha recheada, ofereça pão integral com pasta de amendoim caseira.
  • Mantenha água sempre à vista. Muitas vezes a criança confunde sede com fome.
  • Monte uma lancheira colorida com frutas de época e castanhas.

O papel da escola e das políticas públicas

Programas que misturam aulas de alimentação e lanche baseado em alimentos frescos podem cortar em 18% o consumo de ultraprocessados em um ano. Hortas escolares e merenda regional são grandes aliados.

Respondendo a dúvidas comuns

Se meu filho não está abaixo do peso, está tudo bem?

Peso normal não garante níveis adequados de vitaminas e minerais. Observe sinais de cansaço e consulte um profissional de saúde.

Fortificação da farinha já resolve?

A farinha reforçada é importante, mas não compensa refrigerantes, salgadinhos e doces na rotina.

Conclusão

Trocar pacotes coloridos por alimentos de verdade pode parecer um grande desafio, mas cada pequena mudança conta. Quando a família oferece comida fresca, rica em nutrientes, o corpo da criança agradece com mais energia, crescimento forte e aprendizado. Crescer com saúde é mais legal.


Referências

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