Desnutrição oculta infantil: estratégias eficazes de prevenção

Conheça ações simples de prevenção da desnutrição oculta, como merenda reforçada, suplementação e escolhas inteligentes em casa.

Você já ouviu falar em “fome escondida”? É quando a criança come calorias, mas falta vitamina e mineral no prato. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos passos simples para vencer esse problema e ajudar nossos pequenos a crescer fortes.

Desnutrição oculta: o que é e por que importa

A falta silenciosa de ferro, vitamina A, zinco e outros nutrientes pode atrapalhar o crescimento, a aprendizagem e a defesa do corpo. Parece invisível, mas afeta milhões de crianças brasileiras.

1. Educação nutricional: da cozinha à escola

  • Na UBS: cada consulta de rotina deve olhar se o prato tem cores variadas, não só o peso da criança.
  • Oficinas de família: trocar salgadinho por bolo de cenoura caseiro pode aumentar o zinco em 0,8 mg por dia.
  • Aulas na escola: dois anos seguidos falando de comida saudável diminuem em 12% o consumo de refrigerante.

Dica rápida: monte o prato com metade de verduras e frutas, um quarto de feijão e outro de arroz ou massa.

2. Fortificação e suplementação: reforço extra

Fortificação de alimentos básicos

O sal com iodo quase zerou o bócio nas crianças. Agora, discute-se colocar mais ferro e vitaminas na farinha de trigo e de milho. Cada real investido devolve três em economia de saúde.

Suplementação direcionada

  • Ferro: xarope para todas as crianças pequenas de áreas carentes garante cobertura acima de 80%.
  • Vitamina D: indicada para quem quase não pega sol.
  • Zinco: importante em regiões com solo pobre.

Um exame de sangue uma vez por ano ajuda a ajustar a dose e evitar excesso.

3. Merenda e hortas escolares

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) pode dar até 70% da vitamina A e C diárias. Quando a escola cria horta e a criança planta e colhe, ela come 1,5 porção extra de legumes e ainda aprende ciências de forma divertida.

4. Dinheiro e políticas amigas da saúde

  • Bolsa Família: redução de 9% nos casos de anemia moderada entre beneficiários.
  • Imposto em refrigerante: países que adotaram viram consumo cair 8% em dois anos.
  • Proposta em debate: usar parte desse imposto para comprar verduras frescas para a merenda.

5. Barreiras e como superá-las

Troca de prefeitos, medo de suplementos e propaganda de ultraprocessados atrapalham a prevenção.

  • Lei forte: a fortificação precisa ser política de Estado, não de governo.
  • Campanha “ouça a ciência”: combate boatos e mostra que suplemento correto não faz mal.
  • Regras de propaganda infantil: modelo semelhante ao que já foi feito com o cigarro.

6. Olhando para o futuro

Especialistas dizem que é possível acabar com a desnutrição oculta até 2030 se:

  • Usarmos big data para mapear carências nutricionais.
  • Incentivarmos biofortificação de feijão e mandioca ricos em ferro e vitamina A.
  • Mostrarmos no rótulo se o alimento é denso em nutrientes.

Conclusão

Quando cada caloria traz vitaminas e minerais, o corpo da criança cresce mais forte, o cérebro aprende melhor e as doenças ficam longe. Vamos juntos transformar prato em saúde? Aqui no Clube da Saúde Infantil acreditamos que crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. HARMANDI, M.; LIMA, K. R. Custo-efetividade da suplementação de ferro em pré-escolares: revisão sistemática. Cadernos de Saúde Pública, v. 36, n. 5, p. e00123419, 2020.
  2. PEKKA, G. et al. Effectiveness of school feeding programs in improving micronutrient status. Nutrition Reviews, v. 79, n. 3, p. 236-248, 2021.
  3. UNICEF. The state of the world’s children 2019: children, food and nutrition. New York: UNICEF, 2019.
  4. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guideline: fortification of wheat flour with vitamins and minerals. Geneva: WHO, 2022.