Brasil avança no combate à falta de vitaminas em crianças
Saiba como o Brasil enfrenta deficiências nutricionais com políticas públicas como suplementação de vitamina A, merenda escolar e alimentos fortificados.

Você já pensou que, às vezes, a comida parece “encher a barriga”, mas não “alimenta de verdade”? Isso acontece quando faltam micronutrientes, como ferro e vitamina A. Aqui no Clube da Saúde Infantil, vamos mostrar de forma simples como o Brasil age para que cada colher de comida tenha os nutrientes que fazem as crianças crescerem fortes.
O que são micronutrientes?
Micronutrientes são vitaminas e minerais. O corpo precisa de pouquinho, mas eles fazem grande diferença. Sem eles, a criança pode ficar sem energia, doente com mais facilidade e aprender menos na escola.
Três frentes que o governo usa
1. Farinha forte: ferro e ácido fólico
Desde 2002, a maior parte da farinha de trigo e de milho recebe ferro e ácido fólico. É como “polvilhar força” na farinha. Estudos mostram queda de até 35% na anemia em lugares onde a fiscalização é boa.
2. Sachê NutriSUS: multivitaminas em pó
Em creches públicas, crianças de 6 a 48 meses recebem sachês coloridos. Basta misturar na comida. Depois de três meses, o sangue já mostra mais hemoglobina, sinal de menos risco de anemia.
3. Gotas de vitamina A
Nas regiões Norte e Nordeste, crianças de 6 meses a 5 anos ganham duas gotinhas por ano. Isso evita problemas de visão e infecções graves. A meta é chegar a 80% de cobertura, mas estamos em 64%.
Outros programas que ajudam
PNAE: merenda escolar nutritiva
Pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar, pelo menos 30% do dinheiro da merenda vem da agricultura familiar. Isso aumenta a oferta de frutas, verduras e legumes, elevando em 22% a ingestão de vitamina A.
Hortas e cozinhas pedagógicas
Quando a escola planta o próprio alimento, as crianças aprendem e comem melhor. Em Florianópolis, a horta escolar reduziu em 18% a falta de ferro depois de dois anos.
Desafios que ainda existem

- Farinha sem fiscalização: moinhos artesanais podem vender produto sem ferro.
- Sachês atrasados: mudanças de gestores fazem faltar NutriSUS em alguns meses.
- Falta de registro: não há sistema único para saber quem já recebeu vitaminas.
- Comida ultraprocessada: 1 em cada 3 calorias infantis vem de produtos pobres em nutrientes.
- Estradas difíceis: na Amazônia, o calor pode estragar as gotinhas de vitamina A.
- Pouco treinamento: só 41% dos municípios treinam agentes de saúde para identificar sinais de carência.
- Corte de verbas: o programa da vitamina A perdeu 12% do orçamento em 2023.
Como a família pode ajudar
- Ofereça comida de verdade: arroz, feijão, verduras, frutas e carnes.
- Evite biscoitos recheados e refrigerantes todos os dias.
- Use temperos naturais, como alho e cebola, em vez de saquinhos prontos cheios de sal.
- Leve a criança ao posto de saúde para pesar, medir e receber suplementos quando indicado.
Perguntas que ouvimos muito
A farinha que compro é enriquecida?
Olhe o rótulo; deve dizer “enriquecida com ferro e ácido fólico”.
NutriSUS engorda?
Não. Ele só tem vitaminas e minerais, quase sem calorias.
Posso dar vitamina A por conta própria?
Não. O excesso também faz mal. Procure o posto de saúde.
Equívocos comuns
Se meu filho come bastante, não falta vitamina.
Quantidade não é qualidade. Micronutriente é pequeno, mas faz falta grande.
Só frutas resolvem tudo.
Frutas ajudam, mas ferro está em feijão, carnes e farinha fortificada.
Resumo rápido em números
- 95% da farinha formal tem ferro e ácido fólico.
- –35% de anemia onde a fiscalização funciona.
- +0,15 ponto no z-score de hemoglobina com NutriSUS.
- R$ 1 investido em iodo economiza R$ 15 em tratamento futuro.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação simples salva vidas. Compartilhe este texto com outras famílias e ajude mais crianças a crescer com saúde.
Conclusão

O Brasil já tem boas leis para colocar ferro, vitaminas e outros nutrientes na mesa das crianças. Falta fazer chegar a todos, em todo lugar. Quando governo, escolas e famílias trabalham juntos, as crianças aprendem mais, ficam menos doentes e brincam com mais energia. Crescer com saúde é mais legal.
Referências
1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC n. 344, de 13 de dezembro de 2002. Diário Oficial da União, Brasília, 2002.
2. SANTOS, L. M. P.; PEREIRA, A.; FONSECA, A. M. et al. Impacto da fortificação de farinhas na anemia ferropriva em pré-escolares brasileiros. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 52, e67, 2018.
3. BRASIL. Ministério da Saúde. Estratégia de fortificação da alimentação infantil com micronutrientes em pó (NutriSUS): resultados preliminares 2014-2018. Brasília, 2019.
4. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Relatório de auditoria operacional: políticas de combate à deficiência de micronutrientes. Brasília, 2021.
5. BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A: relatório de gestão 2022. Brasília, 2023.
6. OLIVEIRA, T. C.; SIQUEIRA, R. S.; SILVA, R. M. M. Avaliação do PNAE sobre ingestão de micronutrientes em escolares mineiros. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 26, n. 4, p. 1321-1332, 2021.
7. MONTEIRO, C. A.; CANNON, G.; MOUBARAC, J. C. et al. The UN Decade of Nutrition, the NOVA food classification and the trouble with ultra-processing. Public Health Nutrition, Cambridge, v. 21, n. 1, p. 5-17, 2018.
8. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Inquérito nacional sobre práticas de atenção nutricional na atenção básica. Rio de Janeiro, 2020.
9. SILVA, D. F.; PEREIRA, P. R.; CARDOSO, A. L. Hortas escolares e status de ferro em crianças: ensaio comunitário em Florianópolis. Revista Nutrição em Pauta, Porto Alegre, v. 30, n. 2, p. 10-15, 2022.
10. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Iodine deficiency in Europe: a continuing public health problem. Geneva, 2017.