Asma não controlada? Saiba quando buscar pneumologista

Entenda quando a asma exige consulta urgente com o pneumologista, quais exames são feitos e como isso melhora o futuro da respiração.

Você ou seu filho usa a bombinha todo dia? Acorda de noite com falta de ar? Esses são sinais de que a asma pode não estar controlada. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação simples salva vidas. Vamos explicar, passo a passo, quando e por que falar logo com um especialista.

Sinais de alerta: hora de ligar o pisca-alerta

Use esta lista como um semáforo. Se um item acender, procure ajuda:

  • Uso da bombinha de resgate três ou mais vezes por semana (exceto antes de exercício).
  • Sintomas de dia duas vezes ou mais por semana ou qualquer despertar à noite por asma.
  • Duas ou mais crises fortes no último ano que exigiram corticoide em comprimido ou injeção.
  • Exame de sopro (VEF1) menor que 80% mesmo com tratamento diário.
  • Necessidade de dose alta de corticoide inalatório ou efeitos colaterais do corticoide em comprimido.
  • Casos com dúvida no diagnóstico, suspeita de asma ocupacional, rinite grave, obesidade importante ou gravidez.

Se algum desses sinais apareceu, marque a consulta. Esperar piora pode deixar cicatrizes no pulmão difíceis de reverter.

Por que não esperar: o risco de adiar a consulta

Pesquisas brasileiras mostram que muitas pessoas demoram até 18 meses entre a primeira crise grave e a visita ao pneumologista. Esse atraso aumenta o risco de novas internações.

O que o especialista faz de diferente

  • Confirma o diagnóstico com espirometria.
  • Define o tipo de asma para indicar o tratamento mais adequado, incluindo remédios biológicos quando necessário.
  • Ensina a técnica correta da bombinha e entrega um plano de ação por escrito.
  • Avalia e trata doenças associadas, como rinite e obesidade.

Resultados em estudos brasileiros:

  • Redução de 43% nas internações em um ano.
  • Queda de 56% nas idas ao pronto-socorro.
  • Melhora de 25% no teste de controle da asma (ACT).
  • Economia anual de R$ 1.450 por paciente para o SUS.

Desafios de acesso e soluções possíveis

No Brasil há, em média, pouco mais de um pneumologista para cada 100 mil habitantes, concentrados em capitais do Sudeste. Apenas metade dos municípios do SUS dispõe de espirometria.

Mas a telepneumologia já se mostra uma saída: em projeto-piloto no Paraná, reduziu o tempo de espera para consultas e alcançou alta satisfação dos pacientes. O modelo híbrido, com exame presencial e retorno online, pode ser uma ponte para ampliar o acesso.

Perguntas frequentes

Bombinha faz mal?

Não. O remédio de controle previne crises. O que faz mal é usar errado ou só em emergências.

Posso parar o remédio quando melhorar?

Não sem orientação médica. A inflamação pode continuar silenciosa.

Criança também precisa de especialista?

Sim. Quanto mais cedo o controle, melhor o crescimento e o desenvolvimento dos pulmões.

Equívocos comuns e a verdade simples

  • Mito: “Asma some na adolescência.”
    Fato: Pode melhorar, mas em muitos casos retorna se não houver acompanhamento.
  • Mito: “Corticoide engorda.”
    Fato: A dose inalada é pequena e segura. O que pode favorecer ganho de peso é a falta de atividade física por medo de crises.

Resumo rápido

Se a asma não está controlada, o pneumologista é peça-chave para quebrar o ciclo de crises e internações. Marque a consulta e respire melhor.

Conclusão

Chegar primeiro ao especialista evita sustos e hospitalizações. Compartilhe este texto com quem precisa e fale com seu médico hoje mesmo. Aqui no Clube da Saúde Infantil, defendemos que crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. Global Initiative for Asthma. Global strategy for asthma management and prevention. 2022.
  2. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Diretrizes da SBPT para manejo da asma. J Bras Pneumol, 2020.
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  5. Bourdin, A. et al. Remodeling in asthma: when early control matters. Eur Respir Rev, 2020.
  6. Cabral, A. L. B. et al. Impact of specialist care on severe asthma outcomes in Brazil. J Asthma, 2020.
  7. Brasil. Ministério da Saúde. Avaliação de custo-efetividade do manejo especializado da asma grave. Brasília, 2022.
  8. Scheffer, M. et al. Demografia médica no Brasil 2023. São Paulo: FMUSP, 2023.
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