Crianças, gestantes e idosos: como lidar com a asma fora de controle
Cuidados práticos para idosos, gestantes, crianças, trabalhadores expostos a pó e pessoas com obesidade.

Respirar sem esforço é um direito de todas as idades. Mas, em muitas famílias, a asma não controlada ainda traz medo de crises, internações e limitações no dia a dia. Neste post, o Clube da Saúde Infantil mostra, de forma simples, o que a ciência diz sobre os grupos que mais sofrem: idosos, gestantes, crianças, trabalhadores expostos a pó e pessoas com obesidade. Vamos aprender a evitar sustos e a manter o ar circulando livre, porque crescer com saúde é mais legal.
Por que falar de asma não controlada
Quando a asma foge do controle, os pulmões inflamam e “apertam” por dentro. A pessoa chia, tosse e sente falta de ar mesmo em tarefas simples, como subir poucos degraus. Pesquisas brasileiras indicam prevalências elevadas de descontrole em idosos e crianças, além de maior procura por urgência na gestação. A boa notícia: mudanças de rotina, técnica correta do inalador e consultas regulares reduzem internações de forma importante.
Idosos: pulmões que precisam de cuidado extra
O que muda no corpo do idoso
Com o tempo, a caixa torácica perde elasticidade, o que dificulta inspirar e expirar. Outras doenças, como hipertensão e diabetes, podem piorar o fôlego.
Dicas práticas para o dia a dia
- Revise a técnica do inalador em cada visita.
- Prefira espaçador e dispositivos com botões maiores quando houver tremor ou artrite.
- Use alarmes ou caderno para organizar horários de remédios.
- Mantenha pressão, colesterol e glicemia controlados.
Gestantes: proteger mãe e bebê ao mesmo tempo
Medicamentos são seguros?
O maior risco para o bebê é a falta de oxigênio durante a crise, não o corticoide inalatório. Por isso:
- Mantenha o tratamento diário indicado.
- Faça acompanhamento frequente com avaliação do controle.
- Em casos graves, o especialista pode considerar terapias avançadas seguras com indicação individualizada.
Sinais de alerta
Procure atendimento se houver falta de ar em repouso, ausência de melhora após uso de alívio por 10 minutos ou redução dos movimentos fetais.
Crianças: quando o chiado insiste

Como ensinar o uso do espaçador
Explique que o tubo é um “túnel” que leva o remédio até o pulmão. Coloque a máscara, acione um jato e conte até dez devagar.
Ambiente limpo, pulmão feliz
- Use capa impermeável para colchões.
- Lave pelúcias ou guarde-as em sacos fechados.
- Ventile a casa e combata o mofo.
Programas que treinam pais e professores ajudam a reduzir internações e faltas escolares.
Asma ocupacional: quando o problema está no trabalho
Setores de maior risco
Padarias (farinhas), oficinas de pintura automotiva e fábricas de espuma com isocianatos estão entre os locais com maior exposição.
Como investigar
- Registre o pico de fluxo em dias úteis e fins de semana para comparar.
- Testes específicos podem identificar o agente.
- Afastamento precoce do irritante aumenta a chance de recuperação.
Obesidade: peso que “aperta” o pulmão
Pequenas perdas, grande ganho de fôlego
Perder 5–10% do peso pode melhorar a capacidade de sopro e reduzir o uso de resgate. Pense em tirar uma mochila pesada: o corpo respira aliviado.
Passos simples que valem para todos
- Cheque a técnica do inalador em todas as consultas.
- Use questionários rápidos (ACT, ACQ, C-ACT) para acompanhar a evolução.
- Procure especialista se houver duas ou mais crises no ano ou uso repetido de corticoide em comprimido.
- Quando disponível, peça exames como IgE, eosinófilos ou FeNO para orientar terapias-alvo, especialmente em gestantes, crianças graves e pessoas com sobreposição asma-DPOC.
Para mais dicas, visite nosso guia de uso correto do inalador ou consulte o Ministério da Saúde.
Conclusão

A asma pode ser teimosa, mas não é invencível. Com informação simples, remédios corretos e um olhar atento para cada fase da vida, evitamos crises e internações. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que conhecer o próprio corpo é o primeiro passo para uma vida ativa e feliz. Ajuste seu plano, converse com seu profissional de saúde e lembre-se: crescer com saúde é mais legal.
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes Brasileiras para o Manejo da Asma 2022. Brasília: MS, 2022.
- GINA. Global Initiative for Asthma. Global Strategy for Asthma Management and Prevention. Fontana: GINA, 2023.
- Marques, M. M. et al. Impacto da asma não controlada em idosos: análise de coorte hospitalar. J Bras Pneumol, 45(4): e20180321, 2019.
- Almeida, T. G. et al. Uso de corticosteroides inalados na gestação: percepção de risco e adesão. Rev Bras Ginecol Obstet, 44(6): 411-418, 2022.
- Solé, D. et al. Prevalência de asma pediátrica nas capitais brasileiras: estudo ISAAC IV. J Pediatr (Rio J), 97(3): 318-324, 2021.
- Santos, A.; Ponce, R. Programas educativos no controle da asma infantil: revisão sistemática. Rev Paul Pediatr, 38: e2019299, 2020.
- Tarlo, S.; Liss, G. Epidemiology of occupational asthma. Clin Rev Allergy Immunol, 56(2): 135-148, 2019.
- Silva, R. S. et al. Associação entre obesidade e controle da asma no Brasil: meta-análise. Cad Saúde Pública, 37(2): e00012320, 2021.