Por que pomadas e remédios nem sempre controlam a dermatite atópica
Pomadas de corticoide, inibidores de calcineurina e imunossupressores têm limitações e efeitos colaterais. Saiba como reconhecer falhas e buscar ajuda médica.

Se você tem um filho com dermatite atópica grave, pode ter notado que nem sempre os remédios funcionam como esperado. Pomadas perdem efeito, medicamentos causam reações adversas e o controle parece difícil. Entender por que isso acontece ajuda a lidar melhor com o tratamento.
O que é dermatite atópica grave?
A dermatite atópica é uma inflamação crônica da pele que causa coceira, vermelhidão e feridas. Nas formas graves, os sintomas são intensos, prolongados e mais resistentes aos cuidados convencionais.
Por que as pomadas de corticoide param de funcionar?
O problema da pele acostumada
As pomadas com corticoide reduzem a inflamação. No início funcionam bem, mas com o uso prolongado podem perder eficácia, fenômeno conhecido como taquifilaxia.
- Afeta cerca de 2 a 3 em cada 10 crianças.
- Surge após uso contínuo por semanas ou meses.
- O efeito vai diminuindo gradualmente.
Efeitos adversos das pomadas fortes
O uso prolongado de corticoides potentes pode provocar:
- Pele mais fina e frágil.
- Manchas claras ou escuras.
- Vasos sanguíneos aparentes.
Estudos apontam que até 40% das crianças em uso contínuo desenvolvem algum desses efeitos.
Problemas com outros remédios tópicos
Inibidores de calcineurina
Alternativas como tacrolimus e pimecrolimus podem substituir o corticoide, mas apresentam limitações.
- Até 4 em cada 10 crianças não respondem bem.
- São menos eficazes nos quadros muito graves.
- O efeito pode demorar a aparecer.
Muitos pacientes acabam precisando de terapias combinadas para alcançar controle adequado.
Quando é preciso usar medicamentos sistêmicos

Eficazes, mas arriscados
Nos casos mais graves, pode ser necessário usar medicamentos por via oral ou injetável, como ciclosporina e metotrexato, que reduzem a resposta inflamatória.
Principais riscos
- Ciclosporina: pode afetar rins, aumentar a pressão arterial e elevar risco de infecções.
- Metotrexato: pode causar problemas no fígado, náuseas e exige exames de sangue frequentes.
Estima-se que 1 em cada 4 pacientes interrompa o uso desses medicamentos por causa dos efeitos adversos.
O que isso significa para as famílias?
Sinais de que o tratamento não funciona
É importante observar se:
- A coceira não melhora após semanas de uso.
- As lesões continuam aparecendo.
- A pomada que ajudava deixa de ter efeito.
- A pele apresenta efeitos indesejados.
Importância do acompanhamento médico
Dermatologistas e pediatras podem:
- Ajustar ou trocar os medicamentos.
- Orientar sobre combinações de tratamento.
- Prevenir complicações.
- Ajudar no cuidado diário com a pele.
Novas esperanças no tratamento
Novas terapias estão sendo desenvolvidas para os casos resistentes. Tratamentos mais específicos buscam atender cada perfil de paciente, trazendo alternativas além dos remédios tradicionais. Cada criança é única, e o acompanhamento médico é fundamental para encontrar a melhor estratégia.
Conclusão

Conhecer as limitações dos tratamentos tradicionais ajuda famílias a ter expectativas realistas. Pomadas de corticoide, inibidores de calcineurina e imunossupressores têm valor no controle da dermatite atópica, mas também apresentam riscos e falhas. O equilíbrio entre eficácia e segurança deve ser construído junto ao médico. Crescer com saúde é mais legal — e isso inclui tratar a dermatite de forma consciente e individualizada.
Referências
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