Tratamento atual da miosite em crianças traz avanços e desafios

Veja de forma simples como funcionam os principais remédios contra a miosite infantil e o papel das consultas regulares no sucesso do tratamento.

Quando o músculo da criança inflama, ela pode sentir fraqueza e cansaço. Essa inflamação chama-se miosite. A boa notícia é que existe tratamento! Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação clara ajuda famílias a decidir junto com o médico. Vamos mostrar, de forma simples, como o tratamento funciona e por que ele é tão importante.

Por que tratar logo?

Quando a miosite começa, o músculo fica “pegando fogo”. Quanto mais cedo apagamos esse fogo, menor o risco de cicatrizes e de problemas futuros.

Corticosteroides: os primeiros bombeiros

  • O que são: remédios potentes contra a inflamação.
  • Como agem: funcionam como bombeiros que chegam rápido e jogam muita água no incêndio.
  • Dose inicial: prednisolona 1 a 2 mg por quilo da criança por dia. Nos casos graves, podem ser usados “pulsos” de metilprednisolona na veia por três dias.
  • Redução lenta: depois de 4 a 6 semanas, a dose começa a cair devagar, em um processo que pode durar 12 a 24 meses, sempre com exames e consultas.

Imunossupressores: a equipe de reforço

Se o músculo precisa de ajuda extra ou para reduzir o uso dos corticoides, entram os imunossupressores:

  • Metotrexato: primeira escolha. Dose semanal de 15 a 20 mg por metro quadrado de superfície corporal.
  • Azatioprina: opção quando o metotrexato não é bem tolerado. Dose diária de 2 a 3 mg por quilo.
  • Ciclosporina: alternativa em alguns casos. Dose diária de 3 a 5 mg por quilo.

Nos quadros mais difíceis, o médico pode combinar mais de um imunossupressor, sempre monitorando com exames de sangue regulares.

Como o médico acompanha?

Para garantir a eficácia e segurança do tratamento, a equipe de saúde observa:

  • Força muscular (a criança consegue subir escadas ou levantar da cadeira?).
  • Exames de sangue que medem enzimas musculares.
  • Alterações de pele.
  • Crescimento e desenvolvimento.
  • Funcionamento de órgãos internos.

Se após 12 semanas de tratamento não houver melhora, o médico pode revisar a estratégia ou indicar medicamentos biológicos.

Perguntas comuns de pais e mães

Meu filho vai tomar corticoide para sempre?
Não. A dose alta é só no início. Depois, o remédio vai diminuindo até ser suspenso, se o músculo estiver bem.

Corticoide engorda?
Pode aumentar o apetite. Alimentação equilibrada e atividade física leve, com autorização médica, ajudam a controlar.

Metotrexato é quimioterapia?
Sim, ele também é usado em câncer, mas na miosite a dose é muito menor e segura.

Conclusão

Cuidar da miosite infantil exige remédios potentes, acompanhamento próximo e paciência. Com corticoides, imunossupressores e consultas regulares, grande parte das crianças melhora e volta às atividades do dia a dia. Aqui no Clube da Saúde Infantil reforçamos: crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Kim S, El-Hallak M, Dedeoglu F, et al. Update on pediatric myositis. Curr Opin Pediatr. 2019;31(6):713-721.
  2. Rider LG, Aggarwal R, Pistorio A, et al. 2016 ACR/EULAR criteria for response in juvenile dermatomyositis. Arthritis Rheumatol. 2017;69(5):911-923.
  3. Spencer CH, Rouster-Stevens K, Pachman LM, et al. Biologic therapies for refractory juvenile dermatomyositis. Arthritis Care Res. 2020;72(7):897-909.
  4. Huber AM, Robinson AB, Reed AM, et al. Consensus treatments for moderate juvenile dermatomyositis. Arthritis Care Res. 2012;64(4):647-656.
  5. Barth Z, Witczak BN, Flatø B, et al. Assessment of medication use in juvenile dermatomyositis: a cross-sectional study. Pediatr Rheumatol. 2020;18(1):25.
  6. Papadopoulou C, McCann LJ. The use of biologics in juvenile dermatomyositis. Paediatr Drugs. 2018;20(3):213-222.