Vitamina D em baixa? Entenda os riscos e como suplementar com segurança

Saiba quais fatores aumentam o risco de deficiência de vitamina D em gestantes, bebês e crianças, além de cuidados e doses recomendadas com segurança.

Você já ouviu que “pegar sol faz bem”. Mas nem sempre é fácil garantir a dose certa de vitamina D, principalmente para gestantes, bebês e crianças em situação de risco. Hoje, o Clube da Saúde Infantil traz um guia simples para ajudar famílias a entender quem precisa de mais atenção e como suplementar da forma correta. Vamos juntos?

Quem corre mais risco de falta de vitamina D?

Fatores do dia a dia

  • Bebês prematuros e bebês que seguem apenas com leite materno após os 6 meses, sem orientação de suplementação adequada.
  • Crianças que vivem em cidades grandes e quase não pegam sol.
  • Famílias que, por cultura ou religião, cobrem grande parte da pele.
  • Crianças em abrigos ou com pouca variedade alimentar.

Fatores do corpo

  • Pele mais escura, com menor produção cutânea de vitamina D sob o sol.
  • Obesidade em gestantes ou crianças, que pode “diluir” a vitamina no organismo.
  • Doenças que atrapalham a absorção, como doença celíaca e fibrose cística.
  • Uso prolongado de anticonvulsivantes, que acelera o metabolismo da vitamina D.
  • Variações genéticas que podem exigir doses maiores.

Como fazer a suplementação certa?

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para grupos especiais, manter meta sérica mais alta de vitamina D, com acompanhamento médico e exames periódicos.

Doses para bebês prematuros

  • 400 a 800 UI por dia para prematuros.
  • Até 1.000 UI por dia em prematuros de muito baixo peso ou com necessidade especial definida pelo médico.

Doses para crianças saudáveis

  • 400 UI por dia dos 7 dias aos 24 meses.
  • 600 UI por dia em meses mais frios no Sul e Sudeste, quando orientado pelo pediatra.

Doses para gestantes

  • 600 a 1.000 UI por dia para gestantes sem fatores adicionais.
  • 1.000 a 2.000 UI por dia em gestações de maior risco, como obesidade, gestação múltipla, histórico de pré-eclâmpsia ou diabetes gestacional, conforme avaliação do pré-natal.

Doses especiais

  • Em casos de má absorção, o médico pode indicar esquemas não diários, como dose trimestral intramuscular.
  • Crianças em uso de anticonvulsivantes frequentemente precisam de doses maiores, com monitoramento laboratorial.
  • Vegetarianos estritos podem usar gotas ou gomas com vitamina D, garantindo a procedência do produto.

Dica importante: repetir o exame de sangue periodicamente nos casos de maior risco para ajustar a dose antes que falte vitamina.

Futuro: exames de DNA e novas formas de vitamina D

Testes genéticos podem, no futuro, ajudar a personalizar a dose ideal para cada criança. Enquanto isso não se torna rotina, a observação clínica e os exames continuam sendo o melhor caminho. Há estudos com comprimidos de liberação lenta que prolongam o efeito por meses, o que pode facilitar a adesão em situações específicas definidas pelo médico.

Mitos comuns sobre vitamina D

  • “Morar em país tropical basta.” Falso. Cultura, roupas e prédios altos podem reduzir a exposição solar.
  • “Quanto mais sol, melhor.” Não. Excesso aumenta risco de queimaduras e câncer de pele; prefira horários seguros.
  • “Dose alta resolve para todos.” Doses muito altas podem causar intoxicação; ajuste sempre com pediatra ou obstetra.

Perguntas frequentes

Preciso dar vitamina D se meu filho toma fórmula? Em geral, fórmulas são fortificadas; confirme a dose total com o pediatra.

Posso manter a mesma dose da gravidez na amamentação? Muitas vezes é possível, mas o corpo muda após o parto; o médico deve ajustar conforme exames.

Vitamina D engorda? Não. Em pessoas com obesidade, pode haver maior retenção no tecido gorduroso, exigindo acompanhamento.

Conclusão

Garantir níveis adequados de vitamina D é essencial para o crescimento ósseo e para a imunidade. Prematuros, gestantes de alto risco e crianças com pouca exposição ao sol merecem atenção redobrada. Com suplementação correta, exames regulares e orientação médica, é possível evitar a deficiência e suas complicações. Lembre: crescer com saúde é mais legal!


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