Quantas horas de tela seu filho pode ter? O que dizem os especialistas por idade
Entenda os efeitos do excesso de tempo de tela e veja orientações por idade para equilibrar tecnologia, sono, estudo e brincadeiras.

Smartphone, tablet, TV: as telas fazem parte do dia a dia. Mas qual é a medida certa para cada idade? Aqui no Clube da Saúde Infantil, traduzimos as recomendações oficiais em dicas fáceis de aplicar. Vamos juntos?
Por que controlar o tempo de tela
Pesquisas mostram que o excesso de tempo em frente às telas pode atrapalhar o sono, o aprendizado e o humor da criança. Pense na tela como açúcar: um pouco pode ser gostoso, mas muito faz mal.
Limites de tela por faixa etária
Bebês de 0 a 1 ano
- Zero tela passiva (vídeos, desenhos).
- Videochamadas rápidas com familiares são aceitáveis, desde que um adulto acompanhe a conversa.
Crianças de 1 a 2 anos
- Evitar ao máximo.
- Se necessário, escolha vídeos curtos e assista junto.
Crianças de 2 a 4 anos
- Até 1 hora por dia.
- Quanto menos, melhor.
- Sempre com um adulto comentando o conteúdo.
Crianças de 5 a 10 anos
- De 1 a 2 horas por dia.
- Pausas a cada 30 minutos para levantar e se movimentar.
- Evitar telas no quarto na hora de dormir.
Adolescentes de 11 a 18 anos
- Até 3 horas de lazer digital por dia.
- Manter horários fixos para estudo, sono e refeições sem celular.
Dicas práticas para famílias brasileiras
- Combine ilhas sem tela durante as refeições e antes de dormir.
- Monte um quadro na geladeira com os limites diários.
- Use o alarme do celular para lembrar das pausas.
- Prefira vídeos educativos curtos, em português, de canais confiáveis como Saúde Brasil.
- Crie oportunidades de brincar ao ar livre: a melhor tela é a que se desliga na hora de correr.
Qualidade importa tanto quanto quantidade

Conteúdos violentos ou sem supervisão prejudicam mais do que o tempo em si. Prefira programas que ensinem, cantem ou estimulem a fala. Sente-se ao lado, faça perguntas simples: “Que cor é essa?”, “O que o personagem sentiu?”.
Hora de dormir: luz azul não combina com sono
A luz das telas funciona como sol artificial. Quando a criança usa tablet perto da hora de deitar, o cérebro demora a produzir melatonina, o hormônio do sono. Isso atrasa o adormecer e pode reduzir em até 16 minutos o descanso a cada hora extra de tela noturna.
Respondendo dúvidas comuns
“Meu filho aprende no YouTube, posso liberar?”
Sim, desde que sejam vídeos curtos, educativos e dentro do limite diário. Assistir junto transforma o tempo online em aprendizado real.
“Jogos contam como tela?”
Sim. Jogos, redes sociais e streaming fazem parte do tempo de tela.
“Fim de semana pode liberar geral?”
Não. O corpo não entende compensação. Manter rotina parecida ajuda o sono e o humor.
Desmistificando ideias erradas
- Tela não substitui presença de adulto: criança precisa de afeto real.
- Mais tempo online não significa aprender mais.
- Colocar TV como ajuda para comer cria associação ruim e dificulta a autorregulação alimentar.
Conclusão

Limitar tela parece difícil, mas pequenos passos fazem diferença. Combine regras claras, participe junto e ofereça brincadeiras ativas. Assim, seu filho dorme melhor, aprende mais e fica mais feliz. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal.
Referências
- World Health Organization. Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age. Geneva: WHO; 2019.
- American Academy of Pediatrics. Media and young minds. Pediatrics. 2016;138(5):e20162591.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação: Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital – Versão 2023. Rio de Janeiro: SBP; 2023.
- Canadian Paediatric Society. Screen time and young children: Promoting health and development in a digital world. Paediatr Child Health. 2017;22(8):461-468.
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2019. Rio de Janeiro: IBGE; 2021.
- Comitê Gestor da Internet no Brasil. TIC Kids Online Brasil 2021: Pesquisa sobre o uso da Internet por crianças e adolescentes no Brasil. São Paulo: CGI.br; 2022.
- Domingues-Montanari S. Clinical and psychological effects of excessive screen time on children. J Paediatr Child Health. 2017;53(4):333-338.
- Hale L, Guan S. Screen time and sleep among school-aged children and adolescents: A systematic literature review. Sleep Med Rev. 2015;21:50-58.