Tecnologia sem exagero: como ensinar seu filho a usar telas de forma equilibrada
Descubra estratégias simples para que seu filho use a tecnologia de forma consciente, sem abrir mão de brincar, dormir e conviver em família.

Você sente que seu filho passa tempo demais no celular ou tablet? Não está sozinho. Estudos mostram que regras claras reduzem esse tempo em até 33%. Hoje vamos aprender, em linguagem simples, como montar um contrato digital e outras ações fáceis para ligar menos a tela e mais a vida real.
O que é um contrato digital familiar
Um contrato digital é um acordo entre pais e filhos sobre quando, onde e como usar celulares, tablets e TV. Ele pode ser escrito num papel na geladeira ou combinado em voz alta. O importante é que todos saibam as regras.
- Horários sem tela: refeições e uma hora antes de dormir.
- Consequências: se quebrar a regra, perde minutos de tela no dia seguinte.
- Participação: a criança ajuda a criar as normas e entende melhor os motivos.
Dica Clube da Saúde Infantil: baixe o modelo gratuito de contrato em nosso site.
Três tipos de mediação dos pais
Restritiva
Bloquear horários ou aplicativos. Funciona rápido, mas a criança pode resistir depois.
Supervisão
Pais ficam por perto enquanto o filho usa o aparelho. Ajuda a evitar cyberbullying e exposição a anúncios de comida pouco saudável.
Coparticipação
Adulto e criança usam a tecnologia juntos. Jogar ou assistir lado a lado ensina a separar fantasia de realidade e reduz o uso compulsivo.
Escolha o tipo que cabe na sua rotina e mude quando necessário.
Ferramentas que ajudam
Aplicativos de controle mostram quanto tempo cada programa ficou aberto. Famílias que usam esses apps reduziram em 21% o tempo de tela diário e aumentaram brincadeiras ativas. Mas lembre-se: tecnologia não substitui a presença dos pais.
Rotinas off-line: pequenas pausas, grande diferença

Crianças copiam os adultos. Se todos deixam o celular numa “caixa do descanso” após certo horário, o sono aumenta em média 34 minutos.
Ideias rápidas de 5 minutos:
- Alongar como “homem elástico”.
- Fazer uma dança-relâmpago na sala.
- Ler uma história curta.
A previsibilidade ajuda a evitar o famoso “só mais um vídeo”.
Limites por idade: quanto tempo é seguro
- Menos de 2 anos: zero tela.
- De 2 a 4 anos: até 1 hora por dia.
- De 5 a 12 anos: até 2 horas por dia.
Reveja o contrato digital quando houver mudanças, como nova escola, celular novo ou entrada em rede social.
Escola e comunidade como aliadas
Quando a escola também pede celular desligado, a regra ganha força. Em São Paulo, a “semana de desintoxicação digital” reduziu em 27% o uso recreativo em casa. Conversar com outros pais fortalece as regras.
Perguntas frequentes
“Meu filho vai ficar por fora se usar menos tela?”
Não. Coparticipação e conteúdo educativo mantêm a criança informada e segura.
“Bloquear aplicativo resolve tudo?”
Ajuda, mas o diálogo diário é mais poderoso.
“Posso dar o celular na fila do mercado?”
Prefira brincadeiras simples, como contar frutas. Uso ocasional é aceitável, mas evite criar hábito.
Conclusão

Usar tecnologia com equilíbrio é possível e faz bem para toda a família. Regras claras, presença dos pais e momentos off-line constroem hábitos saudáveis agora e no futuro. Aqui no Clube da Saúde Infantil acreditamos que, com pequenas ações diárias, crescer com saúde é mais legal.
Referências
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- Common Sense Media. The Common Sense census: media use by kids age zero to eight. San Francisco; 2020.
- Costa BR, et al. Parental control of children’s digital media use and its impact on the family environment. Rev Paul Pediatr. 2020;38:e2018340.
- Kabali HK, et al. Exposure and use of mobile media devices by young children. Pediatrics. 2015;136(6):1044-1050.
- Lauricella AR, Wartella E, Rideout VJ. Young children’s screen time: the complex role of parent and child factors. J Appl Dev Psychol. 2015;36:11-17.
- Radesky J, Schumacher J, Zuckerman B. Mobile and interactive media use by young children: the good, the bad, and the unknown. Pediatrics. 2015;135(1):1-3.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação: saúde de crianças e adolescentes na era digital. Rio de Janeiro; 2019.
- World Health Organization. Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age. Geneva; 2019.