Psicoterapia infantil ajuda crianças a enfrentar doenças crônicas com mais confiança
Conheça de que forma a psicoterapia infantil apoia crianças e famílias, fortalece vínculos, reduz internações e oferece mais segurança no cuidado.

Você já pensou que cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo? Para crianças que vivem com doenças crônicas, essa combinação faz toda a diferença. A psicoterapia infantil, quando integrada ao tratamento médico, ajuda a reduzir crises, evitar internações e trazer mais qualidade de vida.
O que é psicoterapia infantil?
É uma forma de cuidado em que a criança fala, brinca e desenha com um psicólogo. Dessa forma, entende melhor seus sentimentos e aprende estratégias saudáveis para lidar com a rotina da doença.
Por que isso importa em doenças crônicas?
Quando o corpo exige cuidados constantes, a mente também sofre. Dor, consultas e medicamentos podem gerar medo, raiva e tristeza. Evidências mostram que:
- Crianças que fazem psicoterapia faltam menos às consultas.
- Famílias compreendem melhor o plano de cuidado.
- Há menos crises graves, como ataques de asma ou picos de glicemia.
Três modelos que já dão certo
- Colocalização de serviços
Médico e psicólogo atendem no mesmo local, o que aumenta em até 40% a adesão à terapia. - Equipes móveis
O psicólogo visita enfermarias, escolas ou a casa da criança. Esse modelo já mostrou redução de 25% nas reinternações por crises de asma. - Linhas de cuidado regionais
Cada criança tem um psicoterapeuta fixo, seja no posto de saúde, seja no hospital. Experiências brasileiras mostram melhora de indicadores clínicos, como a queda de 0,7% na hemoglobina glicada em diabetes tipo 1, além de redução de 18% em casos graves.
Como a equipe conversa junta?

Estar no mesmo espaço ajuda, mas não basta. É preciso comunicação integrada. Recomendações nacionais e internacionais sugerem:
- Reuniões semanais entre médico, psicólogo, enfermeiro e nutricionista.
- Prontuário eletrônico único, evitando instruções divergentes.
- Grupos de mensagens rápidos para sanar dúvidas de pais e cuidadores.
Com essas medidas, a adesão ao tratamento pode subir cerca de 15%, e a ansiedade familiar tende a cair.
Ferramentas práticas
- Checklist de sinais de alerta emocional preenchido pelo enfermeiro.
- Nota integrada no prontuário a cada consulta.
- Chamadas de vídeo para famílias que moram longe.
Desafios e soluções no Brasil
Principais barreiras
- Financiamento separado: SUS paga consultas médicas e psicológicas em guias diferentes.
- Poucos psicólogos pediátricos: apenas 0,24 profissional para cada dez mil crianças.
- Formação isolada: faculdades ainda treinam cada profissão separadamente.
Facilitadores que já existem
- Protocolos oficiais: o Ministério da Saúde inclui psicólogos na linha de cuidado de doenças crônicas infantis.
- Telepsicologia: aprovada em 2022, leva atendimento a cidades sem especialistas.
- Indicadores de qualidade de vida: contratos que avaliam bem-estar estimulam a integração.
Propostas de ação
- Pagamento global que cubra sessões médicas e psicológicas.
- Residências multiprofissionais em saúde da criança.
- Sistemas de prontuário integrados para toda a equipe.
O que pais e cuidadores podem fazer?
- Perguntar na consulta se há psicólogo na equipe.
- Observar sinais de tristeza prolongada, choro fácil ou dificuldade para dormir.
- Usar aplicativos de mensagens do serviço para esclarecer dúvidas.
- Participar das reuniões de planejamento do cuidado.
Resumo rápido dos benefícios
- Menos internações e crises.
- Melhor adesão ao tratamento.
- Pais mais confiantes.
- Qualidade de vida maior para toda a família.
Integração significa economia de tempo, dinheiro e sofrimento.
Conclusão

Integrar a psicoterapia ao tratamento médico não é luxo: é cuidado completo. Quando mente e corpo caminham juntos, a criança cresce com mais força, alegria e autonomia. Cada consulta deve olhar o pequeno como um todo. Crescer com saúde é mais legal.
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Linha de cuidado para atenção integral às crianças com doenças crônicas. Brasília; 2020.
- Fagundes AL, et al. Psychological support reduces hospital admissions in children with asthma. J Pediatr (Rio J). 2019;95(2):183-190.
- Kazak AE, Helgeson V, Javaid F, et al. Interventions for family and parent–child relationships in chronic illness and disability. Curr Opin Pediatr. 2018;30(1):116-121.
- McGrady ME, Hommel KA. Medication adherence and multiple family group interventions in pediatric chronic illness: a meta-analysis. Pediatrics. 2016;138(2):e20153980.
- Santos GP, Costa A, Melo D. Integrated care pathways for children with type 1 diabetes in Brazil. Rev Paul Pediatr. 2019;37(4):376-384.