Fruta também é pop: como a educação alimentar conquista o prato das crianças
Descubra como a educação alimentar infantil ajuda a substituir ultraprocessados por opções criativas e saborosas que conquistam os pequenos.

Você já percebeu quantas propagandas coloridas tentam vender biscoitos, salgadinhos e refrigerantes para as crianças? Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que aprender cedo a escolher comida de verdade faz toda a diferença. Vamos mostrar passos simples, baseados em estudos brasileiros, para ajudar escolas e famílias a diminuir o consumo de ultraprocessados.
Por que falar de ultraprocessados
Ultraprocessados são produtos cheios de açúcar, sal, corantes e conservantes. Eles parecem práticos, mas, consumidos em excesso, aumentam o risco de obesidade e outras doenças. Ensinar as crianças a reconhecer esses produtos é o primeiro passo para uma vida mais saudável.
O que funciona dentro da escola
Aulas que viram ação
Programas como Educação Alimentar na Medida Certa mostram que misturar teoria e prática dá resultado. Após nove meses, a compra de snacks ultraprocessados caiu 18% nas escolas participantes.
Cozinha-laboratório
Crianças preparam lanches simples com frutas, legumes e pão integral. Mexer na massa e sentir o cheiro dos ingredientes torna o aprendizado divertido e saboroso.
Olho vivo nos anúncios
Em grupo, os alunos analisam comerciais de TV e redes sociais. Quando percebem que o mesmo mascote aparece em vários produtos pouco saudáveis, ligam o modo desconfiança.
A força da família
Ver TV junto faz diferença
Sentar ao lado da criança e comentar o que aparece na tela — prática chamada de co-viewing ativo — diminui em até 30% os pedidos por comidas anunciadas.
Regras simples no mercado
- Checklist colorido: a criança procura no rótulo corantes artificiais e muito açúcar.
- Regra 80-20: 80% da compra é comida in natura ou minimamente processada; 20% fica para guloseimas.
Quando a publicidade joga a favor
Campanha “Fruta é Pop”
Influenciadores, filtros divertidos e jingles chamaram atenção para banana e manga. As buscas por “lancheira com fruta” subiram 54% no Nordeste.
Canal “Chefes de Verdade”
Crianças youtubers preparam receitas com legumes da estação. O canal já tem mais de um milhão de inscritos sem patrocinar produtos processados.
Dúvidas comuns
Preciso proibir todo doce? Não. O importante é equilíbrio. Use a regra 80-20 e momentos especiais para os doces.
Meu filho não tem aula de culinária na escola. E agora? Você pode testar receitas simples em casa, como salada de frutas ou sanduíche colorido. Poucos minutos já fazem diferença.
Analisar rótulo não é complicado? Comece pelos pontos básicos: açúcar entre os primeiros ingredientes e personagens de desenho geralmente indicam ultraprocessados.
Conclusão

Educar, praticar e questionar anúncios formam um trio poderoso contra os ultraprocessados. Quando escola, família e campanhas positivas trabalham juntas, a criança aprende a escolher melhor e cresce mais forte. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal.
Referências
- ABAP – Associação Brasileira de Agências de Publicidade. Investimentos em mídia no Brasil: relatório anual 2021-2022. São Paulo: ABAP; 2022.
- Góis MC, Almeida LS. Desenvolvimento do ceticismo infantil frente à publicidade: análise de práticas familiares em capitais brasileiras. Psicologia: Teoria e Pesquisa. 2020;36:e3653.
- Google Trends. “Lancheira com fruta”: histórico de buscas no Brasil. Disponível em: https://trends.google.com. Acesso em: 12 abr. 2024.
- IBGE. Pesquisa Nacional sobre Práticas Alimentares nas Escolas Públicas. Rio de Janeiro; 2023.
- IPEA. Mercado de trabalho e divisão de tempo nas famílias brasileiras. Brasília; 2022.
- Prefeitura Municipal de São Paulo. Relatório de avaliação do programa Educação Alimentar na Medida Certa. São Paulo; 2022.
- Rosa VH, et al. Co-viewing ativo e solicitações de consumo: ensaio clínico randomizado com crianças de 7 a 9 anos. Revista de Saúde Pública. 2022;56:e122.
- Silva AP, Lisboa DC. Impacto de oficinas culinárias no consumo de ultraprocessados em escolas municipais. Nutrição em Pauta. 2021;29(167):24-30.