Passaporte carimbado, saúde em dia: viajando sem medo com doença crônica

Descubra como organizar sua saúde antes de embarcar. Dicas práticas sobre medicamentos, fusos horários e acessibilidade tornam a viagem mais tranquila.

Vai pegar estrada, avião ou navio e precisa cuidar de um tratamento diário? Calma. Viajar com uma condição crônica pode ser tão leve quanto arrumar a mala. Aqui no Clube da Saúde Infantil mostramos dicas fáceis para quem tem diabetes, problema respiratório, imunidade baixa ou mobilidade limitada. Planejar agora ajuda a curtir depois.

Diabetes: fusos, seringas e calor

  • Leve o dobro de insulina na bagagem de mão e divida em dois estojos diferentes. Assim, se um sumir, o outro garante o tratamento.
  • Mantenha a insulina refrigerada entre 2 °C e 8 °C. Use bolsa térmica com gel, como quando transportamos sorvete. Acima de 30 °C, perde eficácia.
  • Viajando para o oeste, o dia fica mais longo e pode ser necessária uma dose extra fracionada. Indo para o leste, reduza entre 10% e 20% para evitar hipoglicemia noturna.
  • Use aplicativos que ajudam a ajustar horários e mantenha sempre um kit de emergência com glucagon e tiras de cetona.

Doenças respiratórias: altitude, clima e ar seco

Dentro do avião, a pressão equivale a cerca de dois mil metros de altitude, o que pode causar desconforto em pessoas com DPOC ou asma.

  • Faça teste de caminhada ou gasometria antes de viajar.
  • Se necessário, reserve oxigênio com a companhia aérea com antecedência, usando o formulário apropriado.
  • Leve o broncodilatador na bolsa de mão.
  • Ao subir montanhas, vá devagar, mantenha hidratação e pergunte ao médico sobre medicamentos preventivos para mal da altitude.

Imunossuprimidos e pacientes oncológicos: atenção às infecções

  • Quem faz quimioterapia, passou por transplante ou usa biológicos deve evitar vacinas de vírus vivo, como febre amarela, sarampo ou varicela. Converse com o médico seis semanas antes da viagem.
  • Alguns medicamentos aumentam a sensibilidade da pele ao sol. Use protetor FPS 50+ e roupas com proteção UV.
  • Anote o nome genérico dos medicamentos em português, inglês e espanhol para facilitar a reposição no exterior.

Mobilidade reduzida e dispositivos implantados

Pessoas com próteses, cadeiras motorizadas ou cardiodesfibrilador podem passar pelo detector de metal, mas devem solicitar revista manual e apresentar o cartão do fabricante.

  • Prefira assento de corredor para se movimentar mais facilmente.
  • Em ônibus ou carro, faça paradas a cada duas horas para reduzir risco de trombose.
  • Verifique se o hotel segue normas de acessibilidade.
  • Confira se o seguro cobre transporte médico especial, se necessário.

Checklist rápido para a mala

  • Receitas e laudos médicos em português e inglês.
  • Medicamentos extras divididos em bolsas diferentes.
  • Contatos de emergência do médico.
  • Protetor solar, glicosímetro, inalador e outros itens de uso contínuo.
  • Cartões de dispositivos eletrônicos ou próteses.
  • Seguro-viagem com cobertura adequada.

Perguntas frequentes

Posso colocar insulina na mala despachada?

Não. A temperatura do porão varia bastante. Leve na cabine com gelo.

O oxímetro de pulso é proibido no avião?

Não. Ele é permitido e útil para monitorar a saturação durante o voo.

Vacina de febre amarela é obrigatória?

Depende do destino. Pessoas imunossuprimidas costumam receber isenção médica em vez da vacina.

Mitos comuns

  • Detector de metal estraga o CDI? → Não. O procedimento é considerado seguro, mas peça revista manual para mais tranquilidade.
  • Insulina congelada dura mais? → Não. O congelamento destrói a insulina. O ideal é manter refrigerada.
  • Vou sempre precisar de oxigênio extra? → Não. Apenas quem apresenta saturação baixa precisa. Faça teste antes da viagem.

Conclusão

Com um pouco de organização, qualquer destino cabe no seu mapa. Use essas dicas, converse com seu médico e monte sua mala sem medo. Aqui no Clube da Saúde Infantil acreditamos que informação transforma barreiras em pontes. Crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. International Diabetes Federation. IDF Diabetes Atlas. 10. ed. Brussels: IDF, 2021.
  2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Armazenamento de insulinas: nota técnica n.º 284/2020. Brasília: ANVISA, 2020.
  3. American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes—Travel Considerations. Diabetes Care, v. 46, suppl. 1, p. S255-S262, 2023.
  4. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Guia de Ajuste de Insulina em Fusos Horários. Rio de Janeiro: SBEM, 2022.
  5. Buckle, P.; Crocker, J. Cabin altitude and oxygen saturation in passengers with respiratory disease. Thorax, v. 75, n. 6, p. 567-573, 2020.
  6. International Air Transport Association. Medical Manual. 10. ed. Montreal: IATA, 2022.
  7. West, J. et al. High-altitude medicine and physiology. 6. ed. Boca Raton: CRC Press, 2021.
  8. Centers for Disease Control and Prevention. General Best Practice Guidelines for Immunization: Special Situations. Atlanta: CDC, 2022.
  9. International Society of Travel Medicine. Travel Health Manual. 5. ed. Atlanta: ISTM, 2021.
  10. Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas. Censo de Dispositivos Cardíacos 2022. São Paulo: SOBRAC, 2023.