Do consultório para a tela: como a telemedicina torna as viagens mais seguras
Descubra como a telemedicina facilita o cuidado em viagens para quem tem doença crônica. Veja dicas de uso de apps, consultas virtuais e medicamentos prolongados.

Viajar é bom demais, mas quem vive com diabetes, hipertensão ou outra condição crônica sabe que o medo de passar mal pode estragar o passeio. A boa notícia é que a tecnologia está mudando esse cenário. Telemedicina, remédios que duram mais tempo e até hotéis preparados já são realidade. Aqui no Clube da Saúde Infantil mostramos, em linguagem simples, como essas novidades ajudam você e sua família a conhecer o mundo com segurança.
Telemedicina sem fronteiras: o médico no seu bolso
A videochamada é só o começo. Hoje, aparelhos como medidores de glicose e pressão enviam dados pela internet para o médico, mesmo a quilômetros de distância. Se algo sai do normal, o profissional recebe um alerta em tempo real.
- Menos crises: estudo brasileiro mostrou redução significativa das hipoglicemias graves em voos longos.
- Conexão 5G: aeroportos e pontos turísticos já oferecem sinal mais estável.
Dica prática: antes de viajar, teste a conexão do aplicativo e confirme se o plano de dados funciona no destino.
Remédios de ação prolongada: adeus estojo lotado
Injeções semanais de insulina e implantes que liberam medicamento por meses estão em fase avançada de teste. O objetivo é reduzir doses e facilitar a rotina.
Por que isso é útil na viagem?
- Menos frascos e agulhas para carregar.
- Menos preocupação com refrigeração.
- Menos risco de esquecer uma dose.
Prescrição global: sua receita em vários países

Na Europa, a receita digital padronizada já é aceita em mais de 20 países. Brasil, Mercosul e União Europeia negociam acordo parecido. Enquanto isso, startups brasileiras convertem a receita do seu médico em diferentes idiomas e unidades. É como ter um tradutor automático de medicamentos.
Turismo médico e hotéis preparados
Alguns destinos oferecem pacotes que combinam check-up em hospitais modernos com passeios em resorts. No Brasil, o Programa Turismo Acessível treina guias e motoristas para ajudar pessoas com cadeira de rodas, em diálise ou com dieta especial.
Inteligência artificial: alerta antes do problema
Aplicativos com inteligência artificial analisam histórico, clima e fuso horário. Eles podem avisar sobre ajustes de medicação ou risco de alteração na temperatura dos remédios. É como ter médico e farmacêutico 24 horas no celular.
Perguntas frequentes
Posso confiar na telemedicina fora do Brasil?
Sim. Plataformas sérias usam dados criptografados e médicos registrados no Conselho Federal de Medicina.
E se a internet cair?
Tenha um plano B: anote contatos locais e leve cópia impressa da receita.
Remédios de ação prolongada já estão à venda?
Alguns já foram aprovados, outros ainda aguardam liberação. Consulte seu médico.
Equívocos comuns
- “Telemedicina é só para consulta rápida.” → Ela também pode monitorar sinais 24 horas.
- “Implante é cirurgia grande.” → Na maioria das vezes, é um procedimento simples, como uma vacina.
- “Receita brasileira não vale fora do país.” → Já existem conversores digitais e acordos em andamento.
Conclusão

Telemedicina, remédios de longa duração, hotéis preparados e inteligência artificial já estão facilitando a vida de quem tem doença crônica. Com planejamento e apoio da tecnologia, a saúde fica em segundo plano e a diversão assume o protagonismo. Aqui no Clube da Saúde Infantil acreditamos que crescer com saúde é mais legal — e viajar com segurança faz parte dessa jornada.
Referências
- World Health Organization. Global diffusion of eHealth: making universal health coverage achievable. Geneva: WHO, 2016.
- Freeman, S.; Wijesinghe, S. Cross-border telemedicine: a new paradigm for patient-centred care. The Lancet Digital Health, v. 2, n. 7, p. e358-e359, 2020.
- Dias, M. S.; Guimarães, P. L. Impacto de dispositivos de monitoramento remoto em pacientes com diabetes tipo 1 durante viagens de longa distância. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 67, n. 4, p. 502-510, 2023.
- Agência Nacional de Saúde Suplementar. Telemedicina na saúde suplementar: análise de impacto. Rio de Janeiro: ANS, 2022.
- Singh, R.; Prakash, J. Long-acting drug delivery systems: a new era for chronic diseases. Journal of Controlled Release, v. 339, p. 312-330, 2021.
- Comissão Europeia. Directive (EU) 2019/115: recognition of prescriptions issued in another Member State. Brussels, 2019.
- International Medical Travel Journal. Medical tourism statistics 2020. London: IMTJ, 2021.
- Brambilla, A.; Oliveira, H. Inclusão e acessibilidade no turismo: diretrizes para viajantes com condições crônicas. Revista Brasileira de Turismo e Hospitalidade, v. 15, n. 2, p. 45-60, 2023.