Férias sem sustos: como um plano de emergência protege crianças em movimento

Saiba como criar um plano de emergência infantil para dias de lazer e esporte, garantindo proteção extra e tranquilidade para toda a família.

Férias combinam com bola, piscina e diversão. Mas, para crianças com asma, diabetes, cardiopatias ou doenças reumáticas, a segurança começa com preparação. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos como montar um plano de emergência claro, fácil de seguir e que pode salvar vidas.

Por que cada segundo conta

Em uma crise, agir rápido faz toda a diferença. Protocolos bem estruturados reduzem em até 60% complicações graves em crises de asma e em 40% os casos de hipoglicemia severa no diabetes tipo 1.

O que é um plano de emergência

É um documento curto que deve indicar:

  • Quem é a criança e qual a condição de saúde.
  • Quais sinais representam perigo.
  • Passo a passo do socorro.
  • Onde estão os medicamentos e contatos úteis.

Imprima em letras grandes, use figuras e distribua cópias para monitores, colegas e funcionários.

Como montar o plano para cada condição

Asma: respire aliviado

  1. Anote o melhor pico de fluxo expiratório da criança.
  2. Se o valor cair abaixo de 80% duas vezes, use o broncodilatador de resgate.
  3. Guarde inalador e espaçador em bolsa firme, protegidos de areia e água.

Diabetes tipo 1: olho na glicose

  • Meça a glicemia a cada 30–60 minutos durante o esporte.
  • Se estiver abaixo de 70 mg/dL, ofereça 15 g de carboidrato de ação rápida (suco ou sachê de glicose).
  • Aguarde 15 minutos, repita a medição e, se não houver melhora, procure ajuda médica.
  • Indique claramente onde ficam sucos, sachês e o kit de glucagon.

Cardiopatias: coração protegido

  • Registre limites de frequência cardíaca e saturação de oxigênio indicados pelo cardiologista.
  • Tenha oxímetro e acesso rápido a um DEA (desfibrilador). Ambientes com DEA reduzem mortes súbitas em quase 90%.
  • Liste os medicamentos de uso diário e o horário da última dose.

Doenças reumatológicas: articulações sem dor

  • Interrompa a atividade se a dor ultrapassar 7 na escala de 0 a 10.
  • Tenha imobilizadores e analgésicos prescritos disponíveis.

Ferramentas que ajudam na hora H

Aplicativos como “EmerKids” armazenam dados, mostram hospitais próximos e enviam alertas em segundos, reduzindo o tempo de resposta no socorro. Relógios com sensor de glicose ou de batimentos cardíacos também auxiliam, mas a regra é clara: tecnologia não substitui pessoas treinadas.

Quem precisa saber do plano

Todos que estão perto da criança: monitores, salva-vidas, colegas e até funcionários de apoio. Treinamentos rápidos e simulações semestrais aumentam muito a eficácia dos primeiros socorros.

Quando revisar

O plano deve ser revisto a cada seis meses ou após qualquer internação. Coloque lembretes no celular. Uma ideia útil é adicionar um QR Code no crachá da criança que direcione à versão atualizada.

Modelo rápido para imprimir

  1. Nome, idade, peso e alergias.
  2. Doença principal.
  3. Sinais de alarme.
  4. Passos de socorro.
  5. Lista de remédios e onde encontrá-los.
  6. Telefones de pais, médico e SAMU (192).
  7. Hospital e farmácia 24h mais próximos.
  8. Data da última revisão.

Conclusão

Planejar é cuidar. Com um plano de emergência bem feito, a criança participa de esportes nas férias com mais segurança, confiança e alegria. Aqui no Clube da Saúde Infantil reforçamos: crescer com saúde é mais divertido.


Referências

  1. American Academy of Pediatrics. Injury prevention in youth sports: clinical report. Pediatrics. 2021;147(6):e2021054.
  2. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 15293: Informação e documentação – Referências – Elaboração. Rio de Janeiro; 2020.
  3. Global Initiative for Asthma. Global strategy for asthma management and prevention – 2022 update. Fontana: GINA; 2022.
  4. International Diabetes Federation. IDF guide for diabetes management in childhood and adolescence. Brussels: IDF; 2021.
  5. May J. Emergency action plans for youth sports: effectiveness of simulation training. J Athl Train. 2019;54(3):245-252.
  6. Ministério da Saúde (BR). Atenção à saúde de crianças com condições crônicas: caderno de atenção básica. Brasília; 2020.
  7. Nascimento M, Oliveira P. Utilização de tecnologias móveis para gestão de condições crônicas na infância. Rev Saúde Digital. 2022;4(1):12-20.
  8. Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação: criança e adolescente no esporte. Rio de Janeiro; 2021.
  9. World Health Organization. Guidelines on physical activity and sedentary behaviour. Geneva: WHO; 2020.