Como proteger a saúde sem expor crianças na triagem nutricional escolar
Descubra práticas seguras que permitem às escolas avaliar a saúde das crianças sem estigmatizar, preservando dignidade e fortalecendo hábitos saudáveis.

Você já ouviu falar em triagem nutricional na escola? Ela verifica peso e altura das crianças para cuidar da saúde. Mas existe uma regra clara: tudo deve respeitar a lei, a privacidade e o bem-estar do aluno. Hoje, o Clube da Saúde Infantil explica essas regras de forma simples.
O que é triagem nutricional escolar?
A triagem nutricional funciona como uma checagem rápida do crescimento. Profissionais de saúde medem peso e altura e comparam com tabelas. Assim, é possível identificar sinais precoces de baixo peso ou obesidade.
Por que existe uma lei para isso?
A Constituição assegura que toda criança tem direito à saúde e à educação. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação confirma esse cuidado dentro da escola. Já a Política Nacional de Alimentação e Nutrição orienta como fazer a avaliação.
Programa Saúde na Escola (PSE)
O Programa Saúde na Escola, criado em 2007, conecta escolas e postos de saúde. Ele define responsabilidades e garante que a triagem siga padrões iguais em todo o Brasil.
Proteção de dados: o que diz a LGPD?
A Lei Geral de Proteção de Dados protege qualquer informação sobre a saúde do aluno, funcionando como um cofre que só abre com a chave certa.
- Consentimento claro: pais ou responsáveis assinam autorização antes da medição.
- Uso limitado: os dados servem apenas para acompanhar a saúde.
- Segurança: fichas e planilhas ficam guardadas em local seguro ou em sistema protegido por senha.
Como evitar rótulos e constrangimentos?

Ninguém gosta de ser exposto. Por isso, recomenda-se que os resultados sejam comunicados de forma individual, sem comentários na frente dos colegas.
Exemplo: em vez de dizer que um aluno está acima do peso em sala, a escola envia um bilhete fechado para a família.
Dicas de comunicação gentil
- Usar palavras simples, como “peso saudável” ou “precisamos de ajustes”.
- Focar nos hábitos, não no corpo, como sugerir mais frutas no dia a dia.
- Estabelecer metas pequenas, como trocar refrigerante por água na lancheira.
Passo a passo da triagem (resumo)
- Pedir consentimento dos pais.
- Medir peso e altura em local reservado.
- Anotar dados em ficha segura.
- Calcular índices nas tabelas.
- Enviar resultado somente para a família.
- Orientar acompanhamento em posto de saúde quando necessário.
Perguntas que pais costumam fazer
A participação é obrigatória?
Não. A família pode recusar, mas a escola deve explicar os benefícios.
Meu filho será comparado com os colegas?
Não. Os dados são sigilosos graças à LGPD.
Quem faz as medições?
Profissionais de saúde treinados, seguindo o PSE.
Equívocos comuns
- “Triagem causa bullying.”
Quando o protocolo é bem aplicado, o processo é reservado e evita exposição. - “A escola vai mandar dieta rígida.”
A triagem apenas sinaliza possíveis riscos. A dieta detalhada deve ser feita por nutricionista em consulta individual.
Conclusão

A triagem nutricional na escola protege a saúde das crianças, segue leis específicas e respeita a privacidade. Quando família, escola e profissionais trabalham juntos, todos ganham. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal.
Referências
- Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 2020.
- Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução CFN nº 600/2018. Brasília, 2018.
- Brasil. Decreto nº 6.286, de 5 de dezembro de 2007. Institui o Programa Saúde na Escola. Diário Oficial da União, 2007.
- Brasil. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Brasília, 2018.
- Ministério da Saúde. Guia de Avaliação Nutricional em Ambiente Escolar. Brasília, 2021.
- Conselho Regional de Nutricionistas. Manual de Boas Práticas em Nutrição Escolar. São Paulo, 2022.