Integração escola e saúde: nutrição infantil sem mistério

Pesagens periódicas, triagens e apoio multiprofissional tornam a parceria entre rede escolar e serviços de saúde uma aliada do crescimento saudável.

Você sabia que pesar e medir as crianças na escola pode evitar problemas sérios de saúde? Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que aprender e crescer andam de mãos dadas. Vamos mostrar como escola e posto de saúde formam um time forte para cuidar da nutrição infantil. Leia até o fim e descubra como cada pessoa pode ajudar.

Por que escola e posto de saúde precisam trabalhar juntos?

A escola é como uma segunda casa para as crianças. Já a Unidade Básica de Saúde (UBS) é a porta de entrada do Sistema Único de Saúde. Quando esses dois espaços se unem, fica mais fácil encontrar e tratar a desnutrição antes que ela cause danos. Estudos mostram que, quando essa parceria funciona bem, há redução importante nas internações por desnutrição.

Como funciona o Programa Saúde na Escola (PSE)

Desde 2007, cada escola pública tem uma UBS de referência. O processo segue três passos simples:

1. Medir e pesar

A cada semestre, professores ou equipe de saúde verificam peso, altura e calculam o IMC das crianças. É como conferir o combustível antes de uma viagem.

2. Analisar risco

Os dados são enviados para a UBS, onde profissionais cruzam informações com o histórico da criança e classificam o risco em verde, amarelo ou vermelho.

3. Encaminhar rápido

Se o risco é médio ou alto, a criança é atendida de forma especializada e recebe um plano alimentar. Quanto mais rápido o retorno, maior a adesão da família.

Resultados que já aparecem

  • Mais crianças avaliadas entre 2014 e 2022.
  • No Ceará, visitas de equipes itinerantes triplicaram a detecção precoce do déficit de altura.
  • Em São Paulo, alertas eletrônicos reduziram em mais de 20% o tempo entre suspeita e diagnóstico.

Desafios que ainda precisamos vencer

Barreiras

  • Sistemas de computador que não se comunicam.
  • Número insuficiente de nutricionistas nas UBS.
  • Medo de expor a criança em sala de aula.

Facilitadores

  • Uso de fichas de triagem com cores.
  • Teleconsulta que evita deslocamentos longos.
  • Reuniões mensais entre diretores, agentes de saúde e nutricionistas.

A força da equipe multiprofissional

Nutricionista, psicólogo, assistente social e professor de educação física formam um grupo de apoio que amplia resultados. Experiências mostram redução significativa de baixa estatura em municípios que adotaram esse modelo.

Como saber se estamos no caminho certo?

Indicadores simples ajudam:

  • Quantas escolas utilizam fichas de triagem.
  • Quantas famílias recebem orientação por escrito.
  • Evolução da altura das crianças ao longo do ano.

Ferramentas como o SisPSE permitem acompanhar tudo em tempo real e até ajudam a captar mais recursos para a merenda.

Tecnologia e comunidade: o futuro já começou

Balanças digitais que enviam peso direto para a UBS e aplicativos que alertam quando o IMC sai do normal já estão em uso em algumas cidades. Além disso, pais participam das reuniões escolares, ajudando a definir cardápios.

Dicas rápidas para famílias e professores

  • Observar mudanças de humor ou cansaço, que podem indicar falta de nutrientes.
  • Usar o semáforo nutricional para explicar riscos de forma simples.
  • Procurar a UBS em caso de dúvidas.
  • Ler nosso conteúdo sobre alimentação saudável para crianças.

Respondendo a perguntas comuns

Meu filho pesa menos que o colega. Isso é sempre ruim?
Nem sempre. Cada criança tem seu ritmo. O importante é acompanhar peso e altura nos gráficos do PSE.

Quem vê o resultado da triagem?
Somente a equipe de saúde e a família. As informações são sigilosas por lei.

Preciso pagar algo?
Não. Todos os serviços são oferecidos gratuitamente pelo SUS.

Conclusão

Quando escola e posto de saúde caminham juntos, a criança ganha em aprendizado e em saúde. A triagem semestral, a análise rápida e o trabalho em equipe fazem a diferença. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. Araújo TM, et al. Impacto de equipes multidisciplinares na redução do déficit estatural escolar: estudo longitudinal em municípios do Rio Grande do Sul. Rev Saude Coletiva. 2022;32(4):587-602.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Programa Saúde na Escola: caderno do gestor municipal. Brasília; 2021.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Relatório de monitoramento das ações de vigilância alimentar e nutricional 2014-2022. Brasília; 2022.
  4. Conasems. Manual de integração Atenção Básica–Educação: protocolos de referência e contrarreferência. Brasília; 2021.
  5. Prefeitura de Curitiba. Projeto-piloto de balanças conectadas no monitoramento nutricional escolar. Curitiba; 2023.
  6. Secretaria da Saúde do Ceará. Pactuação integrada Educação-Saúde: relatório 2020-2021. Fortaleza; 2021.
  7. SES/MG – Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais. Relatório financeiro de economia em transporte sanitário. Belo Horizonte; 2022.
  8. SES/PE – Secretaria de Saúde de Pernambuco. Painel público do SisPSE: resultados preliminares. Recife; 2022.
  9. SES/SP – Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Integração e-SUS Escolar: avaliação de impacto. São Paulo; 2022.
  10. Unicef. Guia para professores: identificação de sinais de insegurança alimentar na sala de aula. Brasília; 2020.