Alimentação escolar: força contra a desnutrição infantil

Saiba como a merenda do PNAE oferece comida fresca, valoriza a agricultura familiar e contribui para o crescimento forte e equilibrado das crianças.

Você sabia que a merenda da escola pode ser o prato principal para a saúde das nossas crianças? O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) vai muito além de matar a fome na hora do recreio. Ele ajuda a prevenir e até recuperar casos de desnutrição, além de ensinar bons hábitos que podem durar a vida toda. Vamos entender, em linguagem simples, como isso acontece?

Por que o PNAE é tão importante?

O PNAE atende cerca de 40 milhões de estudantes no Brasil. A lei determina que:

  • 75% dos alimentos oferecidos sejam in natura ou minimamente processados.
  • Pelo menos 30% venham da agricultura familiar.

Isso garante refeições mais frescas e variadas, fortalecendo produtores locais e a saúde das crianças.

Diferenças regionais: olho aberto

Ainda existem desigualdades. Na Região Norte, por exemplo, a oferta de frutas frescas é menor que a média nacional. Já no Semiárido, muitas crianças tiram até 60% da energia diária da merenda. Por isso, cada cidade precisa adaptar o cardápio à sua realidade.

Três pilares que fazem a diferença

1. Educação alimentar e nutricional

Quando a escola ensina de onde vem a comida e mantém hortas, as crianças passam a gostar mais de verduras e legumes.

2. Participação da comunidade

Conselhos de Alimentação Escolar ativos fiscalizam e melhoram a qualidade dos pratos. Quanto maior o envolvimento de pais e comunidade, melhor a merenda.

3. Monitoramento digital

Registros online sobre consumo e sobras ajudam a ajustar cardápios, evitar desperdício e garantir nutrientes.

Quando a criança já está desnutrida

Se a triagem mostra peso baixo, o PNAE permite cardápios especiais, com mais calorias e proteínas de boa qualidade. Em algumas cidades, mingaus reforçados ajudaram crianças a ganhar peso em poucas semanas.

Suplementos de vitaminas e minerais

Em casos graves, o uso de suplementos reduziu significativamente a anemia em estados como o Pará. Esse recurso deve ser sempre acompanhado por profissionais.

Férias: e agora?

Sem merenda, parte dos avanços pode se perder. Algumas cidades distribuem cestas de alimentos ou cartões alimentação, mantendo o consumo de frutas e verduras nas férias. É uma solução que exige boa logística, mas traz resultados.

Benefício que volta para todos

Cada real gasto em alimentação escolar de qualidade gera retorno social, com menos faltas, maior concentração e melhor desempenho escolar. Investir na merenda é investir no futuro do Brasil.

O que você pode fazer?

  • Participar das reuniões do Conselho de Alimentação Escolar da sua cidade.
  • Conversar com seus filhos sobre o que eles comem na escola.
  • Visitar a horta escolar, quando houver, e incentivar o cultivo em casa.
  • Durante as férias, manter frutas, verduras e feijão no prato da família.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que cada lanche saudável na escola é um passo para um Brasil mais forte.

Perguntas frequentes

O PNAE é só para alunos de baixa renda?

Não. Todas as crianças das redes públicas recebem a merenda, independentemente da renda.

A comida da escola substitui as refeições de casa?

Não. A merenda complementa. Uma alimentação equilibrada em casa continua essencial.

Quem decide o cardápio?

Nutricionistas contratados por municípios ou estados. Eles seguem regras nacionais e ajustam ao gosto local.

Posso ajudar a fiscalizar?

Sim. Procure o Conselho de Alimentação Escolar (CAE) do seu município e participe.

Conclusão

A merenda escolar não é apenas um lanche: é uma ferramenta de saúde, aprendizado e futuro. Ela previne e trata a desnutrição, ensina bons hábitos e une escola, família e comunidade. Apoie o PNAE, participe das decisões na sua cidade e garanta pratos coloridos para nossas crianças. Lembre-se: crescer com saúde é mais legal.


Referências

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