Quando medir bem significa aprender melhor: a equação escolar da nutrição
Saiba como triagens escolares bem-feitas fortalecem hábitos saudáveis, previnem doenças e contribuem para o desempenho acadêmico das crianças.

Você sabia que pesar e medir as crianças na escola pode mudar o futuro delas? A triagem nutricional é simples, barata e traz muitos benefícios para a saúde e o aprendizado. Vamos mostrar como funciona e por que vale a pena investir nessa ideia.
O que é triagem nutricional?
Triagem nutricional é o ato de pesar, medir a altura e avaliar o estado de nutrição dos alunos. Tudo é feito com balança e régua aprovadas pela Anvisa. É rápido, como medir o tamanho de um pé para comprar sapato.
Por que medir resultados?
Curto prazo (até 12 meses)
- Menos crianças com baixo peso ou baixa altura.
- Melhora no Índice de Massa Corporal (IMC).
Médio prazo (1 a 3 anos)
- Menos faltas por doenças.
- Notas melhores em leitura e matemática, com o cérebro recebendo o combustível certo para aprender.
Longo prazo (acima de 3 anos)
- Menos repetência escolar.
- Mais renda no futuro: cada avanço na altura aos 7 anos pode se traduzir em salários mais altos na vida adulta.
Quanto custa e por que vale a pena?
- Para cada real investido, a sociedade ganha múltiplos em retorno.
- Prevenir internações por desnutrição é muito mais barato do que tratar doenças.
- Exemplo simples: uma fita métrica custa centavos; tratar uma pneumonia custa um salário inteiro.
De onde vem o dinheiro?

- Recursos do Programa Saúde na Escola.
- Emendas parlamentares voltadas para saúde escolar.
- Parcerias com universidades de nutrição.
- Fundos internacionais que apoiam projetos de baixo custo.
Como manter o programa vivo?
- Treinamento em cascata: um grupo aprende e ensina outros, reduzindo custos.
- Uso de sistemas eletrônicos, como o e-Nutri Escolar, evitando papéis e erros.
- Inclusão de datas fixas no calendário escolar para garantir regularidade.
- Reuniões com pais para apresentar resultados e orientar encaminhamentos.
Olho na igualdade
Não basta olhar a média. É essencial dividir dados por sexo, cor/raça e idade-série. Isso ajuda a identificar grupos mais vulneráveis e direcionar reforço alimentar ou visitas domiciliares.
Riscos e soluções
- Mudança política: transformar o programa em lei municipal garante continuidade.
- Estigma: medir todas as crianças evita apontar quem está diferente.
- Trabalho dos professores: realizar medições em dias de avaliação física reduz tarefas extras.
Conclusão

Triagem nutricional é simples, barata e poderosa. Ela melhora a saúde, as notas e o futuro das nossas crianças. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal.
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Programa Saúde na Escola: guia de implementação. Brasília; 2021.
- Hodge A, Moran A. Impact evaluation of school-based nutrition screening programmes: a systematic review. Public Health Nutr. 2021;24(6):1329-1343.
- United Nations Children’s Fund – UNICEF. The state of the world’s children 2021: on my mind. New York; 2021.
- World Health Organization. School health and nutrition monitoring framework. Geneva; 2020.
- Monteiro CA, et al. Desnutrição e indicadores de resultados no Brasil: estudo longitudinal. Rev Saude Publica. 2021;55.
- Sousa AM, Silva RP. Custo-benefício de programas de triagem nutricional em escolas públicas brasileiras. Cad Saude Publica. 2022;38(3):e00012321.
- Food and Agriculture Organization; Pan American Health Organization. Panorama of food and nutrition security in Latin America and the Caribbean 2022. Santiago; 2022.
- Garcia M, Tavares L. Financing nutrition interventions in low-income Brazilian municipalities. Rev Econ Saude. 2023;30(2):45-59.
- Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Síntese de indicadores sociais 2022. Rio de Janeiro; 2022.
- Rede Penssan. VIGISAN 2023: Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar. São Paulo; 2023.