Merenda escolar com alimentos locais: saúde para crianças e renda para o campo
Saiba como a compra de produtos da agricultura familiar garante refeições frescas, fortalece hábitos saudáveis e apoia pequenos produtores.

Você sabia que a comida servida na escola do seu filho pode vir direto do pequeno produtor rural da sua região? Isso acontece graças a uma lei brasileira que une o campo e a sala de aula. Hoje vamos explicar, com linguagem simples, como essa parceria faz bem para a saúde das crianças e para a economia local. Vem com a gente!
O que diz a lei 11.947/2009
Desde 2009, pelo menos 30% do dinheiro federal para a merenda deve comprar alimentos da agricultura familiar. É como separar três moedas de cada dez para quem planta e cria perto da escola. Simples assim.
Por que isso é importante?
- Garante comida mais fresca no prato dos estudantes.
- Gera renda para pequenos produtores, ajudando a manter famílias no campo.
- Fortalece a economia da cidade e da região.
Resultados que já aparecem
Quase metade dos municípios brasileiros já ultrapassou a meta mínima. Em 2021, a compra chegou a cerca de 1,3 bilhão de reais para os produtores locais. É dinheiro que gira perto de casa e cria um círculo virtuoso: quem planta vende, quem compra come melhor.
Mais variedade no prato
Escolas que participam apresentam aumento de 40% na diversidade de alimentos servidos. Isso significa mais cores e sabores no prato das crianças, como:
- Frutas da estação.
- Legumes variados.
- Raízes regionais, como mandioca e inhame.
- Feijões de tipos diferentes.
Cultura e identidade no cardápio

Quando a escola compra produtos locais, valoriza receitas tradicionais. Comer um milho verde fresquinho ou um bolo de fubá feito com farinha da vizinha fortalece a cultura e o senso de pertencimento.
Desafios que ainda existem
Nem tudo é fácil. Alguns problemas comuns são:
- Transporte: levar alimentos frescos de zonas rurais até escolas distantes.
- Assistência técnica: produtores precisam de apoio para organizar entrega e cumprir regras de qualidade.
Boas práticas mostram que planejamento e união de escola, prefeitura e associações rurais podem superar essas barreiras. O município de Santa Rosa de Lima, em Santa Catarina, é um exemplo de sucesso.
Perguntas que você pode ter
A comida fica mais cara?
Não. O programa apenas direciona parte do dinheiro que já existia para a compra local. Assim, o custo não aumenta e a qualidade pode subir.
E se o produtor não entregar?
Contratos simples e acompanhamento da prefeitura reduzem o risco. Além disso, outros produtores locais podem suprir a demanda.
Meu filho realmente come melhor?
Sim. Alimentos frescos, variados e de época mantêm mais nutrientes. Estudos mostram que cardápios ficam mais coloridos e nutritivos.
Como você pode apoiar
- Converse com a escola sobre a origem dos alimentos.
- Prefira produtos da feira local em casa.
- Compartilhe esta informação com outros pais.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que cada escolha conta para um futuro mais saudável.
Conclusão

Quando a merenda escolar vem da agricultura familiar, todos ganham: crianças bem alimentadas, produtores com renda e comunidades mais fortes. Apoiar essa ideia é investir no presente e no futuro. Afinal, crescer com saúde é mais legal.
Referências
- Brasil. Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009. Diário Oficial da União. Brasília; 2009.
- Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Agricultura familiar: relatório de gestão 2021. Brasília; 2022.
- Triches RM, Schneider S. Alimentação escolar e agricultura familiar: reconectando o consumo à produção. Saúde Soc. 2021;29(4):180-191.
- Saraiva EB, Silva APF, Sousa AA, et al. Panorama da compra de alimentos da agricultura familiar para o Programa Nacional de Alimentação Escolar. Ciênc Saúde Coletiva. 2022;25(4):987-997.
- Maluf RS, Burlandy L, Santarelli M, et al. Nutrition-sensitive agriculture and the promotion of food and nutrition sovereignty and security in Brazil. Ciênc Saúde Coletiva. 2021;26(7):2519-2528.
- Baccarin JG, Triches RM, Teo CRPA, Silva DBP. Indicadores de avaliação das compras da agricultura familiar para alimentação escolar no Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Rev Econ Sociol Rural. 2021;55(1):103-122.