Professores preparados: estratégias que reduzem anemia e desnutrição
Descubra como iniciativas como NutriSUS, Professor Sentinela e Sobral fortalecem a atuação dos professores e promovem melhor nutrição infantil

Você sabia que o olhar do professor pode salvar a saúde das crianças? Quando o docente aprende a notar sinais de anemia e desnutrição, o cuidado chega mais rápido à família e ao posto de saúde. Neste post do Clube da Saúde Infantil, vamos mostrar três programas brasileiros que deram certo e ensinar o que sua escola pode copiar hoje mesmo.
Por que o professor é peça-chave?
O professor vê a criança todos os dias, como quem assiste a um filme em capítulos. Se ele aprende a notar palidez, cansaço ou falta de apetite, consegue avisar a família e a Unidade Básica de Saúde cedo. Isso diminui o tempo entre o problema e o tratamento, como mostrou o curso “Professor Sentinela”.
NutriSUS: a força do pozinho de vitaminas
Desde 2015, o Ministério da Saúde coloca um pó de vitaminas na comida das crianças. Em municípios da Região Norte, os professores foram treinados em oficinas de oito horas e por vídeos curtos no celular.
- Adesão das famílias subiu porque o professor explicava o motivo do pozinho.
- Os docentes passaram a anotar sinais simples, como palidez nos olhos.
- A nota média em prova sobre micronutrientes passou de 5,8 para 8,9.
Em Macapá, a anemia moderada caiu de 23% para 14% em um ano.
Professor Sentinela: curso on-line que cabe no celular
Mais de 18 mil docentes já fizeram o curso gratuito da UFMG. O conteúdo é 100% on-line, tem vídeos curtos e um app de bolso.
- 76% dos inscritos terminaram o curso.
- O tempo entre suspeita de desnutrição e encaminhamento à UBS caiu 36%.
- Crianças em risco nutricional faltaram 8% menos às aulas.
O custo é baixo: cerca de R$ 42 por certificado emitido.
Sobral (CE): quando a nutrição entra no currículo

Sobral já é famoso em educação. Desde 2017, também virou exemplo em saúde. O programa “Professor Vigia da Nutrição” tem quatro pilares:
- Matéria optativa na faculdade de Pedagogia local.
- Encontros mensais na escola para trocar experiências.
- Visitas de nutricionistas da atenção básica.
- Fichas de altura e peso simplificadas.
Resultado: a baixa estatura para idade caiu de 12% para 5% em três anos.
5 lições que funcionam em qualquer escola
- Conteúdo local: usar alimentos e exemplos da região.
- Feedback rápido: app, WhatsApp ou reunião mensal.
- Parcerias: saúde, educação e universidades juntas.
- Ferramentas simples: fichas coloridas e régua de IMC fácil de usar.
- Valorizar o professor: certificado, ponto na carreira ou menção honrosa.
Próximos passos para sua cidade
- Sem internet? Use kits impressos de autoaprendizagem.
- Forme “mentores regionais” para ensinar colegas.
- Defenda que dados de nutrição entrem no SAEB. Isso cria meta clara.
A meta do Brasil é zerar a desnutrição até 2030. Capacitar professores é caminho curto, barato e eficiente.
Dúvidas comuns
O pó do NutriSUS muda o sabor da comida?
Não. O gosto quase não muda e o professor pode mostrar às crianças que é seguro.
Professor não vira médico?
Claro que não. Ele apenas observa sinais simples e encaminha ao posto de saúde.
Conclusão

Formar professores em nutrição é como plantar uma semente: cresce rápido e dá frutos na saúde e no aprendizado das crianças. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que cada sala de aula pode virar um espaço de cuidado. Invista nessa ideia, compartilhe com sua rede e lembre: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Andrade, L. A. et al. Taxa de conclusão em cursos massivos online no Brasil. Revista Brasileira de Educação, v.26, e260076, 2021.
- Brasil. Ministério da Saúde. NutriSUS: Manual de Implementação. Brasília, 2017.
- Brasil. Ministério da Saúde. Avaliação de Conhecimento dos Professores sobre Micronutrientes. Brasília, 2018.
- Gomes, J. S.; Souza, V. R. Impacto do curso “Professor Sentinela” na detecção de desnutrição. Saúde & Formação, v.5, n.2, p.55-67, 2021.
- IPECE – Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará. Indicadores de Desenvolvimento Infantil em Sobral. Fortaleza, 2022.
- Prefeitura de Macapá. Relatório de Anemia e Capacitação de Professores. Macapá, 2020.
- UNICEF. Relatório de Anemia Infantil na Amazônia Legal. Brasília, 2021.