Monitoramento e proteção: estratégias para cuidar de crianças com diabetes durante as aulas

Aprenda medidas e procedimentos que garantem segurança, bem-estar e autonomia de alunos com diabetes durante o período escolar.

Diabetes exige cuidado diário, inclusive durante as aulas. Se a glicose estiver muito alta ou baixa, a criança pode se sentir mal. Por isso, ter suporte na escola é tão importante quanto em casa.

Por que falar de diabetes na escola?

Garantir cuidados e segurança na escola é essencial para que a criança participe de todas as atividades sem riscos.

O que a lei brasileira diz (de forma simples)

A legislação brasileira estabelece:

  • A escola deve permitir e apoiar a aplicação de insulina e o monitoramento glicêmico sempre que necessário.
  • Profissionais de saúde, cuidadores ou o próprio aluno (se souber) podem realizar os procedimentos.
  • Em emergências, a escola deve acionar o SAMU 192 e avisar os responsáveis.

Essas regras estão na Lei de Diretrizes e Bases da Educação e nas normas do Conselho Nacional de Educação.

Direito nº 1: Aplicar insulina com segurança

A criança pode aplicar insulina na sala de aula, enfermaria ou outro local limpo. A escola não pode proibir.

Direito nº 2: Medir a glicose quando precisar

O aluno pode testar a glicose ao sentir sintomas ou conforme orientação médica. O teste deve ser rápido e sem constrangimento.

Direito nº 3: Ter ajuda em emergências

Se houver hipoglicemia ou hiperglicemia, a equipe deve agir imediatamente seguindo o plano de emergência.

Deveres da escola passo a passo

  • Treinar a equipe: professores e funcionários aprendem a reconhecer sinais de glicose alta ou baixa.
  • Ter um protocolo escrito: documento simples com orientações, telefones dos pais e do médico.
  • Guardar documentação: receita médica, autorização dos responsáveis e registros dos procedimentos.
  • Manter materiais à mão: glicosímetro, insulina e lanche de resgate (suco ou açúcar).

Exemplo de protocolo individual

Nome da criança, horários de aplicação, sinais de alerta e contatos de emergência. Tudo em folha plastificada na secretaria.

Como pais e alunos podem agir

  • Leve prescrição médica atualizada.
  • Ensine a criança a reconhecer sinais de alerta, como tontura ou tremor.
  • Converse com a direção e enfatize que é um direito, não um favor.
  • Revise o protocolo a cada semestre.

Perguntas comuns

  • A escola pode exigir enfermeiro o tempo todo? Não. Funcionário treinado já pode ajudar, e o SAMU cobre emergências.
  • Meu filho será discriminado? A lei protege contra qualquer forma de discriminação. Procure a direção ou conselho tutelar se ocorrer.

Mitos e verdades

  • Mito: “Insulina é perigosa na sala de aula.”
    Verdade: Quando aplicada corretamente, é segura e salva vidas.
  • Mito: “Só o médico pode medir a glicose.”
    Verdade: Pais, alunos treinados ou funcionários capacitados podem fazer.

Conclusão

Garantir cuidados do aluno diabético na escola é simples quando todos conhecem a lei e seguem protocolo claro. A criança estuda segura, aprende mais e se sente incluída. Crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Brasil. Ministério da Educação. Resolução CNE/CEB nº 4/2009. Diário Oficial da União, 2009.
  2. Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes para o Cuidado do Diabetes na Escola. São Paulo: SBD; 2019.
  3. Conselho Federal de Medicina. Parecer CFM nº 12/2018. Brasília: CFM; 2018.
  4. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 1.209.354-SP. Brasília: STJ; 2020.
  5. Ministério da Saúde. Protocolos de Atenção Básica: Diabetes Mellitus. Brasília: MS; 2021.