Crianças e ar puro: soluções para ambientes escolares na estação seca
Descubra estratégias simples para manter o ar limpo e saudável na escola, protegendo crianças, especialmente as com asma, na estação seca.

Você sabia que o ar dentro da sala de aula pode ficar mais poluído que o ar da rua, especialmente na época de seca? Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que aprender deve ser seguro e saudável. Neste texto, mostramos passos simples para medir e melhorar o ar na escola, protegendo as crianças, principalmente as que têm asma.
Por que medir o ar na escola?
Sem medir, não dá para cuidar. Estudos mostram que o pó fino dentro de salas do Centro-Oeste pode ficar 60% acima do limite da Organização Mundial da Saúde em dias secos. A criança passa cerca de 35 horas por semana na escola. Por isso, o ar limpo é tão importante quanto o remédio.
O que medir? (o “kit básico”)
- Temperatura e umidade: a Anvisa recomenda umidade entre 40% e 65%.
- Gás carbônico (CO₂): deve ficar abaixo de 1 000 ppm.
- Partículas de poeira: afetam diretamente os pulmões das crianças.
Sensores portáteis baratos já mostram esses dados em tempo real. Eles se conectam ao Wi-Fi ou Bluetooth e têm boa precisão (correlação >0,85 com aparelhos de laboratório).
De quanto em quanto tempo medir?
O ideal é registrar a cada 5 minutos. Assim dá para ver picos de pó na troca de aulas ou no recreio.
Como melhorar o ar? Dicas rápidas
1. Ventilar na hora certa
Abra janelas antes das 7 h e depois das 20 h, quando há menos carros na rua. Isso já reduz 30% do pó fino que entra.
2. Instalar exaustores simples
Para salas sem vento cruzado, exaustores acima da porta fazem até 5 trocas de ar por hora, número seguro para quem tem asma.
3. Usar purificador de ar com filtro HEPA
Um aparelho portátil limpa entre 65% e 85% das partículas. Para uma sala de 50 m², escolha modelo de 200 m³/h. Coloque longe de cantos para o ar circular bem.
4. Cuidar da umidade
Umidificadores ultrassônicos ajudam a manter entre 45% e 55%. Troque a água todo dia para evitar bactérias. Evite toalhas molhadas, pois podem criar mofo.
5. Limpeza que não levanta poeira
- Piso frio e cortina sintética lavável.
- Limpar com pano úmido fora do horário de aula.
- Produtos sem cheiro forte, para não irritar o nariz.
Todos juntos pelo ar limpo
Um simples cartaz tipo “semáforo” mostra se o CO₂ está verde, amarelo ou vermelho. Assim, alunos e professores lembram de abrir a janela na hora certa. Existem apps gratuitos para os pais acompanharem de casa.
Vale a pena o investimento?

Modelos econômicos indicam economia média de R$ 6,40 por criança ao mês em idas ao pronto-socorro. Cada real investido rende até quatro reais em menos faltas e gastos médicos.
Integre ao plano de asma do aluno
Melhorar o ar não substitui o remédio, só ajuda. Professores precisam saber a “zona verde” do pico de fluxo de cada criança. Se o número cair abaixo de 80% do melhor pessoal, é hora de agir e seguir o plano de crise.
Use a tecnologia a seu favor
- Alertas no celular avisam quando a umidade cai abaixo de 30%.
- Relatórios mensais enviados aos pais criam confiança e podem atrair doações de novos equipamentos.
- Faça revisão dos filtros a cada 6 meses; filtro velho perde 40% da eficácia.
Conclusão

Manter o ar limpo na escola é possível e traz saúde para todos. Medir, entender e agir são passos simples que previnem crises de asma e faltas às aulas. Com a ajuda de sensores baratos, purificadores e a participação de toda a comunidade, a sala de aula vira aliada do tratamento. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- ARAÚJO, L. L.; JUNIOR, J. L. Aplicação de sensores de baixo custo para monitoramento de partículas em escolas brasileiras. Revista de Engenharia Sanitária e Ambiental, Rio de Janeiro, v.27, n.1, p.55-63, 2022.
- UNITED STATES ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY. Indoor air quality tools for schools action kit. Washington, 2020.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2021: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília: MS, 2022.
- CARVALHO, A. Q.; SOUZA, J. P.; NAKAMURA, C. F. Efetividade de purificadores de ar portáteis na redução de material particulado em salas de aula. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.26, n.10, p.4503-4512, 2021.
- ANVISA. Resolução RDC nº 182, de 17 de outubro de 2017. Define parâmetros de qualidade do ar interior. Diário Oficial da União, 18 out. 2017.
- GRAUDENZ, G. S. et al. Fungal allergen exposure and atopic asthma development: the diversity effect. Pediatric Pulmonology, Hoboken, v.55, n.12, p.3324-3332, 2020.
- RAHMATULLAH, S. et al. Ventilation interventions to reduce virus transmission in schools: a systematic review. Indoor Air, Copenhagen, v.32, e13045, 2022.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO air quality guidelines: global update 2021. Geneva: World Health Organization, 2021.