Proteja seu filho durante crises de asma com corticoide sistêmico
Aprenda como identificar crises graves e aplicar o corticoide sistêmico com segurança, garantindo cuidado imediato e eficaz.

Ver seu filho com falta de ar é assustador. Em algumas crises de asma, o remédio inalado não basta. Nesses casos, o médico pode indicar o corticoide sistêmico – um remédio “mais forte” que age em todo o corpo. Neste artigo, o Clube da Saúde Infantil explica, em palavras simples, quando ele é usado, qual a dose e como garantir o uso seguro.
Por que o corticoide sistêmico é importante?
Quando a crise de asma é grave, os brônquios (canais do ar nos pulmões) ficam tão fechados que o remédio inalado não dá conta. O corticoide sistêmico desinflama esses canais de forma rápida, ajudando a criança a respirar melhor e, muitas vezes, evitando a internação.
Sinais de que a crise é grave
- Sons de chiado (sibilo) que não melhoram após broncodilatador.
- Uso da musculatura do pescoço ou costelas para respirar.
- Saturação de oxigênio menor que 92% no oxímetro.
Se notar esses sinais, procure emergência. O corticoide sistêmico deve ser iniciado nas primeiras 6 horas para reduzir internações em até 40%.
Qual remédio e qual dose?

Em casa ou pronto-socorro
Prednisona ou prednisolona: 1 a 2 mg por quilo de peso ao dia (máx. 40 mg) por 3–5 dias. Para tratamentos tão curtos, não é preciso reduzir a dose aos poucos.
No hospital
Se a criança não consegue engolir ou está muito grave, usa-se metilprednisolona na veia.
Como acompanhar o tratamento
- Avaliar a respiração da criança todos os dias.
- Observar possíveis efeitos como irritação no estômago ou mudança de humor. Eles costumam ser leves e desaparecem após o fim do remédio.
- Retorno ao médico em 24–48 h para ajustar a medicação inalatória.
- Nova revisão em 7–14 dias para planejar o controle a longo prazo com corticoide inalado.
Cuidados práticos para a família
- Dê o remédio sempre no mesmo horário, com um copo de água.
- Nunca pare antes do tempo indicado.
- Tenha um plano de ação escrito (exemplo aqui).
- Mantenha número da emergência e da farmácia à vista.
Verdades e mitos
Mito: “Corticoide sistêmico sempre engorda e atrasa crescimento.”
Verdade: Cursos curtos (3-5 dias) têm baixo risco para ganho de peso ou crescimento.
Mito: “Se usar uma vez, vou depender para sempre.”
Verdade: O uso é pontual, somente na crise grave. O controle diário continua com bombinha.
Perguntas frequentes
O que fazer se a crise voltar? Siga o plano de ação. Se não houver melhora rápida, vá à emergência.
Posso dar anti-inflamatório comum junto? Não sem orientação médica. Alguns remédios podem irritar o estômago junto com o corticoide.
Meu filho tem diabetes. Pode tomar corticoide sistêmico? Sim, mas o médico deve ajustar a dose de insulina e monitorar a glicemia.
Conclusão

O corticoide sistêmico é um aliado valioso na crise grave de asma infantil. Usado na dose certa e pelo tempo certo, ele reduz internações e melhora a respiração da criança de forma rápida e segura. Mantenha acompanhamento médico, siga o plano de ação e lembre: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- GLOBAL INITIATIVE FOR ASTHMA. Global strategy for asthma management and prevention, 2023 update. Disponível em: https://ginasthma.org. Acesso em: 12 jun. 2024.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA. Diretrizes para o manejo da asma. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 48, n. 1, p. 1-30, 2022.
- ROWE, B. H. et al. Early emergency department treatment of acute asthma with systemic corticosteroids. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 3, CD002178, 2021.
- BRITISH THORACIC SOCIETY. British guideline on the management of asthma. Thorax, v. 77, suppl. 1, p. i1-i142, 2022.
- CASTRO-RODRIGUEZ, J. A.; BECKHAUS, A. A.; FORNO, E. Efficacy of oral corticosteroids in acute wheezing episodes in asthmatic preschoolers: systematic review with meta-analysis. Pediatric Pulmonology, v. 56, n. 4, p. 577-586, 2021.
- PAPADOPOULOS, N. G. et al. Pediatric asthma: an unmet need for more effective, focused treatments. Pediatric Allergy and Immunology, v. 30, n. 1, p. 7-16, 2019.