Chiado, tosse e falta de ar: como identificar a asma infantil em risco

Aprenda a reconhecer sinais de alerta da asma infantil e agir rapidamente para prevenir crises e proteger a criança.

Você percebeu que seu filho acorda tossindo ou fica cansado só de correr? Pode ser um sinal de asma fora de controle. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação simples salva fôlego e brincadeiras. Vamos mostrar passo a passo como reconhecer esses alertas e agir rápido.

Por que prestar atenção aos sinais?

A asma é como uma “estrada de ar” dentro dos pulmões. Quando ela inflama, o ar fica preso, como um engarrafamento. Chiado, tosse ou aperto no peito são os carros buzinando. Segundo diretrizes brasileiras e internacionais, ter mais de duas crises noturnas por mês ou usar o “bombinha” de resgate mais de duas vezes por semana já é sinal de descontrole.

Chiado que não é só resfriado

  • Chiado ou assobio ao respirar, mesmo sem estetoscópio.
  • Chiado que volta sempre à noite ou de manhã cedo.

Tosse que atrapalha o sono

  • Tosse ao rir, chorar ou correr.
  • Despertar de madrugada por falta de ar ou tosse seca.

Estudo brasileiro mostra que 46% das crianças com esses sintomas não passam em consulta com pneumologista pediátrico. Detectar cedo evita internações e danos aos pulmões.

Ferramentas fáceis para medir o controle

Teste c-ACT: 5 perguntas rápidas

O Childhood Asthma Control Test (c-ACT) é um questionário simples para crianças a partir de 4 anos. A pontuação vai de 0 a 27. Resultado menor que 20 indica “sinal amarelo”. Mesmo assim, só 3 em cada 10 famílias recebem o teste na consulta.

Pico de Fluxo: o “termômetro” do pulmão

O medidor de Pico de Fluxo Expiratório (PFE) custa pouco e funciona como o termômetro da febre. Sopre forte nele todo dia. Se o valor ficar abaixo de 80% do melhor número da criança, acenda o alerta.

Tabela prática:

  • c-ACT < 20 → revisar tratamento.
  • PFE < 80% → ajustar remédio de controle e checar gatilhos.
  • 3 ou mais ciclos de antibiótico em 6 meses para “bronquite” → investigar asma mal controlada.

Diário e Plano de Ação: transformando dados em cuidado

Aplicativos e gráficos coloridos

Aplicativos gratuitos ajudam a anotar pontuação do c-ACT, valores de PFE, uso de bombinha e gatilhos como poeira ou mudança de clima. Pais que usam diário eletrônico entendem melhor quando aumentar ou diminuir o remédio.

Semáforo da asma: verde, amarelo, vermelho

O “plano de ação escrito” divide os cuidados em cores:

  • Verde – tudo bem: continuar remédio de controle.
  • Amarelo – atenção: aumentar dose ou usar remédio extra.
  • Vermelho – urgência: ir ao pronto-socorro.

Crianças com esse plano tiveram 40% menos idas à emergência.

Dica lúdica: peça para a criança treinar o sopro soprando bolhas de sabão. Melhora a técnica da bombinha, problema que causa falha do tratamento em até 70% dos casos.

Mitos comuns sobre asma

  • “Criança vai ‘curar’ a asma sozinha” → Pode melhorar, mas precisa controle para evitar danos.
  • “Bombinha vicia” → Remédio de controle é seguro e não causa dependência; ele evita crises.
  • “Chiado sempre é gripe” → Chiado frequente durante brincadeiras ou à noite aponta para asma.

Quando procurar ajuda

Procure o pediatra ou pneumologista se:

  • A criança usa bombinha de resgate mais de 2× por semana.
  • Acorda tossindo ou chiando mais de 2 noites no mês.
  • Fica cansada para brincar ou subir escadas.

Para informações detalhadas, visite a Sociedade Brasileira de Pneumologia.

Conclusão

Detectar a asma não controlada é simples: escute o chiado, faça o teste c-ACT, sopre o pico de fluxo e siga o plano de ação. Assim, seu filho volta a correr, brincar e dormir sem medo da próxima crise. Crescer com saúde é mais legal!


Referências

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