Adolescente protagonista: primeiros passos para cuidar da própria saúde
Saiba como apoiar o adolescente no aprendizado de cuidar da própria saúde, estimulando autonomia, confiança e uso consciente da tecnologia.

Você já pensou no dia em que seu filho vai ao médico sem você? Esse momento chega rápido. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que preparar o adolescente para cuidar da própria saúde é essencial. Vamos mostrar, de forma bem simples, como ajudar nessa transição.
Por que falar de autogestão já aos 12 anos?
A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda começar aos 12 anos. Nessa idade ainda dá tempo de aprender aos poucos. Como explica a Organização Mundial da Saúde, a autonomia não surge de repente aos 18 anos, mas se constrói em camadas.
Habilidades que o jovem precisa aprender
Conhecer o próprio diagnóstico
O adolescente deve saber o nome da doença, os sintomas de alerta e as metas do tratamento.
Entender os remédios
É importante conhecer o nome, a dose, o horário e os possíveis efeitos colaterais. Se esquecer uma dose, precisa saber o que fazer.
Marcar consultas e renovar receitas
Aprender a ligar ou usar o aplicativo do plano de saúde ou do SUS. Também é essencial saber contar os sintomas de forma clara.
Navegar no sistema de saúde
Entender a diferença entre posto de saúde e especialista, além de conhecer seus direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
Ferramentas que tornam o processo mais fácil
Check-lists e passaportes de saúde
No Reino Unido, listas de verificação semestrais melhoraram a adesão ao tratamento. No Brasil, o “Passaporte do Paciente Adolescente” resume histórico e metas, servindo como guia prático.
Aplicativos no celular
Aplicativos podem lembrar horários de remédios e guardar anotações de saúde. O jovem brasileiro passa, em média, três horas por dia no celular — usar essa ferramenta a favor é uma boa ideia.
Oficinas e clubes de transição
Encontros em grupo simulam consultas e trocam experiências, o que reduz a ansiedade e fortalece a autoconfiança do adolescente.
O papel dos pais: do controle ao apoio
O modelo “4-E” — Explicar, Exemplificar, Encorajar e Empoderar — ajuda a família a promover autonomia de forma gradual.
Dicas práticas:
- Deixe seu filho falar sozinho nos primeiros minutos da consulta.
- Entregue a ele a receita para guardar.
O sigilo é direito do adolescente a partir dos 12 anos, salvo risco grave. Esse espaço de confiança é importante para lidar com temas delicados, como sexualidade e saúde mental.
Como saber se deu certo?
- Ele toma os remédios na dose certa.
- Marca consultas de rotina dentro do prazo.
- Relata boa qualidade de vida nas avaliações.
Hospitais que adotam programas de autogestão relatam menos internações por crises e melhor continuidade do cuidado.
Dicas finais do Clube da Saúde Infantil
- Comece cedo, com passos pequenos.
- Use linguagem simples e repita as informações.
- Transforme o celular em aliado.
- Mantenha diálogo aberto e respeitoso.
Conclusão

A autogestão não é um salto, e sim um caminho feito em família, com profissionais de saúde e apoio da tecnologia. Quando cada um faz sua parte, o adolescente ganha segurança e saúde. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
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