Adolescentes e doenças crônicas: a fase em que seguir o tratamento vira desafio
Veja por que adolescentes com doenças crônicas enfrentam dificuldades para seguir o tratamento e descubra estratégias simples para manter o cuidado.

Cuidar de uma doença crônica na adolescência parece missão impossível? Calma! Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos que seguir o tratamento pode caber na rotina do jovem sem perder a diversão. Vamos juntos?
Por que é difícil seguir o tratamento na puberdade
Corpo e mente em mudança
Na puberdade, os hormônios sobem e descem como uma montanha-russa. Isso deixa o jovem mais impulsivo e focado no presente. Pensar no futuro — como evitar complicações — se torna mais difícil.
Vergonha e pressão dos amigos
Usar bomba de insulina, colírio ou medicação contínua pode causar vergonha. Muitos escondem o tratamento para não “pagar mico” ou parecer diferentes dos colegas.
Sintomas de tristeza e ansiedade
Adolescentes com doenças crônicas têm mais risco de desenvolver ansiedade e depressão. Quando isso acontece, falta energia e vontade de se cuidar. Reconhecer esses sinais é o primeiro passo para ajudar.
Estratégias que funcionam
Dividir a responsabilidade em casa
Os pais deixam de “fazer por” e passam a “fazer com”. A rotina de cuidado é ensinada passo a passo, até o adolescente sentir segurança para agir sozinho.
Conversa que motiva
Perguntas abertas, como “O que você ganha tomando o remédio?”, ajudam o jovem a refletir sobre benefícios reais. Quando ele participa das decisões, comparece mais às consultas e segue o tratamento com mais autonomia.
Pensar diferente ajuda
A terapia cognitivo-comportamental ensina a substituir pensamentos negativos (“sou um peso”) por outros mais positivos (“estou me cuidando”). Isso reduz ansiedade e melhora a adesão ao tratamento.
Celular como aliado
Aplicativos enviam lembretes, transformam o tratamento em jogo e recompensam constância. Esses recursos reduzem esquecimentos e tornam o autocuidado mais leve.
Força do grupo
Participar de encontros — presenciais ou on-line — com outros adolescentes na mesma situação aumenta o engajamento e o controle de doenças como diabetes e asma. Trocar experiências motiva e quebra o sentimento de isolamento.
Papel da escola
Professores informados e planos individualizados garantem segurança e inclusão. Fazer pausas rápidas para medir glicemia, usar bombinha ou tomar um comprimido não deve ser motivo de constrangimento.
Como saber se está dando certo
Tecnologias como bombas de insulina inteligentes e sensores de glicose permitem ver, em tempo real, se o tratamento está sendo seguido. Gráficos e aplicativos transformam esses dados em metas e reforçam o orgulho de cada conquista.
Perguntas que ouvimos muito
Meu filho quer esconder o remédio na escola. O que faço?
Converse com a escola sobre um local discreto para o uso do medicamento. Explique aos colegas que o remédio o mantém forte e saudável.
Ele diz que prefere “viver o momento”.
Dê exemplos práticos: “Assim como o celular precisa ser recarregado para funcionar, o corpo também precisa de energia e cuidado.”
Posso parar de acompanhar?
A autonomia vem aos poucos. Observe se o jovem sabe o que fazer em cada situação antes de deixá-lo agir sozinho. O autocuidado total costuma se consolidar perto dos 18 anos, mas depende da maturidade.
Derrubando mitos
- “Falar da doença deixa o jovem pior.” — O diálogo reduz ansiedade e fortalece o vínculo familiar.
- “Apps são perda de tempo.” — Estudos mostram que eles ajudam a manter a regularidade.
- “Quando crescer, ele melhora sozinho.” — Bons hábitos se aprendem agora; esperar pode trazer complicações.
Conclusão

A adolescência traz desafios, mas também é uma chance de ensinar autonomia e responsabilidade. Com apoio da família, da escola e das novas tecnologias, seguir o tratamento fica mais leve. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!
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