Alergia alimentar na escola: como manter crianças seguras em cada passo
Aprenda estratégias eficazes de compras, preparo de alimentos e capacitação da equipe para evitar crises de alergia

Você sabia que 8 em cada 10 crises graves de alergia em crianças acontecem dentro da escola? No Clube da Saúde Infantil, acreditamos que toda criança merece estudar sem medo de uma reação. Neste guia, mostramos como professores, pais e equipe da cantina podem trabalhar juntos para manter o ambiente escolar seguro.
Por que falar de alergia alimentar na escola?
A alergia alimentar pode causar desde coceira até anafilaxia, uma reação forte que precisa de socorro rápido. Alimentos comuns como leite, ovo ou trigo são os vilões mais frequentes.
Compras inteligentes: a primeira barreira
- Peça rótulos claros. A lei RDC 26/2015 da Anvisa obriga destacar 17 alérgenos.
- Use “lista positiva”: só entra produto já avaliado pela nutricionista.
- Lembre: ingrediente suspeito não entra.
Cozinha e cantina: preparo sem contaminação
Utensílios separados
Troque luvas e aventais, lave a bancada antes e depois de tocar alimentos com alérgeno.
Self-service seguro
Separe fisicamente pratos com leite, ovo, trigo, soja, amendoim, castanhas, peixe e crustáceos. Use cartazes com desenhos fáceis, para quem ainda não lê.
Festas sem sustos
- Ficha de ingredientes assinada pelos responsáveis.
- Mesa segura vigiada por educador treinado.
- Cardápio divulgado antes para a família mandar substitutos.
Estudos mostram 60% menos reações leves após essas medidas.
Limpeza que realmente limpa

Proteínas de leite e ovo podem permanecer na mesa por até três dias. Faça limpeza do “mais limpo para o mais sujo”, usando detergente neutro seguido de desinfetante. Panos devem ser descartáveis ou lavados a 60 °C.
Checklist rápido
No fim de cada turno, a equipe confere mesas, brinquedos e materiais esportivos. Tudo é fotografado e guardado. Transparência que garante segurança.
Salas de aula e laboratório
Experiências com látex ou frutos do mar? Substitua por material sintético. Avise os alunos antes sobre qualquer reagente.
Treinamento semestral para toda a equipe
Simulações de leitura de rótulo e resposta a derramamentos aumentam em 35% a chance de identificar riscos. Ferramentas de realidade aumentada mostram como a contaminação se espalha. Aprender fica mais fácil.
Comitê escolar de alergias
Direção, nutricionista, pais e alunos se reúnem a cada três meses. Resultado: 70% menos casos de urticária em dois anos em estudo de uma cidade do Paraná.
Perguntas frequentes
Uma migalha pode fazer mal?
Sim. Mesmo traços de proteína podem causar reação forte.
Fritar ou assar elimina o alérgeno?
Não totalmente. O risco continua.
Festa sem bolo com leite é “chata”?
Não. É inclusiva. Todos participam e ninguém passa mal.
Mitos e verdades
- Mito: “Alergia é frescura.” Verdade: é condição médica séria e precisa de prevenção.
- Mito: “Se não aparecer mancha na pele, tudo bem.” Verdade: a garganta pode fechar sem sinal na pele.
Conclusão

Manter a escola livre de alergênicos é trabalho em equipe. Com compras seguras, preparo cuidadoso, limpeza correta e treinamento, as crises caem e a confiança aumenta. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
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