Alergia na primavera: cuidados essenciais para proteger as crianças

Entenda por que as alergias aumentam na primavera e veja medidas práticas para proteger crianças de sintomas respiratórios e desconfortos.

A primavera chegou e com ela vem aquela pergunta que todo pai conhece: “Por que meu filho não para de espirrar?” Se você já se fez essa pergunta, não está sozinho. A primavera brasileira traz consigo pequenos vilões invisíveis que fazem muitas crianças sofrerem com alergia.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que entender o problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Vamos descobrir juntos o que realmente causa essas alergias e como proteger nossos pequenos.

O que realmente causa alergia na primavera

Você sabia que a alergia da primavera não vem das flores coloridas que vemos nos jardins? Na verdade, os principais causadores são plantas que nem sempre notamos: as gramíneas.

Essas plantas, que parecem grama comum, são responsáveis por 65% de todas as alergias respiratórias no Brasil. As duas vilãs principais — Lolium multiflorum e Cynodon dactylon — são as “gramas que fazem espirrar”.

O pó invisível que voa no ar

Durante os meses de setembro a novembro, a quantidade de pólen no ar pode aumentar até 200%, especialmente no Sul e Sudeste do Brasil. É como se uma nuvem invisível de pó muito fino cobrisse tudo ao nosso redor.

Para ter uma ideia, uma única árvore comum nas cidades, como o alfeneiro, pode soltar até 30 milhões de grãos de pólen em uma estação. Imagine uma chuva muito fina de pó — é isso que acontece na primavera!

Por que cada região é diferente

O Brasil é enorme e, por isso, cada região tem seu próprio “calendário da alergia”:

Região Sul – Primavera intensa: as plantas liberam pólen ao mesmo tempo.
Norte e Nordeste – O pólen se espalha de forma mais constante o ano todo.

O clima muda tudo

Quando a temperatura sobe apenas 2 °C, a temporada da alergia pode durar até três semanas a mais. Com as mudanças climáticas, isso significa que nossos filhos podem sofrer por mais tempo.

Cidade vs. campo: onde é pior?

Muita gente pensa que o campo é sempre melhor para quem tem alergia — mas nem sempre.

Nas cidades grandes, a concentração de alérgenos pode ser até 50% maior que no campo. Isso porque:

  • o calor urbano funciona como uma estufa;
  • a poluição quebra o pólen em partículas menores;
  • essas partículas penetram com mais facilidade no nariz e nos pulmões.

É como se a cidade fosse um “amplificador” da alergia.

Como saber quando o pólen está alto

Hoje já existem “termômetros do pólen” — sistemas que medem quanto pólen há no ar, como um medidor de febre.

Essas medições ajudam os pais a saber quando é melhor:

  • manter as janelas fechadas;
  • evitar atividades ao ar livre;
  • usar ar-condicionado com filtro limpo.

Sinais de que seu filho está reagindo ao pólen

  • Espirros frequentes, principalmente pela manhã.
  • Nariz escorrendo ou entupido.
  • Olhos vermelhos e lacrimejando.
  • Tosse seca, especialmente à noite.
  • Coceira no nariz ou na garganta.

Dicas práticas para proteger as crianças

Em casa:

  • Mantenha as janelas fechadas nos dias de vento forte.
  • Use ar-condicionado com filtro sempre limpo.
  • Evite secar roupas no varal externo.
  • Dê banho nas crianças antes de dormir.

Na rua:

  • Prefira passeios após a chuva — o pólen “baixa” com a umidade.
  • Evite parques e jardins no fim da tarde.
  • Use óculos de sol para proteger os olhos.
  • Mantenha os vidros do carro fechados.

O papel do monitoramento

O monitoramento do pólen é como uma “previsão do tempo da alergia”. Ele ajuda as famílias a se prepararem melhor para os dias mais críticos.

Muitas cidades brasileiras já começaram a divulgar relatórios diários de concentração de pólen — um avanço importante para quem convive com alergias.

Conclusão

A alergia na primavera não precisa ser um pesadelo. Entendendo o que causa o problema — principalmente as gramíneas e o aumento do pólen — você pode se preparar melhor e proteger seus filhos.

Cada região do Brasil tem seu ritmo, e as cidades grandes podem ser mais desafiadoras. Mas com atenção aos sinais e cuidados simples, é possível aproveitar a estação com mais leveza.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que conhecimento é poder: quanto mais você entende, melhor consegue cuidar da saúde da sua família. Porque, afinal, crescer com saúde é mais legal!

Importante: se os sintomas forem intensos ou persistirem, procure um alergista. Ele pode indicar o tratamento ideal para cada criança.


Referências

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