Fim do mistério: o que é verdade e o que é puro marketing nos alimentos enriquecidos

Aprenda a diferenciar os produtos que fazem a diferença na nutrição infantil daqueles que apenas prometem mais do que entregam.

Você vê no mercado rótulos chamando a atenção: “rico em ferro”, “mais cálcio”, “vitaminado”. Mas será que todo alimento fortificado é bom para o seu filho? Vamos descobrir, de forma simples, o que é verdade e o que é apenas marketing. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação clara ajuda sua família a crescer com saúde.

O que são alimentos fortificados?

Alimentos fortificados recebem vitaminas ou minerais adicionados durante a fabricação. No Brasil, a ANVISA regulamenta esse processo. Em alguns casos a fortificação é obrigatória, como adicionar ferro e ácido fólico na farinha desde 2004. Em outros casos é opcional e depende da indústria.

Por que a fortificação começou?

Antes de 2004, muitas crianças tinham anemia por falta de ferro. Com a farinha fortificada, a prevalência de anemia caiu cerca de 40% em estudos conduzidos no país. Quando bem aplicada, a fortificação é capaz de proteger vidas.

Nem tudo que brilha é ouro: absorção dos nutrientes

• O corpo nem sempre aproveita toda a quantidade adicionada.
• Em cereais fortificados, apenas 40 a 60% do ferro é de fato absorvido em comparação com alimentos naturalmente ricos no mineral.

É como colocar água em um balde furado: parte sempre escapa. Algo parecido acontece com alguns alimentos fortificados.

Marketing x realidade

O mercado de produtos infantis fortificados cresce cerca de 15% ao ano. Porém, aproximadamente 30% das alegações presentes nos rótulos não têm base científica sólida. Um biscoito ultraprocessado continua sendo um biscoito, mesmo com vitaminas adicionadas.

Equívoco comum

“Se tem vitamina adicionada, posso dar à vontade.”
Correção: não. Açúcar, gordura e aditivos continuam presentes. Nutriente extra não anula componentes que não fazem bem.

Vale a pena pagar mais?

Um estudo comparou sardinha, um alimento natural, com um biscoito fortificado. A sardinha ofereceu mais cálcio e custou cerca de 40% menos. Em muitos casos, alimentos naturais continuam sendo opções mais eficientes e econômicas.

Guia rápido para escolher

  1. Prefira alimentos in natura como feijão, carnes, frutas e verduras.
  2. Utilize produtos fortificados quando houver comprovação clara de benefício.
  3. Suplementação deve ser feita apenas com orientação de profissionais de saúde.
  4. Leia o rótulo: quanto menos ingredientes, melhor. Observe açúcar e sal.
  5. Desconfie de frases exageradas ou que prometem “milagres”.

Quando o fortificado é importante?

Programas públicos, como a farinha fortificada com ferro, ajudam especialmente crianças em risco de anemia. Já produtos ultraprocessados, como bolachas e iogurtes muito coloridos, exigem olhar crítico, mesmo quando trazem nutrientes adicionados.

Perguntas que recebemos

Fortificante substitui comida fresca?
Não. Ele complementa, mas não substitui alimentos naturais.

Posso combinar vários alimentos fortificados?
Evite excessos. Doses altas de certos nutrientes podem causar problemas. Procure orientação profissional.

Como saber se meu filho precisa de suplemento?
Somente exames e avaliação de um profissional de saúde podem indicar isso. Não ofereça suplementos por conta própria.

Conclusão

Alimentos fortificados podem ser aliados, mas não fazem milagre. Compare preços, leia os rótulos e priorize o alimento de verdade. Em caso de dúvidas, converse com nutricionistas ou pediatras. Aqui no Clube da Saúde Infantil, reforçamos sempre: crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC nº 150, de 13 de abril de 2017. Brasília: ANVISA, 2017.
  2. SANTOS, Q. et al. Impact of flour fortification with iron on anemia prevalence in Brazilian children. Public Health Nutrition, 24(3):897-904, 2021.
  3. MARTINEZ-NAVARRETE, N. et al. Iron bioavailability in fortified infant cereals: a systematic review. Nutrients, 11(4):822, 2019.
  4. SILVA, M. R. et al. Marketing claims analysis in fortified foods for children. Journal of Nutrition Education and Behavior, 52(7):680-688, 2020.
  5. COSTA, F. F. et al. Cost-effectiveness of natural versus fortified foods in Brazilian children. Jornal de Pediatria (Rio J.), 98(2):182-189, 2022.
  6. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guidelines on food fortification with micronutrients. Geneva: WHO, 2021.