Leite materno reduz o risco de diabetes tipo 1 e tipo 2, apontam pesquisas

Saiba como o leite materno regula o metabolismo e reduz o risco de diabetes tipo 1 e tipo 2, com efeitos que se mantêm por toda a vida.

Você sabia que o peito da mãe funciona como um escudo contra o diabetes? Estudos mostram que amamentar, especialmente nos seis primeiros meses, pode diminuir muito o risco de diabetes tipo 1 e tipo 2 no futuro. Aqui no Clube da Saúde Infantil, vamos explicar de forma simples como isso acontece e por que “crescer com saúde é mais legal”.

O que a ciência descobriu

Pesquisas com milhares de crianças no mundo inteiro mostram um dado claro: quem recebeu leite materno tem até 35% menos chance de desenvolver diabetes tipo 2. Quanto mais tempo de peito exclusivo, maior a proteção. Para o diabetes tipo 1, manter a amamentação enquanto o bebê começa a comer alimentos com glúten também ajuda a reduzir o risco de autoimunidade.

Como o leite materno protege

Programação do corpo

Pense no organismo do bebê como um computador novo. O leite materno envia “códigos” que ensinam esse computador a usar bem o açúcar e a insulina.

Hormônios amigos

O leite da mãe tem hormônios como leptina e adiponectina. Eles ajudam o pâncreas — órgão que produz insulina — a trabalhar direitinho, equilibrando o metabolismo desde cedo.

Microbioma saudável

As bactérias boas que o bebê recebe pelo leite criam uma barreira contra inflamações. Menos inflamação significa menor risco de diabetes.

Por quanto tempo amamentar

A Organização Mundial da Saúde e a Sociedade Brasileira de Diabetes recomendam:
• Seis meses de amamentação exclusiva (só peito, nem água).
• Depois, continuar com outros alimentos saudáveis até pelo menos dois anos ou mais.

Cada dia de peito conta!

Perguntas que as famílias fazem

“Se eu der fórmula às vezes, perdi a proteção?”
Não. Quanto mais peito, melhor. Se precisar complementar, continue oferecendo o peito sempre que possível.

“E se meu bebê mamou menos de seis meses?”
Todo tempo de amamentação já ajuda. Ninguém perde o que já recebeu.

“O diabetes é só genético?”
A genética importa, mas o ambiente — como a alimentação no início da vida — faz muita diferença.

Mitos e verdades

Mito: “Leite fraco existe.”
Verdade: Todo leite materno é feito sob medida e contém os nutrientes e hormônios que o bebê precisa.

Mito: “Bebês gordinhos não terão diabetes.”
Verdade: Peso extra pode aumentar o risco. O leite materno ajuda a manter o peso ideal.

Conclusão

Amamentar é um gesto de amor que deixa um presente valioso: proteção contra o diabetes ao longo da vida. Se puder, ofereça peito exclusivo por seis meses e continue até onde for possível. Seu bebê agradece — e todos nós lembramos: crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Horta, Bernardo L.; Lima, Nísia P. de. Breastfeeding and Type 2 Diabetes: Systematic Review and Meta-Analysis.Acta Paediatrica, v. 108, n. 5, p. 863–871, 2019.
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  6. Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2019–2020. São Paulo: Clannad, 2019.