Onde termina o colo e começa a escola: lições para uma separação tranquila
Descubra atitudes simples que fortalecem o acolhimento escolar e reduzem a ansiedade em crianças com condições de saúde.

Seu filho sente medo de ficar longe de você na hora da aula? Isso é comum, mas pode piorar quando a criança também convive com asma, diabetes ou outra doença crônica. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos caminhos simples para que escola, família e equipe de saúde atuem juntos e evitem crises de ansiedade de separação.
Por que falar de ansiedade de separação
A ansiedade de separação é o medo forte de ficar longe dos pais ou cuidadores. Em crianças com doenças crônicas, esse medo pode causar:
- Mais faltas na escola.
- Pior controle da doença (como crises de asma ou variações da glicemia).
- Tristeza e queda nas notas.
Três pilares para prevenir o problema
Pilar 1 – Programa de saúde mental na escola
- Atividades de sentimentos e emoções dentro da aula (brincar, desenhar, conversar).
- Testes simples de ansiedade duas vezes por ano.
- Encaminhamento rápido ao psicólogo quando necessário.
Essas ações podem diminuir em até 38% os casos de ansiedade clínica no primeiro ano.
Pilar 2 – Tecnologia que ajuda, não substitui
- Relógios ou sensores no braço mostram a glicemia e o batimento cardíaco em tempo real. Se sobe muito, pais e escola recebem alerta no celular.
- Estudantes com diabetes tipo 1 que usaram o sistema faltaram 25% menos às aulas.
- Óculos de realidade virtual permitem treinar a ida à escola como se fosse um jogo. Três sessões por semana diminuíram o medo em poucas semanas.
Pilar 3 – Políticas públicas que conectam todos
- Equipes fixas na escola (psicólogo, enfermeiro, educador físico) criam planos personalizados.
- Proposta nacional recomenda triagem de ansiedade todo semestre, prontuário eletrônico compartilhado e curso anual para professores.
Passo a passo para pais e professores

- Observe sinais: choro forte, dor de barriga antes da aula, medo de crises da doença.
- Converse: use frases curtas e claras, como “O relógio vai avisar se precisar de ajuda”.
- Acompanhe: anote faltas, crises de saúde e momentos de ansiedade. Leve essas anotações ao posto de saúde.
- Participe: vá às reuniões da escola e pergunte sobre o programa de saúde mental.
Perguntas frequentes
A tecnologia vai deixar meu filho dependente?
Estudos mostram mais autonomia, não dependência.
Só escolas particulares conseguem fazer isso?
Não. Municípios já testam programas em escolas públicas. O essencial é união entre educação e saúde local.
Mindfulness ajuda na obesidade do meu filho?
Sim. Práticas de atenção plena com alimentação consciente reduziram o índice de massa corporal em estudos nacionais.
Ideias simples que funcionam
- “Caixa do sossego”: a criança coloca bilhetes com o que a acalma.
- “Respirar como um balão”: encher a barriga de ar, soltar devagar. Ajuda em crises de medo e asma.
- “Semáforo da emoção”: verde (calmo), amarelo (nervoso), vermelho (muito medo). A criança mostra a cor e recebe ajuda rápida.
Onde buscar mais ajuda
- Ministério da Saúde – Cartilha Saúde Mental nas Escolas.
- Sociedade Brasileira de Pediatria – Guias sobre doenças crônicas.
- Postos de saúde locais – procure o psicólogo ou enfermeiro da família.
Conclusão

Quando família, escola e tecnologia caminham juntas, a criança com doença crônica fica mais segura e presente na aula. Menos faltas, mais aprendizado e saúde equilibrada. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que prevenir é construir, tijolo a tijolo, um ambiente onde crescer com saúde é mais legal.
Referências
- BRASIL. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Primária: Saúde Mental nas Escolas. Brasília, 2021.
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