Pequenos grandes medos: o que a ansiedade de separação revela sobre o vínculo familiar

Descubra de que forma o vínculo afetivo impacta a adaptação das crianças à escola e aprenda a criar rotinas que tragam segurança e confiança.

Seu filho chora toda vez que vai para a escola? Reclama de dor de barriga ou dor de cabeça antes de sair de casa? Pode ser ansiedade de separação escolar. Aqui no Clube da Saúde Infantil, vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre esse problema que afeta muitas crianças brasileiras, especialmente depois da pandemia.

O que é ansiedade de separação

A ansiedade de separação é um medo muito forte que algumas crianças sentem quando precisam se afastar dos pais ou cuidadores. É como um alarme do corpo que toca mesmo quando não há perigo real. É importante saber que existe uma ansiedade normal, que faz parte do desenvolvimento da criança, e outra que precisa de mais atenção.

Quando é normal e quando preocupar

É normal bebês entre 8 e 14 meses ficarem ansiosos longe dos pais. Mas quando a criança é mais velha e esse medo:

  • Dura mais de 4 semanas.
  • Atrapalha a vida escolar.
  • Causa muito sofrimento.
  • Impede atividades normais do dia a dia.

Aí sim, pode ser um sinal de que precisa de ajuda profissional.

Sinais de alerta por idade

Crianças pequenas (3-5 anos)

  • Choro forte na hora de ir para escola.
  • Gruda muito nos pais.
  • Não quer ficar sozinha.

Crianças maiores (6-12 anos)

  • Dor de barriga.
  • Dor de cabeça.
  • Náusea antes de ir à escola.
  • Preocupação excessiva com os pais.

Adolescentes (13-18 anos)

  • Recusa ir à escola.
  • Sintomas físicos.
  • Preocupação constante com a família.

Números importantes

Estudos mostram que cerca de 4 em cada 100 crianças têm ansiedade de separação que precisa de atenção especial. Depois da pandemia, os casos aumentaram muito:

  • 156% mais casos depois do isolamento.
  • Meninas são mais afetadas que meninos.
  • 78% mais atendimentos no SUS entre 2019 e 2022.

Por que acontece

Vários fatores podem contribuir:

  • Características da própria criança.
  • Experiências difíceis (mudança de escola, hospitalização).
  • Pais muito protetores.
  • História de ansiedade na família.
  • Doenças crônicas.

Crianças com doenças crônicas

Crianças com problemas de saúde como asma, diabetes ou epilepsia têm mais chance de desenvolver ansiedade de separação. Os números mostram que:

  • 12 a 18% dessas crianças podem ter o problema.
  • É 2 a 3 vezes mais comum que em outras crianças.

O impacto da pandemia

O tempo prolongado em casa durante a pandemia deixou muitas crianças mais sensíveis. Os especialistas chamam isso de “efeito rebote do isolamento”. Por isso, é ainda mais importante ficar atento aos sinais agora.

Conclusão

Lembre-se: a ansiedade de separação é real e precisa de atenção e carinho. Se você perceber os sinais que falamos aqui, converse com o pediatra do seu filho. Com o apoio certo, as crianças podem superar esse desafio e voltar a curtir a escola numa boa. Afinal, crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2014.
  2. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico: Saúde Mental na Infância e Adolescência. Brasília: Ministério da Saúde; 2022.
  3. Salum GA, et al. The impact of age on the prevalence of psychiatric disorders in a large school-based sample. J Child Psychol Psychiatry. 2018;55(11):1270-1279.