Propaganda de alimentos está ligada ao avanço da obesidade infantil, apontam estudos
Descubra como anúncios de comida contribuem para a obesidade infantil e conheça medidas práticas que podem reduzir riscos em casa e nas escolas.

Você já reparou quantas vezes seu filho pede aquele lanche visto na TV ou no celular? Não é coincidência. Anúncios de alimentos cheios de açúcar, sal e gordura influenciam o paladar das crianças e podem levar ao ganho de peso. Neste post do Clube da Saúde Infantil, vamos mostrar de forma simples por que isso acontece e o que podemos fazer para garantir que crescer com saúde seja mais legal.
Por que os anúncios de comida são um problema
Quando uma criança vê um personagem divertido vender um biscoito, ela cria gosto pelo produto antes mesmo de saber ler. Estudos mostram que até 40% das calorias diárias das crianças expostas a propagandas vêm de ultraprocessados. No Brasil, o excesso de peso em crianças de 5 a 9 anos subiu de 30% para 33,5% entre 2006 e 2019.
Como o cérebro infantil reage
Basta 30 segundos de um jogo on-line com marca de fast-food para ativar a área de recompensa no cérebro da criança, aumentando em 60% a chance de ela escolher o produto. É como acender uma luz que diz: “Quero comer isso agora”.
Açúcar, sal e gordura em excesso
Crianças que assistem a mais de três horas de TV com anúncios consomem, em média, 28 gramas a mais de açúcar por dia. Isso equivale a três colheres de sopa cheias de açúcar extras.
Consequências para a saúde e para o bolso
Além de aumentar o peso, a exposição constante a propagandas está ligada a mais casos de diabetes tipo 2 em jovens, que crescem 7% ao ano. O Sistema Único de Saúde gasta cerca de R$ 3,2 bilhões por ano com doenças ligadas à obesidade infantil.
Impacto social
Crianças com obesidade têm 35% mais risco de sofrer bullying e podem apresentar o dobro de chances de desenvolver ansiedade ou tristeza. Isso afeta notas escolares e a disposição para brincar.
O que já deu certo em outros países

No Chile, proibir personagens infantis nas embalagens e colocar selos de alerta reduziu em 24% a compra de cereais açucarados em dois anos. No Reino Unido, a taxa sobre refrigerantes retirou 45 toneladas de açúcar do mercado em 2019.
Caminhos para o Brasil
- Atualizar a lei para cobrir anúncios na internet, não só na TV.
- Definir limites nutricionais claros para propaganda voltada a menores de 16 anos.
- Criar imposto sobre ultraprocessados e usar o dinheiro na merenda saudável.
- Fiscalizar de forma independente se as regras estão sendo cumpridas.
Pesquisas da Universidade de Brasília indicam que limitar anúncios de ultraprocessados das 6h às 22h pode reduzir em 8% os casos de obesidade infantil em dez anos.
Dúvidas comuns
Meu filho só vê desenhos na internet. Isso conta? Sim. Jogos e vídeos com marcas de fast-food também influenciam.
Publicidade é culpa só das empresas? Não. Governo, escolas e famílias podem agir juntos para proteger as crianças.
O que você pode fazer hoje
- Ofereça mais frutas e água em casa.
- Assista à TV com seu filho e converse sobre os anúncios.
- Use aplicativos que bloqueiam propagandas em celulares e tablets.
- Compartilhe este post com outros pais. Informação é poder.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que cada família pode ser parte da mudança.
Conclusão

Quando reduzimos a avalanche de propagandas de comida pouco saudável, damos às crianças espaço para criar hábitos melhores. Menos anúncios, mais frutas, mais brincadeiras: passos simples que fazem grande diferença. Crescer com saúde é mais legal.
Referências
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