O ar que adoece: os riscos invisíveis das queimadas para a nova geração
A fumaça das queimadas compromete a saúde de milhões de crianças no Brasil. Veja dados recentes e conheça medidas simples de prevenção.

O aumento das queimadas no Brasil não é obra do acaso: o clima mais quente e seco está tornando o fogo cada vez mais fácil de espalhar — e mais difícil de conter. A fumaça que sobe das florestas volta em forma de poluição, afetando diretamente a saúde das crianças, que respiram mais rápido e têm pulmões ainda em formação. Entender por que o fogo cresce e como se proteger é o primeiro passo para quebrar esse ciclo e garantir ar limpo para o futuro.
Por que as queimadas estão aumentando
O planeta está ficando mais quente. Os cientistas do IPCC preveem que o Brasil pode esquentar de 2 °C a 4 °C até 2100. Com mais calor e menos chuva, a floresta e o Cerrado secam como papel — e o fogo pega fácil e dura mais tempo.
Quanto mais fogo, mais fumaça de CO₂ sobe. Esse gás aquece ainda mais o ar, criando um ciclo ruim: calor → fogo → mais calor. Modelos de pesquisa indicam que, se nada mudar, a área queimada na Amazônia pode dobrar até 2050.
Como a fumaça machuca o corpo infantil
PM2,5 – o inimigo invisível
A fumaça carrega partículas muito pequenas, chamadas PM2,5. Elas são 30 vezes mais finas que um fio de cabelo e entram fundo nos pulmões. Estudos no Brasil mostram que crianças que respiram ar com 10 µg/m³ a mais de PM2,5 podem perder até 3% da força pulmonar. Cada micrograma extra aumenta em 1% as internações por asma.
Ferramentas que avisam antes da fumaça chegar
Apps e alertas no celular
Hoje já existe tecnologia que prevê a qualidade do ar até três dias antes. O sistema PREVFOGO 2.0 do IBAMA usa dados de satélite para mandar alertas rápidos. Aplicativos como Selva-Seguro avisam quando o PM2,5 passa de 25 µg/m³, limite diário da OMS. Em Manaus, escolas que seguiram alertas reduziram crises de asma em 18%.
O que você pode fazer em casa e na escola
Passo a passo de proteção
- Mantenha portas e janelas fechadas quando o ar estiver ruim.
- Use purificador de ar com filtro HEPA: ele corta até 80% das partículas em 2 horas.
- Ofereça água com frequência: hidratação ajuda o corpo a lidar com o ar seco.
- Se precisar sair, use máscara PFF2 bem ajustada.
- Na escola, peça para evitar atividades ao ar livre nos dias de alerta. Instituições que instalaram filtros tiveram 25% menos faltas por problemas respiratórios.
- Ensine as crianças a notar o “céu cinza” e avisar um adulto. Programas de educação climática aumentaram em 35% os cuidados em 60 municípios.
Políticas e futuro: existe esperança
Alguns estados, como Pará e Mato Grosso, já incluem metas para reduzir internações infantis nos planos contra queimadas. Há projetos de lei que criam o Fundo Criança & Clima, para levar purificadores a creches públicas e instalar estações de monitoramento de ar.
Se o mundo cortar CO₂ até 2050, a área queimada na Amazônia pode cair 40% até 2100. Novas ideias, como drones que apagam fogo e telhados verdes que refrescam cidades, também ajudam.
Perguntas comuns
“A fumaça de longe faz mal?”
Sim. O vento pode levar partículas por centenas de quilômetros.
“Ventilador ajuda?”
Ele só move o ar — use junto com filtro HEPA sempre que puder.
“E bebê pequeno?”
O pulmão do bebê é ainda mais sensível. Redobre o cuidado e procure o pediatra ao primeiro sinal de chiado.
Conclusão

As queimadas já fazem parte da nossa realidade, mas não precisamos ficar parados. Com informação clara, alertas no celular e cuidados simples em casa e na escola, é possível proteger o pulmão dos pequenos.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que cada ação conta. Vamos juntos garantir que crescer com saúde é mais legal!
Referências
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