Ar quente, crianças em alerta: como mudanças climáticas afetam a asma

Entenda os efeitos do aquecimento global e da poluição na asma infantil e aprenda medidas simples para cuidar da respiração das crianças.

Você sabia que o clima mais quente pode piorar a asma das crianças? Aqui no Clube da Saúde Infantil, explicamos de forma simples como o aquecimento global e a poluição formam uma “tempestade perfeita” para os pequenos asmáticos – e o que você pode fazer agora mesmo para ajudar.

O que está acontecendo com o clima?

O planeta está esquentando. Nas cidades brasileiras, faz ainda mais calor do que nas áreas rurais. Esse efeito é chamado de ilha de calor urbana.

Quando a temperatura sobe, mais poluentes se formam no ar. É como colocar mais panelas no fogão já cheio: o “cheiro” (poluição) fica concentrado.

Cidades mais quentes, ar mais sujo

Estudos mostram que alguns bairros podem ficar até 8 °C mais quentes que áreas vizinhas. Esse calor extra faz o ar “cozinhar” poluentes. Resultado: as crianças respiram partículas que irritam os pulmões.

Ondas de calor e ozônio perigoso

Durante as ondas de calor, o ozônio ao nível do chão aumenta até 40% em São Paulo. Pense no ozônio como um “alvejante” no ar: ele queima as vias aéreas e dispara crises de asma.

Secas, queimadas e fumaça que viaja longe

Períodos longos sem chuva impedem que o vento limpe o céu. Nessas épocas, internações por asma em crianças sobem até 30%.

As queimadas jogam fuligem que pode viajar centenas de quilômetros. Mesmo quem mora longe do fogo sente o impacto.

Como isso piora a asma das crianças?

  • Ar mais quente inflama as vias aéreas sensíveis.
  • Poluentes como ozônio e material particulado irritam os brônquios.
  • Menos chuva significa mais poeira e alérgenos suspensos.

O resultado é aumento de chiado, tosse e falta de ar.

Dicas práticas para pais e cuidadores

Pequenas ações fazem diferença:

  • Acompanhe a previsão de qualidade do ar em sites como CETESB.
  • Evite atividades ao ar livre nos horários mais quentes (10h–16h) ou quando o ar estiver ruim.
  • Mantenha a vacinação da gripe em dia – infecções agravam a asma.
  • Tenha o plano de ação da asma sempre à mão (converse com o pediatra).
  • Use ventilador ou ar-condicionado com filtro limpo para reduzir a poeira interna.

Quer mais orientações? Confira nosso post sobre cuidados diários da asma.

Que dúvidas costumam surgir?

“Meu filho pode brincar fora em dias quentes?”
Sim, mas prefira manhã cedo ou fim de tarde e monitore o índice de poluição.

“A máscara ajuda?”
Máscaras PFF2 podem filtrar parte do material particulado em dias de fumaça intensa.

Desmistificando equívocos comuns

  • Mito: “As mudanças climáticas não afetam a saúde agora.”
    Fato: Já vemos mais crises de asma e internações em crianças brasileiras.
  • Mito: “Apenas quem mora perto de queimadas sofre.”
    Fato: A fumaça pode viajar longas distâncias.

Quando buscar ajuda médica?

Leve a criança ao pronto-socorro se:

  • O resgate de broncodilatador não melhora a falta de ar.
  • Há dificuldade para falar ou lábios arroxeados.
  • A respiração fica mais rápida que o normal.

Em casos leves, agende consulta com o pediatra para ajustar o tratamento preventivo.

Conclusão

Mudanças climáticas, calor e poluição formam um trio que desafia quem já convive com a asma. Mas, com informação clara e ações simples, é possível proteger a respiração dos pequenos.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que entender o problema é o primeiro passo. Juntos, vamos garantir que crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. SILVA, R. M. et al. Climate change and urban air pollution: a comprehensive analysis of Brazilian metropolitan areas. Climatic Change, v. 167, n. 3, p. 1-15, 2021.
  2. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Climate change and health in urban areas: special report. Geneva: WHO, 2022.
  3. INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS. Relatório sobre mudanças climáticas e qualidade do ar nas metrópoles brasileiras. São José dos Campos: INPE, 2023.
  4. COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO. Relatório de qualidade do ar no estado de São Paulo. São Paulo: CETESB, 2022.
  5. AMERICAN THORACIC SOCIETY. Position paper on climate change and respiratory health. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, v. 203, n. 1, p. 4-6, 2021.
  6. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Impactos das mudanças climáticas na saúde das cidades brasileiras. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2023.
  7. ENVIRONMENTAL RESEARCH LETTERS. Long-range transport of particulate matter from Brazilian wildfires. Environmental Research Letters, v. 17, n. 2, p. 024033, 2022.