Ar seco e infância: por que a pele das crianças sofre mais nessa época
Em períodos de clima seco, a pele das crianças perde hidratação com facilidade. Aprenda cuidados simples que evitam coceira, descamação e desconforto.

Nossa pele funciona como uma capa de chuva natural — ela protege o corpo e mantém a água dentro dele. Mas quando o ar está muito seco, essa proteção enfraquece. Imagine a pele como uma esponja molhada: quando o ar fica seco, essa esponja perde água mais rápido. É exatamente isso que acontece com a pele das crianças, especialmente as que já têm dermatite atópica.
O que acontece na pele
Quando a umidade do ar cai abaixo de 40%, a pele infantil perde água muito mais rápido. Além disso, a pele produz menos gorduras protetoras, chamadas ceramidas, e perde seus fatores naturais de hidratação. É como se a “capa de chuva” do corpo começasse a ter pequenos furos, deixando a pele vulnerável, ressecada e irritada.
Como isso acontece no Brasil
O Brasil tem climas muito diferentes. Durante o inverno, algumas regiões chegam a níveis de umidade menores que 30%. Nessas épocas, é comum aumentar o número de crianças com queixas de pele seca e coceira nos consultórios dermatológicos. Esse aumento mostra que o clima seco realmente interfere na saúde da pele infantil.
Regiões mais afetadas
As regiões Centro-Oeste e Sudeste são as mais atingidas pelo ar seco durante o inverno, mas outras partes do país também passam por períodos de baixa umidade. Essas condições favorecem o ressecamento da pele e o surgimento de dermatite.
Sinais de que a pele precisa de ajuda
Quando o ar seco começa a prejudicar a pele da criança, alguns sinais aparecem:
- Coceira aumentada: a criança coça mais que o normal.
- Pele descamando: pequenos pedacinhos de pele se soltam.
- Rachadinhas: surgem pequenas fissuras.
- Vermelhidão: a pele fica irritada e sensível.
Esses sintomas indicam que a barreira cutânea está danificada e o corpo produz substâncias de defesa, aumentando a inflamação.
O que fazer para proteger a pele
Cuidados em casa
- Use umidificador: mantenha a umidade do quarto entre 40% e 60%.
- Banhos mornos e rápidos: água muito quente retira a oleosidade natural da pele.
- Hidratante logo após o banho: aplique enquanto a pele ainda estiver úmida.
- Roupas de algodão: tecidos naturais irritam menos e deixam a pele respirar.
Quando procurar ajuda
Se a pele estiver muito vermelha, com feridas ou se a coceira estiver atrapalhando o sono, procure um dermatologista. O tratamento adequado ajuda a evitar infecções e melhora o conforto da criança.
Prevenção é o melhor remédio
É mais fácil prevenir do que tratar. Observar a umidade do ar e cuidar da pele antes dos sinais de ressecamento é a melhor estratégia. Cada criança é única — por isso, converse com o pediatra para ajustar os cuidados ao tipo de pele do seu filho.
Conclusão

O ar seco é um desafio para a pele delicada das crianças, mas com atenção e rotina de cuidados, é possível evitar problemas. Manter a casa com umidade adequada, hidratar a pele todos os dias e observar os primeiros sinais faz toda a diferença. Lembre-se: uma pele saudável é sinal de bem-estar.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!
Referências
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