Biológicos para asma grave: esperança no SUS
Descubra como funcionam os medicamentos biológicos para asma grave, quem pode usar e quais já estão disponíveis no SUS.

Você ou seu filho vive com crises fortes de asma? A boa notícia é que existem novos remédios chamados biológicos. Eles atacam a raiz da inflamação e podem cortar pela metade as idas ao hospital. Vamos explicar, em linguagem simples, como funcionam, quem tem direito e onde encontrar ajuda. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que entender é o primeiro passo para respirar melhor!
O que são remédios biológicos
Biológicos são anticorpos feitos em laboratório. Pense neles como chaves que se encaixam em fechaduras especiais do sistema imunológico. Ao travar essas fechaduras, eles desligam a inflamação que fecha os brônquios.
Da anti-IgE à anti-TSLP: a linha do tempo
- Omalizumabe (anti-IgE): primeiro biológico, reduz crises em até 50%.
- Mepolizumabe, Reslizumabe, Benralizumabe (anti-IL-5/IL-5R): diminuem eosinófilos (células inflamatórias) e melhoram a função pulmonar.
- Dupilumabe (anti-IL-4/IL-13): tem efeito rápido e mantém o controle por até um ano.
- Tezepelumabe (anti-TSLP): funciona mesmo sem exames de sangue alterados, reduzindo crises em até 56%.
Quem pode usar
Segundo protocolos do Ministério da Saúde e do guia internacional GINA, o paciente deve:
- Usar doses altas de corticoide inalatório combinado a broncodilatador por pelo menos três meses.
- Ter técnica correta e aderir ao tratamento diariamente.
- Mesmo assim, continuar apresentando crises ou falta de ar frequente.
Exames mínimos
Os médicos avaliam quatro pontos:
- Contagem de eosinófilos no sangue.
- IgE total.
- FeNO (óxido nítrico exalado).
- Histórico de crises no último ano.
Regras específicas
- Omalizumabe: IgE entre 30–700 UI/mL + teste alérgico positivo.
- Mepolizumabe / Benralizumabe: eosinófilos ≥ 150 células/µL agora ou ≥ 300 no ano.
- Dupilumabe: FeNO ≥ 25 ppb ou eosinófilos ≥ 150.
- Tezepelumabe: indicado mesmo sem valores altos, mas é preciso ter pelo menos duas crises por ano.
Como conseguir no SUS ou no plano
No SUS, o omalizumabe está disponível desde 2013 e o mepolizumabe desde 2022. O benralizumabe aguarda decisão, enquanto dupilumabe e tezepelumabe ainda estão restritos a convênios médicos.
O tratamento custa em média R$ 32 mil por ano, mas evita internações caras, gerando economia para o sistema de saúde. Em alguns estados, os pontos de entrega ainda são limitados. Caso não haja serviço próximo, o médico pode encaminhar a centros de referência ou indicar teleconsultas da Sociedade Brasileira de Pneumologia.
Resultados na vida real

Centros brasileiros relatam redução de até 70% nas idas ao pronto-socorro após o início da terapia biológica. Isso significa menos faltas escolares, mais produtividade no trabalho e melhor qualidade de vida.
Futuro próximo
- Anticorpos combinados que bloqueiam duas rotas inflamatórias já reduziram crises em 75% nos primeiros estudos.
- Pesquisas testam comprimidos que bloqueiam sinais inflamatórios e até vacinas contra alérgenos.
- O governo discute novos modelos de financiamento, como pagar pelo valor gerado em saúde, para ampliar o acesso.
Perguntas frequentes
Biológico substitui a bombinha?
Não. A bombinha continua sendo usada, muitas vezes em dose menor.
Tem efeito colateral forte?
Em geral, os efeitos são leves, como dor no local da injeção. Reações graves são raras.
Criança pode usar?
Sim. Alguns biológicos já são liberados a partir de 6 anos, mas a decisão depende do médico.
Precisa de internação para aplicar?
Não. A maioria é aplicada por injeção rápida no ambulatório ou até em casa, após treinamento.
Equívocos comuns
- “Biológico cura a asma”: ele controla, mas não cura, pois a asma é crônica.
- “Só serve para alergia”: há opções para vários tipos de asma, mesmo sem alergia aparente.
- “É caro demais e impossível de conseguir”: o SUS já fornece alguns; é importante se informar sobre os direitos.
Conclusão

Os remédios biológicos mudaram o tratamento da asma grave. Eles atacam pontos exatos da inflamação e podem cortar crises pela metade ou mais. Converse com seu médico, avalie se você ou seu filho se encaixa nos critérios e procure os canais de acesso. Lembre: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Global Initiative for Asthma. Global strategy for asthma management and prevention 2023. Disponível em: https://ginasthma.org.
- Fitzgerald, J. M. et al. Benralizumab as add-on therapy for severe eosinophilic asthma. New England Journal of Medicine, 2016.
- Bel, E. H. et al. Mepolizumab for severe eosinophilic asthma. The Lancet, 2012.
- Castro, M. et al. Dupilumab efficacy and safety in uncontrolled asthma. New England Journal of Medicine, 2018.
- Menzies-Gow, A. et al. Tezepelumab in severe asthma. New England Journal of Medicine, 2021.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RE nº 4.123, 2022.
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Asma, 2022.
- Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Diretrizes para manejo da asma, 2020.
- CONITEC. Relatório de recomendação: mepolizumabe para asma grave, 2020.
- Farias, P. M. et al. Impacto da terapia biológica na asma grave. Pulmão RJ, 2022.
- Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 9/2023-SCTIE/DAF.
- Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Projeto TeleAsma, 2023.
- Corren, J.; Pavord, I. D. Anti-IL-13/TSLP bispecific antibody in uncontrolled asthma. AJRCCM, 2024.